O tema da educação esteve no centro do discurso do Santo Padre ao visitar a Universidade Católica de Montevidéu: "É urgente que a nossa educação escolar e universitária contribua para o uso sábio das tecnologias e da IA, colocando a pessoa antes do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emotiva, social, espiritual e ecológica".
Bianca Fraccalvieri - Vatican News Não nos é permitido parar: esta foi a exortação que Leão XIV fez a professores e estudantes da Universidade Católica do Uruguai, com sede em Montevidéu.
O encontro foi na tarde de sábado, 7 de novembro, e ocorreu pouco mais de mais de trinta e oito anos desde a visita de São João Paulo II, quando a instituição dava os seus primeiros passos. "Hoje, desejo agradecer-vos do fundo do coração pelo trabalho educativo que realizastes e continuais a realizar nas comunidades de formação e de ensino, nos diferentes níveis e etapas da aprendizagem, em prol do anúncio do Evangelho e da dignidade da pessoa humana", disse o Papa.
Esta continuidade, afirmou, demonstra que a educação católica no Uruguai se tornou a forma concreta pela qual o Evangelho se torna gesto educativo, relação, cultura.
E não só, pois confirma que o Evangelho não envelhece, antes renova todas as coisas.
O discurso do Santo Padre foi baseado nos cinco sentidos, ressaltando a importância de que a instituição e seus membros ouçam, vejam, saboreiem, toquem e sintam o aroma da Boa Nova.
Assim, é necessário contemplar, olhar com atenção a realidade que nos cerca, com o cuidado de trabalhar pelo bem comum, consciente de que, atualmente, o homem tem se dedicado a produzir a mais terrível das “obras humanas”: a guerra. "A educação católica que promoveis é chamada a fazer com que a comunidade educativa descubra a importância do tato, das mãos e dos dedos para fomentar a paz", exortou o Santo Padre. [ É urgente, portanto, que a nossa educação escolar e universitária contribua para o uso sábio das tecnologias e da IA, colocando a pessoa antes do algoritmo e harmonizando as inteligências técnica, emotiva, social, espiritual e ecológica. ] Leão XIV alertou para o processo de desumanização que estamos vivendo e que constitui um desafio para as instituições escolares e universitárias.
E citou um trecho de seu recente discurso na sede da Unesco, em que falou do paradoxo de atribuir “inteligência” aos sistemas computacionais, enquanto há dificuldade de reconhecer a dignidade inalienável da pessoa humana. "Ninguém pode ser rejeitado", recordou, pedindo novamente que a vida humana seja respeitada em todas as suas fases. Quanto à missão própria da educação católica, o Santo Padre recordou que esta não pode estar confinada a um circuito fechado.
Pelo contrário, deve habituar-se a escutar as famílias, a sociedade civil, as autoridades políticas e administrativas, bem como os representantes dos setores produtivos e das categorias profissionais. "Quem escuta vê o outro como um bem, não como uma ameaça", afirmou. [ Queridos irmãos e irmãs, peço-vos que continueis a caminhar, a evangelizar e a contemplar a pessoa na sua totalidade: «corpo e alma, coração e consciência, inteligência e vontade».
Não nos é permitido parar.
Continuemos a caminhar n’Aquele que se fez Caminho, Verdade e Vida. ]