Em 18 de setembro, o prefeito Matteo Lepore concedeu a cidadania honorária de Bolonha ao patriarca latino de Jerusalém, na presença do cardeal arcebispo Matteo Maria Zuppi. As cidades, disse o patriarca em seu discurso de agradecimento, “são lugares concretos onde a convivência não é uma teoria”
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É a pergunta “que une todas as cidades, todas as comunidades humanas” e que sexta-feira, 18 de setembro, o patriarca latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, colocou no centro de seu discurso de agradecimento ao receber, das mãos do prefeito Matteo Lepore, a cidadania honorária de Bolonha, centro norte da Itália.
Durante a cerimônia realizada na Sala do Conselho da Prefeitura, na presença, entre outros, do cardeal arcebispo da cidade, Matteo Maria Zuppi, o purpurado questionou-se, referindo-se à realidade por ele vivida na Terra Santa: “Como conviver quando somos diferentes em origem, cultura, religião, memória e visão do futuro?
Como transformar um espaço habitado por muitos em uma comunidade?
Como fazer para que a diferença não se transforme em distância e que o conflito não se transforme em exclusão?” Em Bolonha, a profissão solene e a ordenação sacerdotal [ Read Also ] A capital da região italiana da Emília-Romanha está longe de ser desconhecida para o patriarca.
Em Bolonha, Pizzaballa viveu anos importantes de sua formação religiosa: na igreja de Santo Antônio, fez a profissão solene e, na catedral de São Pedro, foi ordenado sacerdote.
A cidadania honorária cria agora um vínculo de afeto ainda mais estreito, que deve ser cultivado, pois “ser cidadão significa pertencer a uma história, reconhecer laços e aceitar que isso acarreta uma responsabilidade.
Significa que um lugar, seu povo, seus esforços e suas esperanças nos dizem respeito”.
As cidades como “lugares concretos onde a convivência não é uma teoria”, como comunidades de pessoas que se reconhecem em uma história comum, onde “o futuro de uma diz respeito também à outra”. «Diálogo mesmo quando não concordamos» Dignidade da pessoa, respeito, diálogo, paz, responsabilidade para com quem sofre “são palavras - observou o cardeal Pizzaballa - que não pertencem a um lado específico.
São um terreno comum.
E talvez essa seja uma das coisas de que mais precisamos: não eliminar o que nos distingue, mas preservar o que nos permite permanecer como comunidade, mesmo quando discordamos”.
Quão grande é, então, o sofrimento, quão grande a frustração quando, como na Terra Santa, a convivência é colocada em risco todos os dias, quando a dor e o ódio parecem eliminar qualquer espaço para o diálogo.
Mas é justamente na Terra Santa, confidencia o purpurado, que “aprendi que o diálogo se torna particularmente necessário quando as razões para interrompê-lo parecem ser mais fortes do que aquelas para continuá-lo. [...] Significa continuar a reconhecer uma pessoa ali onde seríamos tentados a ver apenas um adversário”.
Atenção ao abuso da inteligência artificial [ Read Also ] À margem da cerimônia, Pizzaballa também falou sobre o abuso da inteligência artificial, que “faz parte da desumanização do outro”, pois “é muito mais fácil delegar certas decisões a um algoritmo”, um fato em relação ao qual “devemos nos questionar sobre responsabilidades éticas, procedimentos e cadeias de comando”.
Por sua vez, o cardeal Zuppi destacou o uso da IA em contextos de guerra: “Não se fala mais apenas de drones, mas também de algoritmos e, em muitos casos, isso é ainda pior, pois não há espaço para a piedade humana”.