Uma nova tragédia atinge a mina na região congolesa de Kivu, sob o controle dos rebeldes do M-23. O balanço de vítimas pode aumentar, porque dezenas de pessoas estão desaparecidas. O incidente registrado na terça-feira (03/03) aconteceu cerca de um mês após outro desastre no local que matou pelo menos 300 pessoas.
Vatican News Mais de 200 pessoas morreram devido a um enorme deslizamento na mina de Rubaya, no leste da República Democrática do Congo. O desastre da última terça-feira (03/03) foi confirmado por fontes do governo de Kinshasa, na mina que se estende por várias dezenas de quilômetros quadrados e é controlada pelos milicianos do grupo rebelde M23. O local se encontra no território de Masisi, a cerca de 70 quilômetros a oeste de Goma, capital da conturbada província de Kivu do Norte. Balanço ainda provisório Teme-se, porém, que o balanço da tragédia possa ser muito mais elevado. Muitas pessoas continuam desaparecidas. Entre as vítimas confirmadas encontram-se também cerca de 70 crianças. Vários feridos, alguns em estado grave, foram transferidos para instalações médicas em Goma, de acordo com fontes do Ministério das Minas do país. O local — oficialmente administrado pela Société Minière de Bisunzu — é conhecido pela mineração artesanal, condições de trabalho perigosas e desastres naturais recentes, como o deslizamento de terra que, no final de janeiro deste ano, causou outras 300 vítimas. A cidade mineira de Rubaya, que fornece entre 15% e 30% da produção mundial de coltan - inteiramente extraído manualmente por habitantes locais que ganham poucos centavos por dia - caiu sob o controle do M23 em abril de 2024. Esse mineral, estratégico principalmente para a indústria eletrônica, está amplamente disponível na República Democrática do Congo, que se estima deter pelo menos 60% das reservas mundiais. Do coltan também se obtém o tântalo, um metal resistente ao calor utilizado para produzir semicondutores, componentes aeroespaciais, computadores, telefones celulares e turbinas a gás. A guerra na região Na tentativa de reconquistar a região mineira dos rebeldes, Kinshasa iniciou, em meados de fevereiro, uma vasta ofensiva conduzida por membros das milícias pró-governamentais Wazalando. Foram lançados uma série de ataques no território de Masisi, em direção às minas de Rubaya. Após a conquista das cidades de Kasenyi, Chugi e Kinigi, várias fontes locais confirmam o avanço dos Wazalendo em direção às aldeias de Runigi, Kabara, Kiruli e Kanyalu, a cerca de 10 quilômetros do local da mina. No entanto, a ofensiva militar provocou o deslocamento da população das áreas envolvidas. Temendo serem apanhadas no fogo cruzado, muitas famílias abandonaram suas casas, dirigindo-se para Ngungu, Bihambwe e Mushaki, ou atravessando a fronteira com a província vizinha de Kivu do Sul. A maioria dos deslocados fugiu sem conseguir levar consigo o mínimo necessário para sobreviver.