“Preservar vozes e rostos humanos” é objetivo da comunicação sinodal - Vatican News via Acervo Católico

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“Preservar vozes e rostos humanos” é objetivo da comunicação sinodal - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O tema da Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais apresenta uma preocupação que a comunicação sinodal tem vindo a assumir: dar espaço à participação, preservando vozes e rostos. Recordamos aqui algumas vozes do podcast da Rede Sinodal em Portugal.

Rui Saraiva – Portugal Neste ano de 2026 assinalamos o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, no dia 31 de maio. O tema da Mensagem do Papa para essa celebração permite perceber que o atual ambiente das tecnologias de comunicação é um desafio enorme para a humanidade. Para além dos algoritmos e da inteligência artificial Um texto do Dicastério para a Comunicação salienta que “o futuro da comunicação deve garantir que as máquinas sejam ferramentas ao serviço e conexão da vida humana, e não forças que corroem a voz humana”. Esta nota que foi publicada no mesmo dia em que se ficou a saber o tema da Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, explica ainda que “nos ecossistemas comunicativos de hoje, a tecnologia influencia as interações de maneira nunca antes conhecida – desde os algoritmos que selecionam conteúdo nos feeds de notícias até à inteligência artificial que redige inteiros textos e conversas”. O comunicado do Dicastério para a Comunicação salienta que as novas ferramentas tecnológicas “não podem substituir as capacidades unicamente humanas de empatia, ética e responsabilidade moral”. “A humanidade hoje tem possibilidades impensáveis há apenas alguns anos. Contudo, embora essas ferramentas ofereçam eficiência e alcance, elas não podem substituir as capacidades unicamente humanas de empatia, ética e responsabilidade moral”, pode-se ler no texto do Dicastério para a Comunicação. Comunicação sinodal “no coração da esperança” Neste sentido, é possível assinalar que o tema da Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2026 apresenta uma preocupação que a comunicação sinodal tem vindo a assumir: dar espaço à participação, preservando vozes e rostos. Este é um evidente objetivo da comunicação sinodal, na escuta do concreto de cada ser humano, sem filtros e procurando a empatia. Para não deixar corroer ou adulterar a voz e o rosto de cada um. Para que cada um e uma tenha tempo e espaço para a participação e o encontro. Um exemplo desta comunicação sinodal que quer preservar vozes e rostos é o podcast “No coração da esperança” publicado no canal YouTube da Rede Sinodal em Portugal. Uma iniciativa promovida numa parceria absolutamente inédita em Portugal ao unir vários órgãos de comunicação social, em particular diocesanos: Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do Domingo. E ainda com espaço no Vatican News. Foram entrevistados os teólogos Tomáš Halík e João Duque, os sacerdotes Sérgio Leal, Paulo Terroso e Duarte Rosado, a médica Sílvia Monteiro, a jornalista Sónia Neves, a gestora Sofia Salgado e na entrevista do passado mês de dezembro o cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal. Num total de 11 episódios houve ainda tempo para uma edição extra com o biógrafo do Papa Francisco, Austen Ivereigh. Recordamos aqui algumas vozes do podcast da Rede Sinodal em Portugal. O milagre de mudar mentalidades O teólogo Tomáš Halík foi o primeiro entrevistado do podcast em dezembro de 2024. Afirmou que seria um milagre mudar a mentalidade de alguns clérigos. “Penso que mudar a mentalidade de algumas pessoas, especialmente, de alguns clérigos, seria uma maravilha, um milagre. Acreditamos em milagres, mas não os podemos manipular. Podemos rezar, podemos discutir sobre isso, mas não podemos manipular milagres. Por isso, para mudar a mente de algumas pessoas, seria realmente um milagre. Eu acredito em milagres, mas não podemos contar com isso”, apontou o teólogo checo. Só o amor abre caminho à esperança Em março de 2025, a entrevistada foi a médica Sílvia Monteiro, que pediu uma comunicação baseada em testemunhos de vida. E afirmou que “só o amor é que nos pode abrir caminho à esperança”. “Acho que todos, em conjunto, precisamos de melhorar a nossa comunicação. Para isso, precisamos de novas linguagens, novas estratégias. Precisamos de novos testemunhos de vida, muito inseridos no mundo de hoje, para podermos então, no fundo, comunicar de uma forma apaixonada as maravilhas do amor de Deus para nós. Penso que a nossa comunicação tem que, de alguma forma, tocar diretamente a vida concreta das pessoas. Não podemos falar para o abstrato. É fundamental ir ao concreto da vida. Claro que estamos em tempos muito difíceis, em tempos difíceis dentro da Igreja, no mundo. E às vezes apetece desanimar e parar. Acho que não é esse o tempo. E queria deixar aqui uma mensagem positiva. Acho que este é o tempo em que precisamos de sonhar, sonhar na construção desta nova forma de ser Igreja. Acredito que este é o tempo de percebermos que só o amor é que nos pode abrir caminho à esperança. Aquela esperança que nos abre caminhos de transcendência e, sobretudo, que nos dá a coragem para sairmos de nós próprios, para assumirmos a vida como um dom e para entregar esta vida por inteiro ao serviço da humanidade”, sublinhou Sílvia Monteiro. Sinodalidade é o método cristão de tomar decisões Foi em setembro de 2025 a entrevista ao padre Paulo Terroso, da arquidiocese de Braga. O sacerdote que pertence à Comissão de Comunicação da Secretaria Geral do Sínodo no Vaticano, afirmou que “a sinodalidade é o método cristão de tomar decisões”. “Ainda há pouco tempo eu falava de um determinado assunto que tinha sido abordado em Conselho Presbiteral e alguém dizia: “Mas bem, é um conselho meramente consultivo” – o meramente já me faz alguma confusão. Não perceber que a sinodalidade, ainda que o Conselho seja consultivo, é fazer que estes órgãos colegiais ou de consulta, se quisermos chamar assim, estes conselhos, entrem num processo de decisão. Ou seja, o processo de decisão tem um método e não é simplesmente: 'Eu escutei algumas coisas e isso não me vincula de algum modo’. Portanto, é ter processos, métodos de discernimento e processos para tomar decisões e depois de avaliar, aplicar essas decisões. Isso significa uma mudança de mentalidade e, portanto, envolver estes conselhos que podem ser pastorais, presbiterais, conselho de vigários, seja o que for, nesse método sinodal, que é um processo de tomar decisões. Se calhar, às vezes nós podemos dizer que a sinodalidade é o método cristão de tomar decisões. Ou seja, até usando três verbos muito caros à espiritualidade inaciana: procurar, encontrar e eleger a vontade de Deus. Procurar a vontade de Deus, encontrá-la e depois assumi-la como nossa. É isso que me pedes, é isso que eu quero para a minha vida, é isso que nós queremos para a vida da nossa comunidade. É isso que nós queremos para a vida da nossa Igreja. Tenho insistido muito nisto: é preciso itinerários, fazer itinerários, ou seja, colocar marcos e metas ou etapas a atingir e depois entrar num processo da vivência da sinodalidade na vida da Igreja. Isso é extremamente fundamental. Caso contrário estamos e continuamos no mundo da boa vontade. Não gostaria de aplicar isto à sinodalidade, muito menos à Igreja, mas como diz o nosso povo: de boas vontades está o nosso inferno cheio, ou de boas intenções”, disse o padre Paulo Terroso. Agradecer à Rede o trabalho que fazem Em dezembro de 2025 o entrevistado foi o cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal. Sublinhou a importância do caminho sinodal nas dioceses, paróquias e movimentos e agradeceu o trabalho da Rede Sinodal. “Em relação à Rede, agradecer o trabalho que fazem. Que ofereçam os sofrimentos para salvação do mundo, mas na certeza de que não é trabalho deitado fora. Pelo contrário. E acredito que estes caminhos das dioceses, das paróquias, dos movimentos… Estes caminhos, sendo caminhos de Deus, vão-se cruzar. A certa altura vão-se cruzar. Vai demorar mais, ou vai demorar menos tempo”, afirmou o cardeal. Com o podcast “No coração da esperança” a Rede Sinodal em Portugal vai continuar a procurar preservar vozes e rostos. Laudetur Iesus Christus

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