Pequenas Irmãs da Sagrada Família: 50 anos de missão no Brasil

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Pequenas Irmãs da Sagrada Família: 50 anos de missão no Brasil
Fonte: VATICANO

Das raízes italianas aos 50 anos de missão no Brasil: fé e dedicação.

Theresinha Acco - escritora Há histórias que começam com pessoas.

Outras encontram seu primeiro encanto na paisagem que se descortina diante de uma janela aberta, como se a natureza, em seu silêncio, também participasse daquilo que está por nascer.

Há aquelas que começam quando sonhos e encontros ainda procuram seus caminhos.

E há pequenos acontecimentos que entrelaçam momentos e preparam o nascimento de uma história.

Itália: berço das Pequenas Irmãs da Sagrada Família Era outono, domingo, 6 de novembro de 1892.

Às margens do Lago de Garda, na província de Verona, norte da Itália, a paisagem revelava o encanto das oliveiras que se espalhavam pelas encostas, e das montanhas que se erguiam ao redor das águas serenas do lago.

Entre o verde persistente da vegetação e os tons dourados da estação, Castelletto di Brenzone parecia repousar na quietude daquele cenário, sob a luminosidade suave de uma Lua quase cheia.

Foi nesse recanto de singular beleza que, por iniciativa do Padre José Nascimbeni, nasceu o Instituto das Pequenas Irmãs da Sagrada Família.

Movido pelo zelo pastoral e pela preocupação com a educação, a catequese e o cuidado dos mais necessitados, o sacerdote reuniu jovens dispostas a colaborar na missão paroquial.

Entre elas estava Domênica Mantovani, que se tornaria Madre Maria Domênica Mantovani, cofundadora e primeira superiora do Instituto.

Inspirada na vida da Sagrada Família de Nazaré, a Congregação encontrou na simplicidade, na humildade, na alegria e no espírito de serviço os fundamentos de sua espiritualidade.

Uma vocação à santidade vivida nos gestos cotidianos, na dedicação às famílias, na educação cristã e na atenção aos mais necessitados.

Assim, naquele pequeno recanto italiano, começava a florescer uma história de fé e dedicação que, décadas mais tarde, atravessaria o oceano para criar raízes e dar novos frutos em terras brasileiras.

Padre José Nascimbeni foi beatificado por São João Paulo II em 17 de abril de 1988.

Madre Maria Domênica Mantovani foi canonizada pelo Papa Francisco em 15 de maio de 2022.

O carisma nascido naquela pequena comunidade italiana atravessou fronteiras e chegou a dez países, entre eles o Brasil.

Brasil: solo fértil onde a missão floresce A história das Pequenas Irmãs da Sagrada Família no Brasil começou a ser escrita entre cartas, esperas e confiança na Providência.

Era o ano de 1974, quando a Diocese de Palmas, no sul do Brasil, vivia um período de intenso crescimento, com numerosas comunidades distribuídas por uma vasta região, ainda predominantemente rural.

A paisagem, marcada pela beleza dos campos nativos, pelas extensões verdejantes e pelas araucárias que se erguiam imponentes.

No extremo sul da diocese, conhecia também os rigores do inverno, com geadas frequentes e, ocasionalmente, a neve, que cobria de branco os campos e lhes conferia um encanto singular.

Nesse cenário, onde a beleza singular da paisagem agreste contrastava com as grandes distâncias e as dificuldades da vida no campo, Dom Agostinho José Sartori, então bispo diocesano, desejava contar com a presença de uma congregação religiosa feminina que viesse somar esforços à missão evangelizadora da Igreja.

Havia muito a ser feito.

Mais do que ampliar a atuação pastoral, era necessário chegar aonde a vida acontecia, conhecer as famílias, compreender suas necessidades e caminhar ao lado daqueles que precisavam de cuidado, orientação e esperança.

Foi desse desejo de proximidade e serviço que começou a se delinear a aproximação com as Pequenas Irmãs da Sagrada Família, congregação de origem italiana cuja espiritualidade, marcada pela simplicidade, pela humildade e pela dedicação àqueles que mais precisavam de cuidado e atenção, correspondia às necessidades daquela realidade diocesana.

Sua presença representava a possibilidade de fortalecer a ação evangelizadora e levar às comunidades um trabalho de cuidado, educação e atenção fraterna.

Frei Antônio Cordiolli, OFMConv., conhecedor da realidade regional e ligado à Congregação por vínculos familiares, tornou-se um importante elo para estabelecer o contato.

A proximidade com a Argentina, onde as Pequenas Irmãs já atuavam havia mais de duas décadas, também favorecia a aproximação.

Enquanto na Itália a diminuição das vocações despertava preocupação, no Brasil abriam-se novos caminhos para a missão.

Em suas correspondências, Dom Agostinho manifestava expectativa pela chegada das religiosas, destacando a simplicidade e a autenticidade evangélica que reconhecia nelas: “E é com esse perfil de Irmãs que tanto precisamos!...” Em setembro de 1975, durante uma viagem à Itália, o bispo visitou a Casa-Mãe da Congregação, em Castelletto di Brenzone, às margens do Lago de Garda.

Ali conheceu mais de perto sua espiritualidade e, diante do túmulo do fundador, pronunciou palavras que atravessariam o tempo: “As vocações em terras brasileiras irão florescer como florescem as rosas no verão.” Em 19 de abril de 1976, chegaram ao Brasil as primeiras missionárias: Irmã Ervina Minotauri, procedente da Itália, e Irmã Antonietta Meneghin e Irmã Maria Plácida Settin, vindas da Argentina.

Após passarem pelo Rio de Janeiro, Curitiba e Pato Branco, seguiram para Santa Isabel do Oeste, no Paraná, onde foram recebidas com festa e calorosas manifestações de boas-vindas pela população.

Naquele dia, entre a alegria da acolhida e a esperança que acompanha todo novo início, começava a ganhar raízes em terras brasileiras uma história de fé, dedicação e serviço.

A presença da Congregação expandiu-se gradualmente.

Além de Santa Isabel do Oeste, as Pequenas Irmãs encontraram solo fértil em Palmas, Francisco Beltrão, Cascavel, Toledo e Tibagi, no Paraná, e em Itaquiraí e Bataguassu, no Mato Grosso do Sul.

Em cada lugar, o carisma encontrou realidades próprias e novas possibilidades de cuidado.

Palmas: uma história  de Fé e Dedicação Em 19 de setembro de 1974, Dom Agostinho José Sartori havia fundado a Escola de Integração Social de Palmas (EISPAL), destinada a acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e a oferecer apoio às mães trabalhadoras.

Inicialmente conduzida por leigos, a EISPAL passou a contar com a presença das religiosas para dar continuidade ao propósito.

Primavera, 29 de novembro de 1980, chegaram a Palmas sete integrantes da Congregação: as Irmãs Josefina Radaelli e Zeila Maria Cordeiro e as noviças Inês Passarello, Olivia Maria Fruett, Doralice Tonet, Catarina Vieira e Valdete Boing. .

Os primeiros tempos foram marcados por muitos desafios.

Na EISPAL, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade encontravam alimentação, apoio escolar, formação religiosa e atividades recreativas.

Mais do que atender às necessidades imediatas, as Pequenas Irmãs procuravam oferecer cuidado, proteção, afeto e oportunidades, reconhecendo a dignidade de cada criança.

Era assim que a Pedagogia do Amor ganhava vida: na paciência de ensinar, na disposição de acolher e nos pequenos gestos do cotidiano.

Mais do que um princípio educativo, era uma maneira de cuidar, formar consciências e construir vínculos, deixando marcas que o tempo não apaga.

A atuação das Pequenas Irmãs também se fez sentir na vida pastoral de Palmas, especialmente na Catedral do Senhor Bom Jesus, por meio da catequese, da liturgia e do acompanhamento das comunidades urbanas e rurais.

Em 2016, a caminhada foi fortalecida pela aproximação de novos participantes no grupo PCN, inspirado na espiritualidade da Encarnação e de Nazaré.

Marcas que permanecem Ao longo de meio século de presença das Pequenas Irmãs da Sagrada Família no Brasil, a Diocese de Palmas–Francisco Beltrão também viveu transformações e conheceu diferentes pastores.

Hoje, tendo à frente Dom Edgar Xavier Ertl, a Diocese reconhece e valoriza o legado construído pelas religiosas em sua missão evangelizadora e social, especialmente na EISPAL, onde a educação das crianças, inspirada na Pedagogia do Amor, tornou-se uma das marcas mais significativas de sua história.

Uma herança que ultrapassa o tempo e permanece viva nos gestos de dedicação e cuidado com cada criança.

Passaram-se 50 anos.

Das oliveiras que adornavam as encostas do Lago de Garda aos campos nativos e às araucárias do sul do Brasil, a paisagem mudou, mas a essência da missão permaneceu.

Cenários de singular beleza, embora tão diferentes, unidos por uma mesma história de fé que atravessou o oceano e encontrou, em terras brasileiras, solo fecundo para criar raízes e florescer.

As sementes trazidas de longe germinaram em diferentes regiões do país, onde as Pequenas Irmãs da Sagrada Família continuam sua missão de amor, dedicação e serviço.

Neste Jubileu de Ouro, celebram-se não apenas os caminhos percorridos, mas também os frutos de uma história que permanece viva na memória, e no coração de tantas comunidades.

Porque há flores que não precisam permanecer diante dos nossos olhos para continuar presentes: Basta que tenham criado raízes. - Theresinha Acco escritora, membro da APAL-Academia Palmense de Letras, e do CLFB- Centro de Letras de Francisco Beltrão.

Diocese de Palmas - Francisco Beltrão-Paraná-Brasil.

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