Dom José Domingo Ulloa, presidente da Conferência Episcopal Panamenha (CEP), destacou o apelo do Papa ao diálogo, à solidariedade e ao acompanhamento dos mais necessitados. O purpurado afirmou que Leão XIV abordou a questão dos migrantes e enviou orações às regiões afetadas pelo terremoto.
Patricia Ynestroza - Vatican News A construção de pontes de diálogo, o acompanhamento das pessoas mais vulneráveis e o fortalecimento da confiança em Deus foram algumas das principais mensagens que o Papa Leão XIV transmitiu aos bispos do Panamá durante o encontro no âmbito da visita ad limina apostolorum nesta sexta-feira (23/10). [ Photo Embed: O Papa com dom José Domingo Ulloa] Dom José Domingo Ulloa, presidente da Conferência Episcopal do Panamá (CEP), em entrevista ao Vatican News, descreveu o encontro como uma “experiência maravilhosa” e destacou a oportunidade de manifestar ao Papa o carinho e as orações da Igreja no Panamá, especialmente após as preocupações surgidas em relação ao seu estado de saúde.
Segundo explicou ele, o Pontífice aproveitou a presença dos bispos para insistir na missão que lhes cabe desempenhar na realidade panamenha: serem construtores de pontes, promover o diálogo e permanecer próximos daqueles que mais precisam de apoio.
Leão XIV também expressou solidariedade às comunidades afetadas pelo terremoto que atingiu o país e pediu que fosse transmitida à população, especialmente às regiões mais prejudicadas, a mensagem de oração e proximidade.
Além disso, agradeceu a resposta solidária do povo panamenho e o trabalho da pastoral social e da Cáritas em favor das pessoas afetadas.
Durante o encontro com o Papa, os bispos também compartilharam o compromisso com o cuidado da criação.
Dom Ulloa explicou que a Igreja panamenha se uniu às iniciativas de outras comunidades cristãs para celebrar o Dia da Criação por meio da Eucaristia e de diversas atividades de conscientização sobre a responsabilidade de salvaguardar a casa comum. [ Photo Embed: A audiência com o Papa no Palácio Apostólico] A Igreja, uma rede de solidariedade diante da emergência Diante dos danos materiais causados pelo terremoto, as estruturas eclesiais do Panamá colocaram seus recursos e capacidades a serviço das comunidades, por meio das pastorais sociais e das Cáritas diocesanas.
Dom Ulloa destacou que inúmeras pessoas, benfeitores anônimos e empresas decidiram canalizar as doações por meio dessa rede de solidariedade presente em todo o país.
Essa resposta, observou ele, demonstra a importância da Igreja para chegar àqueles que precisam de ajuda e acompanhar as comunidades em momentos difíceis.
Uma visita ad limina que fortalece a comunhão eclesial Ao fazer um balanço das reuniões realizadas durante a semana com os diversos dicastérios da Santa Sé, o presidente da CEP destacou a disponibilidade encontrada para atender às necessidades das Igrejas particulares.
A visita permitiu aos bispos aprofundar a dimensão universal da missão eclesial e reconhecer que o trabalho pastoral realizado no Panamá faz parte de uma tarefa compartilhada por toda a Igreja.
Para dom Ulloa, esse intercâmbio constitui uma oportunidade para fortalecer a comunhão, receber orientações e encontrar caminhos de colaboração que respondam aos desafios concretos das comunidades panamenhas. [ Photo Embed: O Papa Leão XIV ao ouvir os bispos compartilhando as realidades locais] As famílias, chamadas a descobrir a beleza do amor Outro dos temas abordados foi a realidade das famílias no Panamá, especialmente diante da pobreza, do desemprego e das dificuldades econômicas.
Ao se referir ao encontro “10 anos de amor e alegria, proclamando o Evangelho da família”, realizado recentemente, dom Ulloa destacou que um dos grandes desafios consiste em ajudar as famílias a descobrir a beleza e o valor da vocação, mesmo em meio a circunstâncias adversas.
Nesse contexto, ele ressaltou que a missão da Igreja não deve se limitar a preparar os casais para o matrimônio, mas deve formar e acompanhar as pessoas no amor.
O desafio, explicou, consiste tanto em acompanhar os novos casais que se unem por meio do sacramento do matrimônio quanto em aproximar-se daquelas famílias que não frequentam as igrejas, mas que também precisam se sentir acolhidas e acompanhadas em suas diferentes realidades. [ Photo Embed: Os bispos do Panamá em reunião em um dos dicastérios da Santa Sé] Uma Igreja missionária diante dos novos desafios migratórios Dom Ulloa definiu a Igreja panamenha como uma Igreja missionária, comprometida com uma missão permanente que começa com o anúncio do kerigma aos agentes pastorais para que esses, a partir da experiência de Deus, possam levar o Evangelho às comunidades e vizinhos.
Entre os desafios atuais, destacou a atenção às pessoas migrantes.
Explicou que, embora nos últimos anos o Panamá tenha recebido fluxos migratórios provenientes de países sul-americanos, como Colômbia, Venezuela e Equador, a dinâmica migratória mudou.
Segundo ele, cada vez mais famílias migrantes consideram se estabelecer no Panamá e desenvolver ali seus projetos de vida.
Essa realidade exige a renovação da Pastoral da Mobilidade Humana, com novas formas de acompanhamento que atendam não apenas às necessidades imediatas daqueles que chegam ao país, mas também aos seus processos de integração e permanência.
O desafio, nesse sentido, é manter uma Igreja próxima, capaz de ouvir, acolher e acompanhar as pessoas, independentemente da sua origem.
Avanços nos processos de Guillermo Sosa e Héctor Gallego A visita aos dicastérios também trouxe notícias relacionadas à memória e ao testemunho de sacerdotes que marcaram a história da Igreja panamenha.
Dom Ulloa anunciou que, durante a visita ao Dicastério para as Causas dos Santos, foi obtido o nihil obstat para dar início ao processo relativo ao Pe.
Guillermo Sosa, sacerdote lembrado por seu trabalho missionário e pastoral em comunidades rurais do Panamá.
Essa etapa constitui uma autorização para avançar no processo eclesiástico, sem que isso implique, ainda, uma declaração de santidade.
Além disso, a Conferência Episcopal do Panamá teve a oportunidade de dialogar com o Dicastério sobre a possível causa do Pe.
Jesús Héctor Gallego Herrera e apresentar elementos relacionados à sua vida e testemunho.
Sacerdote de origem colombiana, Gallego chegou ao Panamá em 1967 e desenvolveu um intenso trabalho pastoral entre as comunidades camponesas de Santa Fé, na província de Veraguas.
Seu compromisso com a organização dos trabalhadores rurais e a defesa dos setores mais desfavorecidos deixou uma marca profunda no país.
Na noite de 9 de junho de 1971, ele desapareceu em circunstâncias ligadas à repressão da época.
Seu paradeiro continua sendo uma ferida aberta na memória histórica panamenha e um símbolo da busca pela verdade e pela justiça.
Ao se referir ao seu legado, Dom Ulloa lembrou a persistência da Igreja em manter viva a indagação sobre seu destino e destacou que seu testemunho estava intimamente ligado ao compromisso com os mais pobres e à vivência concreta do Evangelho.
O cuidado com aqueles que cuidam Os desafios da Igreja não se limitam à atenção às comunidades.
Eles também incluem o cuidado integral com os sacerdotes, que acompanham milhões de pessoas em momentos decisivos e complexos de suas vidas.
Nesse contexto, a formação permanente, o acompanhamento espiritual e pastoral e a atenção ao bem-estar emocional dos presbíteros assumem especial importância.
Em julho de 2026, a Arquidiocese do Panamá realizou uma consulta anônima com 61 sacerdotes por meio do Inventário de Burnout de Maslach.
De acordo com as informações fornecidas sobre o estudo, o trabalho foi desenvolvido no âmbito de uma iniciativa conjunta com a Universidade Católica Santa María La Antigua e a empresa de digitalização FUTUVER, voltada para a prevenção do esgotamento emocional e o fortalecimento pastoral.
Os resultados foram descritos como um alerta sobre a situação vivida pelos sacerdotes.
No entanto, para precisar o alcance das descobertas, seria necessário consultar o relatório completo e conhecer os indicadores obtidos.
A iniciativa destaca uma dimensão fundamental da vida eclesial: aqueles que são chamados a acompanhar e apoiar os outros também precisam de espaços de escuta, formação e apoio.