Peregrinos aguardam na Muxima a bênção de Leão XIV - Vatican News via Acervo Católico

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Peregrinos aguardam na Muxima a bênção de Leão XIV - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Muitos já lá se encontram há vários dias, esperando, em oração, o grande momento: a chegada de Leão XIV. Movidos pela fé, esperam que as palavras do Papa, a interceção de Nossa Senhora, convertam as mentes e os corações, especialmente dos que governam para que pensem nos que sofrem. Como cristãos, acreditam que isto é possível.

Dulce Araújo - Luanda A cerca de 160km a sudeste de Luanda, na Diocese de Viana, encontra-se o Santuário Nossa Senhora da Conceição da Muxima, para onde o Papa vai em peregrinação domingo, 19 de março, à tarde, para rezar o terço com os fiéis e lhes dirigir a Palavra. Para quem sai de Luanda, o percurso é longo, mas agradável: estrada asfaltada, ladeada por embondeiros e vegetação verdejante. Aqui e além, barracas de agricultores. Depois de duas horas de caminho, avista-se o Santuário com o grande rio Kuanza atrás. À frente, sobressaem, logo à primeira vista, tendas coloridas, dando já a dimensão da presença de milhares de peregrinos, que aguardam, alguns há três, quatro dias, a chegada do Santo Padre. Obras de requalificação A vasta área do Santuário está em obras, seja para aprontar a esplanada que acolherá Leão XIV, seja para a construção da grande Basílica, esperada há anos e que arrancou em 2023, devendo ficar pronta, segundo o Reitor, P. Alberto Mpindi, em 2027. Terá 4.600 lugares sentados e uma praça para 200 mil peregrinos. Será uma grande obra de requalificação da vila e do Santuário, cujas origens remontam a 1599, quando os portugueses construíram, na margem esquerda do rio Kuanza (o maior de Angola), uma fortaleza para se defenderem doutras potências e presidiarem o entreposto de mercadorias e de pessoas escravizadas a caminho do novo mundo. O forte foi, de facto, essencial na defesa contra os holandeses em 1646. Da página sombria da escravatura à luz da Mamã Muxima Entretanto, nesse alvor do século XVII surgiu no local da Muxima (que em língua kimbundo significa coração) a pequena Igreja Nossa Senhora da Conceição que viria a dar origem à devoção popular “Mamã Muxima”, atraindo cada vez mais peregrinos até ser o Santuário que é hoje, onde as pessoas procuram graças, luz e bênção para as próprias famílias, Angola e o mundo. Esse passado sombrio de escravatura e ocupação estrangeira ficou para trás; hoje Muxima é um lugar de paz e oportunidades, explica o P. Mpindi: “A palavra de Deus que recebemos vem para curar, para levar à irmandade, à paz. João Paulo II pediu perdão por essa página da história. O nosso povo sabe perdoar pelo passado e recomeçar . E onde há ameaça, vê oportunidade. Conseguiu encontrar Deus nessa página triste da história, através da Mamã Muxima, que intercede pelo povo. Aqui havia o Forte construído em 1599 e depois com o tempo surgiu a Igreja, em 1641. É um sinal de Deus que o povo encontrou aqui e dele consegue, mesmo em tempo de guerra, tirar algo de bom. O povo vinha aqui mesmo quando não havia estrada, vinha de jangada, de barquitos. E a espiritualidade cresce cada vez mais.” – afirma este padre diocesano. O coração bate acelerado À medida que se aproxima a chegada do Santo Padre, o Reitor, cheio de entusiamo, sente o coração bater acelerado:  “O coração está a bater acelerado, muito ansioso de acolher aqui, pela primeira vez o Santo Padre nessa casa da Mamã Muxima. Que graça, que grande graça!” Decoração de Nossa Senhora No complexo do Santuário da Muxima distingue-se hoje a casa que hospeda os padres e, naturalmente, também a Igreja, onde se encontra a imagem de Nossa Senhor, vestida de branco, manto azul e coroa dourada na cabeça. Pela ocasião, vai ser ulteriormente embelezada, refere a irmã Lucrécia da Felicidade André, membro da Congregação Nossa Senhora Mamã Muxima, fundação da Igreja local, encarregada, no Santuário, da preparação da Eucaristia, da decoração geral e da própria imagem de Nossa Senhora. Ela e a Congregação estão “felizes por fazer parte deste momento especial” que estão a viver “com emoção, gratidão, alegria e partilha. O Papa no meio de nós, é uma grande bênção!” – diz a irmã. Os peregrinos esperam que a benção e as suas palavras do Papa levem à mudança da situação  O Santo Padre que chegará de helicóptero a Muxima, conduzirá a oração do terço a partir de um amplo altar virado para uma esplanada em granito de 500 metros quadrados, onde estarão os eclesiásticos, autoridades, o coro de cerca de 300 vozes, jornalistas e, em toda a vasta área do Santuário, milhões de peregrinos provenientes de todos os cantos do país, e não só, para rezar com o Papa. De entre eles, estará Mizé, que diz: “Espero uma bênção do Santo Padre, que não é um padre normal, é abençoado por Deus, vem representar Deus. Tenho fé de chegar ao pé dele” Pedro Juvenil, enfermeiro, vai sempre ao Santuário “empurrado pela fé e pela esperança”, porque como cristãos temos sempre fé de que Deus nos ajudará, que algo vai mudar”. Espera ver mudanças na vida social em Angola, o saneamento básico, há muita miséria - salienta. Ele acredita que a mensagem do Papa poderá contribuir para mudar alguma coisa. Também Marcelina João Monteiro diz estar ali “para ver o nosso mais velho, o sacerdote Leão XIV que vai chegar”. Espera que ilumine os corações e as mentes, derrame graças. Ela deseja paz, felicidade para Angola e que os ministros tenham amor pelo povo que está a sofrer, que haja conversão dos corações, acentua, alargando o olhar a quantos sofrem no mundo inteiro. Teresa Neto é católica, diz, e como tal, não podia ficar sem ver o Papa. Por isso foi a Muxima para ter a sua bênção. Tal como ela, também Laura Ngula, de Viana, foi “ver o nosso Papa, o nosso bispo e obter a bênção dele”. As jovens Larissa Neves e a outra Larissa, são estudantes da Universidade Católica de Angola, não estão enquadrados em nenhum grupo particular, mas sempre que há peregrinações ou eventos importantes como neste caso, dão a sua ajuda. Também elas estão no Santuário para acolher o Papa com amor e carinho e obter a sua benção. Entretanto, aproveitam o tempo para conversar e trocar ideias sobre a Católica e outros assuntos. Espírito de fé e esperanança no Santuário, pulmão de evangelização Espírito de fé e a esperança de que a mensagem do Papa, a intercessão de Mamã Muxima, contribuam para uma Angola melhor, um mundo melhor, especialmente para os que sofrem. É isto que anima os peregrinos à espera de Leão XIV no Santuário da Muxima, importante pulmão espiritual da evangelização em Angola e na Diocese de Viana, onde se situa, e que tem à frente o Bispo Dom Emílio Sumbelelo. A grande peregrinação nacional ao Santuário costuma ser em agosto/setembro, altura da estação seca em Angola, mas este ano ficará na história do Santuário com a primeira visita de um Papa: Leão XIV que já entrou no coração dos angolanos, ao lado de Mamã Muxima.   

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