Na Conferência de revisão da Convenção sobre munições de fragmentação, em andamento em Vientiane, no Laos, o arcebispo Balestrero exorta a comunidade internacional a colocar a pessoa no centro. Preocupação com o uso contínuo dessas armas e o número crescente de vítimas civis. A assistência, ressalta ele, deve incluir também o apoio psicológico, social, religioso e espiritual
[ Audio Embed Ouça e compartilhe] Vatican News A Convenção sobre munições de fragmentação permitiu alcançar “avanços significativos”, contribuindo para salvar muitas vidas, mas o legado mortal dessas armas continua a atingir pessoas inocentes mesmo muito tempo após o fim das hostilidades.
Esse é o alerta lançado esta quarta-feira, 16 de setembro, pelo arcebispo Ettore Balestrero, chefe da delegação da Santa Sé na Terceira Conferência de Revisão da Convenção sobre Munições de Fragmentação, reunida em Vientiane, no Laos.
A preocupação com o uso contínuo das munições [ Read Also ] Ao intervir na sessão dedicada à assistência às vítimas, Balestrero reiterou a “profunda preocupação” da Santa Sé com o uso contínuo de munições de fragmentação e com o número crescente de civis que sofrem as consequências disso. “Não há tempo a perder”, afirmou o arcebispo, “precisamente porque toda vida humana tem um valor inestimável, seja a de um soldado, de um civil, de uma mulher ou de uma criança, pois é uma dádiva de Deus”.
A Santa Sé, prosseguiu o arcebispo, está ao lado de todos os que foram atingidos e se empenha para que “não se sintam sozinhos” e para que seu sofrimento “não passe despercebido nem seja esquecido”.
Um compromisso que abrange não apenas as pessoas diretamente feridas pelas munições, mas também suas famílias e comunidades.
A própria Convenção, lembrou Balestrero, adota de fato uma definição ampla de vítimas e exige que os Estados signatários lhes garantam assistência adequada.
A pessoa no centro da assistência No centro da intervenção do representante pontifício está, sobretudo, a necessidade de uma abordagem integral. “Preservar a vida em todas as suas fases e criar as condições para uma existência digna da pessoa humana está no cerne da assistência humanitária”.
Por isso, explicou ele, é fundamental continuar colocando a pessoa no centro das intervenções destinadas às populações afetadas.
A delegação da Santa Sé acolheu, portanto, com satisfação a crescente atenção dedicada à saúde mental e ao apoio psicossocial.
A isso deve somar-se também o acompanhamento religioso e espiritual das vítimas e de suas famílias, aspectos que — observou Balestrero —, no passado, foram frequentemente negligenciados.
A assistência não pode, portanto, limitar-se à concessão de ajuda econômica: deve oferecer às pessoas os instrumentos necessários para que se tornem protagonistas de seu próprio “desenvolvimento humano integral”.
Ouvir a voz das vítimas [ Read Also ] Outro ponto central é o da participação.
O espírito da Convenção, lembrou o arcebispo, baseia-se na colaboração e na cooperação, que, no entanto, devem se desenvolver no respeito aos valores e às culturas dos povos envolvidos.
Por isso, é fundamental que os Estados-partes ouçam diretamente a voz das vítimas e as envolvam plenamente na implementação dos compromissos assumidos.
Balestrero, por fim, citou as palavras do Papa Leão XIV na Magnifica humanitas: “Dar espaço, na informação e na educação, ao olhar e à voz das vítimas ajuda a tomar consciência, de fato, do abismo do mal contido na guerra e, em geral, em toda forma de violência”.
Ouvir essas vozes, prossegue o Pontífice na passagem citada pelo chefe da delegação do Vaticano, ajuda “a não aceitar como normal a lógica do conflito; a não desviar o olhar quando ocorre uma afronta à dignidade humana; e a devolver às pessoas afetadas a dignidade de serem reconhecidas e ouvidas”.
Um envolvimento que, concluiu Balestrero, é indispensável para que suas necessidades encontrem respostas adequadas e seus direitos sejam efetivamente protegidos.