Cardeal Sebastião Leme conduziu a proclamação solene em 31 de maio de 1931, na então capital federal; Cardeal Orani Tempesta destaca a importância histórica e religiosa do acontecimento para a unidade do país
Alan Galvão de Paula (Assessor de Comunicação da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro) A cidade do Rio de Janeiro foi palco de um dos momentos mais importantes da história da Igreja Católica no Brasil.
Em 31 de maio de 1931, há 95 anos, Nossa Senhora da Conceição Aparecida era proclamada solenemente Padroeira do Brasil, em uma grande celebração presidida pelo então arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Sebastião Leme, que reuniu cerca de um milhão de pessoas na então capital federal.
A proclamação concretizou o reconhecimento oficial de uma devoção que já atravessava gerações de brasileiros.
O decreto havia sido assinado pelo Papa Pio XI em 16 de julho de 1930, após solicitação apresentada pelo episcopado brasileiro, por intermédio do Cardeal Sebastião Leme.
A cerimônia de 1931 marcou a leitura pública do documento pontifício e a confirmação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira principal da nação.
Na ocasião, a imagem original deixou o Santuário Nacional de Aparecida, pela primeira vez, para participar do acontecimento histórico no Rio de Janeiro.
Durante a celebração, foram acrescentadas ao manto da imagem as bandeiras do Brasil e do Vaticano, em referência ao reconhecimento da Padroeira pela Igreja e à sua missão junto ao povo brasileiro.
Uma devoção que atravessa a história do Brasil A história de Nossa Senhora Aparecida teve início em 1717, quando três pescadores encontraram a imagem de Nossa Senhora da Conceição nas águas do Rio Paraíba do Sul, na região que hoje corresponde ao município de Aparecida, no interior de São Paulo.
A partir daquele encontro, a devoção cresceu e se tornou uma das mais expressivas manifestações da fé católica no país.
Para o Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, a proclamação de 1931 recorda também o papel desempenhado pela Igreja na construção dos vínculos de unidade entre os brasileiros. “O decreto do Santo Padre, emitido meses antes, foi concretizado aqui no Rio de Janeiro, sede da presidência e capital do Brasil na época.
Nesse dia, recordamos como as coisas ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO se manifestam de maneira bastante simples: uma imagem quebrada em dois pedaços no fundo de um rio tornou-se um sinal do nosso país, que não tinha outra unidade, a não ser justamente a Igreja e sua devoção a Nossa Senhora Aparecida”, afirma o cardeal.
O Arcebispo recorda ainda que as imagens marianas expressam a presença de Maria, Mãe de Jesus, na vida e na devoção dos povos, cada qual com suas particularidades culturais e históricas.
No Brasil, Nossa Senhora Aparecida ocupa lugar especial nessa relação de fé, marcada pela simplicidade de sua origem e pela confiança de milhões de devotos. “Aqui no Rio, nós temos muitas paróquias, igrejas e capelas dedicadas a Nossa Senhora Aparecida.
Pedimos que, pela intercessão de Maria, que se manifestou na simplicidade ao povo brasileiro, Deus nos conceda dias de paz e fraternidade”, conclui Dom Orani.
Do Rio de Janeiro para todo o Brasil A história da Padroeira continuou a ganhar novos capítulos ao longo das décadas.
Em 1980, durante a primeira visita do Papa São João Paulo II ao Brasil, o dia 12 de outubro foi instituído como feriado nacional em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.
Atualmente, o Santuário Nacional, em Aparecida (SP), recebe milhões de peregrinos que recorrem à intercessão da Mãe de Jesus para agradecer, renovar a fé e apresentar suas intenções.
Ao recordar os 95 anos da proclamação, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro destaca a importância histórica da celebração realizada na cidade e renova o convite à oração pela paz, pela fraternidade e pela unidade do povo brasileiro.