Provas incontestes do inventor do rádio

Provas incontestes do inventor do rádio
Fonte: VATICANO

A trajetória do Pe. Roberto Landell de Moura começa a ser redescoberta a partir de documentos, testemunhos e pesquisas que ajudam a iluminar a figura do sacerdote brasileiro cuja atuação ultrapassou os limites do ministério religioso e alcançou o campo da ciência e da inovação. O jornalista Ernani Fornari foi um dos primeiros a registrar de forma sistemática a vida e as experiências do padre-cientista. Sua obra inspirou posteriormente o jornalista paulista Hamilton Almeida.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano [ Audio Embed Ouça e compartilhe!] A trajetória do padre Roberto Landell de Moura ultrapassou os limites do ministério religioso e alcançou o campo da ciência e da inovação.

Registros históricos permitem reconstruir experiências realizadas por Landell ainda no final do século XIX e início do século XX, quando a transmissão sem fio começava a transformar o mundo das comunicações.

Uma notícia publicada pelo Jornal do Comércio, em junho de 1900, documenta uma demonstração realizada pelo sacerdote no alto de Santana, em São Paulo, diante do representante do governo britânico, P.

C.

Lupton, de sua família e de outras testemunhas.

Segundo o jornal,  Pe.

Landell apresentou aparelhos de sua invenção destinados a demonstrar fenômenos relacionados à propagação do som, da luz e da eletricidade “através do espaço, da terra e do elemento aquoso”.

O registro, preservado nas páginas da imprensa da época, constitui uma das peças documentais importantes para compreender a trajetória de um sacerdote que, em meio a dificuldades financeiras, incompreensão e sacrifícios pessoais, dedicou parte de sua vida à investigação científica e às possibilidades da comunicação sem fios.

Dando sequência a sua série de programas de resgate da memória do sacerdote-cientista gaúcho, Pe.

Gerson Schmidt* nos propõe hoje "Provas incontestes do invento do rádio":   [ Read Also ] "Ernani Fornari, é autor de livro antigo, de 1960, “O incrível Pe.

Landell de Moura – História Triste de um Inventor Brasileiro”, Editora Globo – Rio de Janeiro, Porto Alegre/São Paulo.

Este livro rendeu cinco novos livros escritos pelo jornalista paulista Hamilton Almeida, o mais dedicado biógrafo brasileiro do Padre Landel, há mais de 40 anos, autor além de vários livros, artigos inúmeros sobre a vida e obra do inventor, alguns já traduzidos para a Língua Inglesa e também em Alemão.

Lúcia Maria Landell de Moura, professora de biologia aposentada, é sobrinha-neta do padre Landell, tem acompanhado nosso resgate histórico do padre cientista e “demonstra a grandeza da alma, o magnanismo de nosso inesquecível tio-avô, que colocou sua vocação sacerdotal acima da fama como cientista, onde ele teria recebido, com certeza, o Prêmio Nobel de 1909, que foi dado a Marconi , por seu "telégrafo sem fio", que não transmitia a VOZ, como o RÁDIO do PADRE LANDELL|”, escreve num desabafo, querendo fazer jus à verdadeira história a ser melhor contata, resgatada e rebatizada.  Ainda diz assim a sobrinha-neta do inventor: “Nosso país perdeu uma grande oportunidade de receber esse destaque mundial na área do atual ‘wireless’ que tanto usufruímos hoje em dia!

Dessa descoberta fez derivar o sábio brasileiro as surpreendentes invenções, e a história desta terra, um dia, o consagrará, quando o tempo e os fatos justificarem o imenso mérito de suas obras maravilhosas”.

Ernani Fornari, diz assim no seu pioneiro livro científico: “Bem haja o grande físico-químico brasileiro, que deu ao estudo e à resolução dos mais profundos problemas físico-químicos o fruto inteiro de sua vida, e aos 39 anos de idade descobre novas leis relativas a esse fluido levíssimo que enche o espaço universal, enfeixando-as e ordenando-as com precisão matemática dentro de sua soberba e belíssima teoria, por ele mesmo denominada “telúrico etérea”, como resultado de seu assíduo estudo acerca da “unidade das forças físicas”.

Assim se expressa o autor: “​Seja-me permitido, agora, consignar nestas colunas os mui felizes resultados que obteve, faz seis meses, meu Rev. amigo Padre Landell, experimentando no alto de Sant’Ana, na presença do Cônsul britânico, Sr.

C.

P.

Lupton e outras muitas pessoas, diversos aparelhos de telefonia e telegrafia com e sem fios, tudo como constam das “várias” do “Jornal do Comércio”, do Rio, dos dias 10 e 16 de julho dêste ano – (ou seja 1900).

Mas quantos e que cruéis sacrifícios de tempo, de dinheiro e de saúde custam ao Rev.

Padre Landell as suas invejáveis conquistas científicas!

Já agora, cheios de ansiedade, dirigimo-nos imediatamente ao arquivo do “Jornal do Comércio” e, excitados, pusemo-nos a manusear a coleção relativa ao ano de 1900.

E lá estavam efetivamente, nos dias 10 e 16 de junho (não “de julho”, como consta do artigo), as “várias” citadas pelo entusiasta e indignado Dr.

Botet, confirmando o êxito das demonstrações científicas do padre, que, possivelmente por ser espanhol o correspondente dêsse jornal, em São Paulo (talvez o próprio Dr.

Botet), é mencionado apenas com o sobrenome materno: “Landell”. ​Assim está redigido texto do jornal, que é incosteste porque impresso e documentado: ​“No domingo próximo passado (*03 de junho de 1900), no alto de Sant'Ana, cidade de São Paulo, o Padre Roberto Landell fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção, no intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade, através do espaço, da terra e do elemento aquoso, as quais foram coroadas de brilhante êxito.

Estes aparelhos, eminentemente práticos, são, como tantos corolários, deduzidos das leis supracitadas.

Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, o Sr.

P.

C.

P.

Lupton, representante do Governo Britânico, e sua família”.

Pe.

Gerson Schmidt* – Jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS) responsável último por sete comunidades locais católicas do município.

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