O sacerdote jesuíta Padre Julio Fernández Techera, em entrevista à mídia do Vaticano, fala sobre o enorme desafio proposto pela encíclica de Leão XIV, apresentada na universidade católica do Uruguai, neste sábado, 7 de novembro: "Devemos recordar-nos dos que estão no centro da criação e manter uma relação mais próxima com a sociedade civil, os mais necessitados e as instituições políticas".
Antonella Palermo - Enviada a Montevidéu O dinamismo que se sente logo, ao entrar na Universidade Católica do Uruguai, parte das suas paredes e vai ao estilo acolhedor com que os estudantes são recebidos.
Situada no bairro de Blanqueada, em Montevidéu, esta instituição cultural da capital, a primeira universidade privada do país, tem três Campus: além da capital, tem em Salto e outro em Punta del Este.
Oito mil calouros frequentam a instituição, que oferece uma ampla gama de cursos qualificados e diversificados: 40 cursos de graduação e 40 de mestrado.
Ali, o Papa Leão XIV manterá um encontro com o mundo da educação, na tarde deste sábado, 7 de novembro, antes de ir ao Estádio Centenário para a Vigília de oração. [ Photo Embed: O reitor da Universidade, Padre Julio Fernández Techera] O mistério da criação e o diálogo entre ciência e fé Obras de arte visuais e esculturais adornam vários espaços dentro do edifício: um afresco percorre toda a extensão da escadaria principal, apresentando figuras de animais em uma floresta noturna; uma grande pintura de arte contemporânea, no pátio onde o Papa vai aparecer, remete também a uma floresta, mas com cores explosivas e saturadas.
A capela é um exemplo claro de como a arte sacra pode ser criada, permanecendo totalmente presente, com uma máxima criatividade e escolhas cromáticas e estilísticas ousadas.
Mas, um espaço realmente surpreendente é o Salão Nobre, onde o Pontífice se encontrará com o mundo da educação uruguaia.
A sede papal situa-se sob a abóbada frontal: um azul-elétrico, que ilumina a visão e todos os sentidos, é coberto de estrelas douradas, que representam a brilhante e inconfundível constelação do Cruzeiro do Sul (a 7.000 anos-luz da Terra), tão querida pelos países do hemisfério sul.
Sua verdadeira peculiaridade é uma instalação suspensa, que reproduz a cadeia química do carbono, que representa o princípio da vida.
Uma criação do artista uruguaio, Carlos Musso, ex-aluno da mesma universidade, evoca, com sua "geometria sagrada", o mistério da criação.
Trata-se de uma espécie de expressão da união entre ciência e fé que, - segundo o Reitor, - é um dos desafios mais urgentes e fascinantes da atualidade.
Estudo da Magnifica Humanitas O sacerdote jesuíta, Padre Julio Fernández Techera, historiador de formação e reitor da Universidade, explicou à mídia vaticana: "Acredito que a Inteligência Artificial (IA) seja a maior revolução tecnológica da história, porque abrange tudo: arte, engenharia, direito e toda a nossa vida diária.
Eis porque a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão, reveste-se de grande importância, pois aborda um enorme desafio do nosso tempo e o modo de enfrentá-lo, sem esquecer a pessoa humana, que é o centro da Criação.
A encíclica foi publicada há apenas um ano da eleição do Papa Robert Prevost, e, portanto, muito oportuna e importante para o mundo universitário.
Este é o tema sobre o qual mais falamos aqui".
Padre Julio afirmou ainda que esta universidade está fortemente orientada para a promoção do bem comum.
Tudo isso em consonância com a visão de uma atividade acadêmica, sempre a serviço da sociedade, com a qual, devemos ter uma relação mais íntima".
Trata-se de criar alianças com os mais necessitados e com as instituições políticas, para que se possa produzir um conhecimento concreto, que não teme a dúvida, estimule o sentido crítico e dialogue com a cidade”.
Desafios da IA e a tutela do ser "pessoa" O Padre Julio Fernández Techera explica ainda: "Aqui, por exemplo, aumentamos o número de filósofos, que dialogam com os que vivem a própria fé.
Isso é muito importante".
O sacerdote jesuíta recorda depois que “a necessidade de transcendência nos mantém alertas para o fato de que usar a IA é uma forma de diálogo com uma coisa, não com uma pessoa”.
E conclui: "Um filósofo espanhol, que esteve aqui, em julho passado, explicou bem tudo isso: a ‘IA é uma coisa que pretende ser uma pessoa’.
Esta foi uma epifania para mim, pois devemos lembrar e aprofundar este campo de reflexão, à luz de uma fé encarnada”.
Traços deste ‘paradigma pedagógico’ da memória inaciana, que inspira a formação integral da pessoa, são evidentes e mais úteis do que nunca para nutrir o intelecto e a ação dos jovens, muitas vezes desorientados e desiludidos.