Papa pede diálogo diante da retomada dos combates no Tigré

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Papa pede diálogo diante da retomada dos combates no Tigré
Fonte: VATICANO

Há dezenas de milhares de novos deslocados em Afar e receio de um novo bloqueio total de comunicações, energia e ajuda humanitária. O conflito iniciou em novembro de 2020 entre forças do governo federal etíope e a FPLT, causando centenas de milhares de mortes. Um acordo de paz foi assinado em Pretória em novembro de 2022, mas permaneceu parcialmente cumprido, voltando a intensificar-se em setembro de 2026.

Vatican News Acompanho com profunda preocupação a situação no Tigré e nas regiões vizinhas de Afar e Amhara, onde as hostilidades voltaram a eclodir.

Dirijo o meu sentido apelo a todas as partes para que escolham o caminho do diálogo.

O conflito armado nunca resolve os problemas, mas apenas os agrava, deixando atrás de si um rastro de morte, destruição e ressentimento.

Somente um diálogo sincero pode lançar as bases para uma paz duradoura.

É minha fervorosa esperança que a comunidade internacional ofereça uma contribuição generosa e oportuna para garantir que toda a ajuda humanitária chegue às pessoas necessitadas.

Ao final da Audiência Geral, o Leão XIV manifestou sua profunda preocupação com a retomada das hostilidades no Tigré e nas regiões vizinhas de Afar e Amhara, no norte da Etiópia.

O apelo foi feito em um momento de forte escalada da violência: desde 22 de setembro, combates entre forças ligadas à Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) e forças do governo federal etíope voltaram a atingir diferentes pontos da região, colocando em risco o frágil acordo de paz firmado em Pretória, em novembro de 2022.

A nova escalada começou após meses de aumento das tensões.

As forças do TPLF assumiram o controle de aeroportos em Mekelle, Axum e Shire e avançaram também para áreas de Afar e Amhara.

O governo federal lançou uma contraofensiva, enquanto as duas partes apresentam versões divergentes sobre as causas e responsabilidades pela retomada dos combates.

A ONU pediu máxima contenção, desescalada imediata, proteção dos civis e acesso seguro e sem obstáculos para as organizações humanitárias.

Hospitais recebem centenas de feridos   O impacto humanitário já é significativo.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que o número de feridos de guerra atendidos nos hospitais de Korem e Alamata passou de cerca de 180 para mais de 420 entre 22 e 25 de setembro.

No hospital de Suhul, em Shire, no noroeste do Tigré, mais de 300 feridos chegaram até 25 de setembro.

A MSF também informou que suspendeu suas atividades no hospital de Alamata devido à insegurança e acompanha os deslocamentos de população no Tigré, Amhara e Afar.

A Agência Europeia de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO) advertiu que o norte da Etiópia já enfrenta necessidades humanitárias graves, enquanto mais de 500 mil pessoas deslocadas internamente no Tigré dependem de assistência humanitária.

Em 28 de setembro, a União Europeia anunciou 61 milhões de euros em ajuda humanitária para a Etiópia, diante da deterioração da situação no país, incluindo os efeitos do conflito, dos deslocamentos e de outras emergências.

O risco ultrapassa as fronteiras do Tigré.

Os combates atingiram também Afar e Amhara, enquanto as tensões entre a Etiópia e a vizinha Eritreia aumentam a preocupação com uma possível ampliação regional da crise.

A guerra de 2020–2022, que terminou com o Acordo de Pretória, provocou uma das maiores crises humanitárias recentes da África, com centenas de milhares de mortos e milhões de deslocados.

A retomada das hostilidades ameaça reabrir feridas ainda não cicatrizadas e interromper os esforços de reconstrução.

Leão XIV, no final de seu apelo, voltou o olhar para a responsabilidade da comunidade internacional, expressando a esperança de que ela ofereça uma contribuição generosa e oportuna para garantir que a ajuda humanitária chegue a todos os que dela necessitam.

A mensagem se insere, assim, na preocupação constante da Igreja com a população civil atingida pelos conflitos: diante da morte, da destruição e do deslocamento, a prioridade, segundo o Pontífice, deve ser abrir novamente o caminho do diálogo e garantir assistência aos mais vulneráveis.

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