Na Missa em sufrágio dos cardeais e bispos falecidos ao longo do último ano, Leão XIV recordou que a esperança na ressurreição ilumina a memória daqueles que partiram e fortalece a comunhão que permanece para além da morte. “Rezar em sufrágio dos falecidos significa celebrar a vida! Antes de tudo, a vida ressuscitada de Cristo Senhor.”
Thulio Fonseca - Vatican News [ Audio Embed Ouça com a voz do Papa e compartilhe] O Papa Leão XIV presidiu nesta quinta-feira (05/11), à Santa Missa em sufrágio dos 143 cardeais e bispos falecidos ao longo do último ano.
A celebração, realizada no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi um momento de oração e memória por aqueles que dedicaram suas vidas ao serviço da Igreja. Partindo das palavras de Jesus no Evangelho de João: “Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo” (Jo 12,26) —, o Papa refletiu sobre o caminho do seguimento de Cristo, que conduz à glória através da cruz.
Um percurso marcado pelas provações e pelos sofrimentos, mas sustentado pela esperança da vida eterna: [ Ao longo desse percurso, no qual não somos poupados das provações e dos sofrimentos, somos guiados e sustentados por uma promessa: a de uma comunhão sobre a qual a morte não tem poder. ] [ Photo Embed: ] A esperança na ressurreição Ao recordar o valor espiritual da memória, Leão XIV evocou as palavras de Santa Mônica, que, pouco antes de morrer, pediu a seus filhos que se lembrassem dela diante do altar do Senhor.
Um testemunho que expressa a importância da oração pelos falecidos, praticada pela Igreja desde os seus primórdios.
Retomando a primeira leitura, do Segundo Livro dos Macabeus (2Mc 12,43-46), o Pontífice destacou o gesto de Judas Macabeu, que mandou oferecer um sacrifício expiatório pelos companheiros mortos em batalha, movido pela fé na ressurreição e pela confiança na misericórdia divina. “De fato, recordar os nossos irmãos falecidos diante do altar do Senhor se fundamenta na promessa de que a nossa vida, em Cristo, não se perde, porque foi redimida.” O Santo Padre ressaltou que essa esperança encontra sua plenitude no Mistério Pascal de Cristo e convidou os fiéis a contemplar a morte à luz da ressurreição: [ Caríssimos, rezar em sufrágio dos falecidos significa celebrar a vida!
Antes de tudo, a vida ressuscitada de Cristo Senhor e, por sua graça, a nossa, que nele ressuscita. ] Leão XIV recordou ainda que o sacrifício eucarístico é o memorial da Páscoa de Cristo, que salvou a humanidade por meio da entrega de si mesmo.
Por isso, a memória dos que partiram não deve se limitar à saudade, mas permanecer iluminada pela fé: “Não permitamos, portanto, que a recordação dos falecidos se reduza a uma mera nostalgia: na fé, meditemos sem medo sobre o mistério da morte, porque o Senhor está vivo, nos espera e já preparou um lugar para nós na casa de seu Pai.” [ Photo Embed: ] A morte não desfaz os laços Na parte final da homilia, o Papa aprofundou o significado da comunhão dos santos, recordando que a Igreja é um mistério de comunhão entre Cristo e todos os seus membros.
Uma união que permanece para além da morte e que se manifesta também na oração, pois, segundo o Pontífice, quando rezamos pelos falecidos, não o fazemos apenas por eles, mas também com eles.
Nesse sentido, destacou: [ Em Cristo, a morte não desfaz os laços, mas os transfigura numa nova dimensão, que só pode ser compreendida no mistério do seu amor, doado até o fim na cruz e derramado após a vitória pascal. ] Por fim, o Santo Padre convidou os fiéis a conservar e cultivar essa comunhão, alimentada pela Eucaristia, para que, ao chegar a hora da própria morte, também possam receber as orações dos irmãos que ainda peregrinam na terra e participar, com todos os santos, da alegria da pátria celeste. [ Photo Embed: ]