Papa: reconstrução urgente na região central da Itália, após 10 anos de terremoto

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Papa: reconstrução urgente na região central da Itália, após 10 anos de terremoto
Fonte: VATICANO

Leão XIV recebe os representantes dos municípios e vilarejos atingidos há 10 anos pelo terremoto na região central do país e clama por “respostas tangíveis e urgentes”, exortando a empregar “todas as forças para que a reconstrução material ocorra no menor tempo possível”. Ele também convida a não perder a esperança e a “construir juntos”.

Salvatore Cernuzio – Vatican News Dez anos de poeira, escombros, feridas abertas e procedimentos exaustivos, mas no centro da Itália, atingido há 10 anos por um terremoto devastador que causou 303 mortos, 388 feridos e 41 mil desabrigados, ainda há espaço para a esperança.

Não há, porém, espaço para a espera, demoras e atrasos.

O Papa Leão XIV compartilha da dor das comunidades italianas de Abruzzo, Marche, Lazio e Úmbria — cujos delegados dos diversos municípios recebe neste sábado (31/10), no Vaticano, — e, sem mais delongas, lança um apelo à política e às instituições, pedindo “respostas tangíveis e urgentes”. "Dez anos após o terremoto, é preciso empenhar todas as forças para que a reconstrução material ocorra no menor tempo possível, com segurança e de forma transparente.

Além disso, a esperança, para ser duradoura, requer perspectiva: deve identificar pontos de referência que orientem o caminho." Leia aqui a íntegra do discurso de Leão XIV [ Photo Embed: A audiência com Leão XIV foi na Sala Clementina, no Vaticano] Feridas ainda abertas O Papa — que já no Angelus de 23 de agosto, aniversário do terremoto, havia lembrado os falecidos e as famílias, exortando a apoiar “a obra de reconstrução” —, em discurso deste sábado (31/10), volta no tempo à “trágica sequência” de terremotos de agosto de 2016.

O principal tremor, de magnitude 6,0, destruiu os municípios de Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto, mas foram muitas as cidades devastadas, inclusive em seu patrimônio histórico-artístico, e as aldeias inteiramente apagadas dos mapas. “Eventos que causaram centenas de vítimas, destruições imensas e profunda dor em comunidades inteiras, que ainda hoje carregam essas feridas”, observa Leão.

Responsabilidade de todo o povo Ele, no entanto, convida a uma mudança de perspectiva, voltada para o futuro.

Para isso, o Pontífice pede que nos coloquemos “à escuta da Palavra de Deus”, a partir do texto — já central na encíclica Magnifica humanitas — do livro de Neemias, que narra o retorno do povo a uma Jerusalém ainda em ruínas após a devastação causada pelos babilônios.

Uma mensagem se destaca nesse trecho: a abordagem “comunitária”. "A cidade, de fato, renasce não pela ação de uma única pessoa, mas através da responsabilidade compartilhada de todo o povo." [ Photo Embed: Leão XIV ao acolher os delegados dos municípios atingidos pelo terremoto na Itália] O bem que é possível e necessário realizar Para reconstruir, então, é preciso ter uma visão. “Em casos tão dramáticos, não basta ter boas intenções ou confiar em um voluntarismo desordenado.

Para reconstruir, é necessário adquirir olhos capazes de discernir, em meio às ruínas, o projeto de uma casa e de uma cidade”, ressalta Leão XIV. "É o dom de um olhar profético que saiba acolher, além dos escombros, algo que ninguém ainda vê, um olhar que saiba discernir, dentro do mal presente, o bem que é possível e necessário realizar." O incentivo do Papa é, portanto, “retomar o caminho” com, por um lado, “a abordagem sinodal para construir juntos”; por outro, “a visão profética, que, partindo da necessidade presente, sabe olhar para frente e perceber qual é o bem comum a ser buscado de forma concreta”.

O exemplo dos santos e das santas Nessa jornada, os santos são pontos de referência.

Mulheres e homens de Deus que abençoaram estas terras.

O Papa Leão cita, por exemplo, Santa Rita de Cássia ou São Nicolau de Tolentino, que “com a oração e o anúncio do Evangelho trouxeram paz a famílias e comunidades devastadas pelo ódio e pela violência”.

Depois, São Bento, que soube “reformar e reconstruir a Igreja e a sociedade por meio da oração e do trabalho, lançando os alicerces daquilo que viria a ser a Europa de hoje”.

E não pode faltar, 800 anos após sua morte, São Francisco de Assis, que “começou a restaurar materialmente várias igrejinhas da região, compreendendo posteriormente que a ‘casa’ de que falava o Senhor era a própria Igreja, atravessada naquela época por uma profunda crise espiritual”. "O exemplo dos santos nos lembra que a esperança, para não permanecer um mero desejo, precisa, antes de tudo, de respostas tangíveis e urgentes." “Eu estou com vocês!” Ao final da audiência, Leão XIV – citando o profeta Ageu – lembra que, para “recomeçar”, é preciso primeiro “reconstruir o que dá sentido e fundamento a uma comunidade.

Caso contrário, tudo permanece desunido e se desintegra”.

Trata-se, portanto, “de recomeçar do centro, de recomeçar de Deus, das pessoas, do bem comum, das relações”.

Assim, “a nossa esperança estará fundamentada na rocha”, assegura o Pontífice.

Ele conclui garantindo proximidade, com as palavras, mais uma vez, de Ageu: “Sejam fortes, todo povo da terra, diz o Senhor, e trabalhem, pois eu estou com vocês!”

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