Ruffini: “Não delegar a segurança à IA. É preciso responsabilidade e transparência”

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Ruffini: “Não delegar a segurança à IA. É preciso responsabilidade e transparência”
Fonte: VATICANO

O Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, fez um discurso durante um seminário sobre o tema da inteligência artificial (IA) aplicada à cadeia de abastecimento de suprimentos, promovido pela Ordem dos Engenheiros da Província de Roma e a Fundação da Ordem dos Engenheiros de Roma: "O produto da comunicação é a informação, que nunca deve ser separada da atenção pelos outros".

Vatican News "Em um mundo onde as tecnologias se tornam cada vez mais poderosas e as nossas interdependências cada vez mais profundas, a segurança não deve ser, simplesmente, a proteção de nossos sistemas.

Pelo contrário, deve se tornar uma responsabilidade compartilhada, que torne cada risco visível, mensurável e gerenciável": foi o que Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação, disse aos participantes em seu discurso de boas-vindas na manhã desta quinta-feira, 1° de outubro, durante o seminário sobre o tema “Supply Chain & AI Risk”.

O encontro, promovido pela Ordem dos Engenheiros da Província de Roma e a Fundação da Ordem dos Engenheiros de Roma, realizou-se no Salão São Pio X.

Ruffini: “A tecnologia precisa de transparência e confiança” Paolo Ruffini reconheceu a “particular atualidade” do tema, objeto de uma articulada reflexão também na Carta Encíclica ‘Magnifica humanitas’ de Leão XIV.

E explicou: “Vivemos em um mundo cada vez mais caracterizado por sistemas interconectados, tanto que nenhuma organização possa ser considerada isolada ou autossuficiente”.

E acrescentou: “Nossas infraestruturas digitais são compostas, certamente, por redes, plataformas, aplicativos e dados, mas também por relações e dependências: fornecedores, parceiros, serviços externos, tecnologias e, cada vez mais, sistemas de Inteligência Artificial".

Enfim, falar de uma "cadeia de suprimentos", segundo Ruffini, significa falar de "transparência e confiança": trata-se de uma confiança que, no entanto, não pode ser cega e tampouco simplesmente delegada à tecnologia, ainda mais quando confrontada com áreas de opacidade algorítmica".

Propender-se para o outro e a verdade Paolo Ruffini afirmou ainda: "Na indústria da comunicação também há uma cadeia real de suprimentos, mas o 'produto' não é uma mercadoria física e sim informação, conteúdo, atenção do público".

Trata-se de uma atenção que, como Leão XIV citou em sua Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2027, não deve ser "capturada".

E o Prefeito do Dicastério para a Comunicação concluiu: "A economia da atenção, com a sua luta por alguns momentos de interesse no fluxo rápido e interminável de conteúdo, está transformando não apenas nossas habilidades cognitivas, mas também a profundidade da nossa comunicação interpessoal.

A falta de atenção verdadeira, alimentada pela cultura digital, levou-nos a uma rotina de reações imediatas, relacionamentos superficiais e a uma facilidade de rotular e rejeitar os outros.

A atenção, no entanto, é uma forma preciosa de generosidade, pois, a atenção vem do protender, ou seja, estender a mão ao outro e à verdade".

Capacidade de governar a IA Por sua vez, para o responsável diretor da Direção de Tecnologia do nosso Dicastério, Francesco Masci, “a questão não é mais se vamos utilizar a Inteligência Artificial, mas como a vamos utilizar e, sobretudo, se seremos capazes de a governar. “Toda nova capacidade que introduzimos, - disse ainda Francesco Masci, - pode se tornar uma nova dependência e, portanto, um novo risco.

Enfim, devemos contribuir para compor organizações capazes de compreender, governar e assumir a responsabilidade pelas tecnologias que utilizam".

Por outro lado, Paolo Reale, conselheiro da Ordem dos Engenheiros da Província de Roma, afirmou: “A IA permeou o ambiente de trabalho a ponto de apoiar, efetivamente, os humanos na defesa de redes e infraestruturas”.

E acrescentou: “Ao mesmo tempo, a IA também pode ser um poderoso instrumento de ataques informáticos.

Assim, a humanidade poderá ser, simplesmente, uma espectadora em um confronto entre "IA defensiva e IA ofensiva".

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