Em Mondovì, no Piemonte, a Casa do Menor celebrou 30 anos de presença na Itália. O sacerdote italiano, que há cinco décadas vive no Brasil, dedicou sua vida às crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. “A maior pobreza é não se sentir filho, não se sentir amado”, afirmou.
Vatican News “Um pastor com cheiro de ovelhas”.
É assim que pode ser descrito o padre Renato Chiera, sacerdote italiano de 84 anos, natural da região de Cuneo, que há 50 anos vive no Brasil ao lado de crianças e jovens em situação de rua.
Conhecido como o “anjo dos meninos de rua”, o missionário dedicou sua vida à acolhida daqueles que se encontram entre os mais vulneráveis da sociedade.
A trajetória do padre Chiera está ligada à Casa do Menor, realidade por ele fundada no Brasil e que, neste ano, celebra importantes aniversários.
Em Mondovì, no Piemonte, amigos, voluntários, apoiadores e benfeitores se reuniram no Mosteiro de São Biagio para três dias de oração, encontros e reflexão, marcando os 30 anos da Casa do Menor Itália.
A celebração acontece no mesmo ano em que são recordados os 40 anos da fundação, no Rio de Janeiro, da Casa do Menor São Miguel Arcanjo.
Na Guiné-Bissau, a missão de Bambadinca também celebra cinco anos de presença. [ Photo Embed: Um momemto do encontro em Mondovì] Uma história feita de rostos e encontros “Trinta anos não são apenas um aniversário, mas uma história feita de rostos, encontros e mãos estendidas”, afirmou o padre Chiera durante as celebrações.
Segundo ele, a Casa do Menor continua escolhendo permanecer ao lado daqueles que se sentem esquecidos, para que cada criança e cada jovem possa descobrir que é amado, acolhido e capaz de construir o próprio futuro. “Esta festa é sobretudo um grande agradecimento a todos aqueles que caminharam conosco”, acrescentou o missionário, destacando a contribuição de tantas pessoas que, ao longo das décadas, apoiaram a missão junto às crianças, aos jovens e às famílias.
Para o padre Chiera, a questão fundamental não é apenas a pobreza material. “A maior pobreza é não se sentir filho, não se sentir amado”, afirmou.
É justamente diante dessa realidade que ele identifica a missão da Casa do Menor: “É esta a fronteira na qual somos chamados a ser presença de amor.
E é isso que faz a Casa do Menor pelos meninos de rua”. [ In Evidence ] Uma presença que educa e promove a paz O tema da presença esteve no centro de uma mesa-redonda realizada durante o encontro em Mondovì.
A reflexão abordou suas diferentes dimensões, desde a educação de crianças e jovens até o compromisso com a paz e a justiça social.
Além do padre Chiera, participaram da mesa-redonda Ivana Borsotto, presidente da FOCSIV; o psicólogo Ezio Aceti; e Lucia Ines Cardoso da Silva, presidente da Casa do Menor Brasil.
O encontro foi moderado por Alessandro Gisotti, vice-diretor dos meios de comunicação do Vaticano.
Os dias de celebração foram também uma oportunidade para recordar o caminho percorrido pela Casa do Menor, apresentar os projetos desenvolvidos na Itália, no Brasil e na Guiné-Bissau e renovar o compromisso de estar concretamente ao lado das crianças, dos jovens, das famílias e das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Ao completar cinco décadas de presença missionária no Brasil, o padre Renato Chiera continua assim a apontar para uma dimensão essencial de sua experiência: estar presente.
Uma presença que, para ele, significa acolher, acompanhar e oferecer às pessoas que se sentem esquecidas a possibilidade de redescobrir a própria dignidade e construir um futuro.