As religiosas católicas que exercem a profissão jurídica em toda a África se reuniram em Nairobi, no Quênia, para a I Conferência Africana de Religiosas Católicas na Profissão Jurídica (CASILEP). Elas procuram reforçar a colaboração, a aprendizagem e o apoio profissional entre as irmãs, ao mesmo tempo em que servem às congregações através do ministério jurídico. Ao enfrentar os desafios fundamentais da Vida Consagrada, também promovem simultaneamente a justiça, a dignidade humana e o bem comum.
Christine Masivo Em Nairobi, no final de julho, mais de 100 católicos, religiosas especialistas em Direito Canônico e advogados de Direito Civil se reuniram para uma conferência histórica organizada pelas Religiosas Católicas na Profissão Jurídica (CASILEP) do Quênia.
Sob o tema “Testemunho profético das religiosas católicas em matéria canônica e civil”, a conferência procurou promover a aprendizagem, a criação de redes e a colaboração entre profissionais do Direito ao serviço das instituições eclesiásticas e da vida religiosa em toda a África.
Construir uma rede de justiça na Vida Consagrada A conferência reuniu religiosas que trabalham na área jurídica, com o objetivo de prestar apoio profissional e promover a justiça em questões que dizem respeito à Vida Consagrada e às sociedades de vida apostólica.
A iniciativa ganhou apoio da Association of Sisterhoods of Kenya (AOSK) e foi financiada pela Fundação Conrad N., lançada oficialmente em 10 de janeiro por dom Philip Anyolo, arcebispo de Nairobi.
A Ir.
Teresiah Muthoni, advogada do Supremo Tribunal do Quênia e principal investigadora, e a Irmã Eutropia Chao Mwakamba, advogada canônica e diretora da CASILEP, conversaram com o Vatican News, afirmando que os objetivos principais da conferência foram: promover uma cultura de colaboração e criar uma plataforma de networking entre as religiosas que, muitas vezes, prestam serviço de forma isolada em diferentes ministérios eclesiais, países e congregações.
Além disso, aprender com as experiências mútuas, identificar preocupações comuns e desenvolver formas práticas de se apoiar mutuamente nos respectivos ministérios. [ Photo Embed: Religiosas católicas que exercem a profissão jurídica (CASILEP) no Quênia] Responder aos desafios emergentes na vida religiosa A conferência foi útil em um momento em que os institutos religiosos de toda a África enfrentam desafios jurídicos, pastorais e administrativos cada vez mais complexos.
Os problemas identificados são a criação de novas missões em diferentes países, o cumprimento dos diversos ordenamentos jurídicos civis e a relação de gestão entre dioceses e congregações religiosas.
As irmãs Teresiah e Eutropia também observaram um número crescente de casos relacionados com a salvaguarda, incluindo preocupações com o abuso de poder, violações de direitos e conflitos entre membros individuais e a liderança das congregações.
A mediação e a reconciliação tornaram-se instrumentos importantes para restabelecer a relação e promover o diálogo entre os membros e as estruturas de liderança.
A conferência proporcionou um espaço para refletir sobre essas realidades e identificar respostas eficazes, enraizadas tanto na justiça como no cuidado pastoral. [ Photo Embed: Religiosas que frequentam um workshop] Sinodalidade e dignidade humana A Ir.
Teresiah afirmou que «a conferência refletiu sobre o apelo da Igreja à sinodalidade através da escuta, da colaboração e do discernimento compartilhado».
Através da sessão plenária e das mesas redondas, as religiosas analisaram como o Direito Canônico e os advogados civis podem trabalhar em conjunto a serviço da Igreja e da missão.
Foi dedicada especial atenção à salvaguarda, à responsabilidade e à tutela da dignidade humana. «Através da formação, da revisão das normas, do apoio à conformidade legal e da defesa de direitos, contribuem para reforçar as estruturas de governo no seio dos institutos religiosos, garantindo simultaneamente o respeito pelos direitos e pela dignidade de todas as pessoas», acrescentou Ir.
Eutropia.
Foi também explorado o modo como os profissionais do Direito podem apoiar as vítimas de abusos e a sua vulnerabilidade, salvaguardando os direitos de todas as partes envolvidas. «Proteger a dignidade humana continua sendo fundamental em qualquer processo jurídico no seio da Igreja», afirmou Ir.
Teresiah.
Colaboração e acesso à justiça «Esperamos que a conferência sirva de catalisador para a criação de redes católicas nacionais e regionais de religiosas advogadas em toda a África, permitindo que as irmãs advogadas colaborem de forma mais eficaz para além das fronteiras», desejou Ir.
Eutropia.
É uma forma de ajudar as congregações que trabalham em vários países a ter acesso a competências jurídicas e ao apoio de religiosas que estejam familiarizadas com o contexto civil e eclesiástico local para as religiosas.
A Ir.
Teresiah reiterou que as religiosas apresentaram as suas recomendações e um documento de reflexão coletiva que integrou as perspectivas dos oradores e dos delegados.
O recurso servirá de guia para os futuros ministérios jurídicos entre as religiosas católicas e contribuirá para a formação permanente sobre questões relativas à Vida Consagrada.
Enraizada no Evangelho e inspirada por uma missão partilhada, a CASILEP procura garantir que cada membro da Vida Consagrada seja ouvido, valorizado, protegido e capacitado para viver a sua vocação com dignidade e zelo ao serviço de Deus e do seu povo.