Foi apresentado nesta quinta-feira, 17 de setembro, na Universidade Sapienza de Roma, o primeiro volume dedicado às escavações arqueológicas na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém. Francesca Romana Stasolla, diretora das investigações, falou à mídia vaticana sobre um projeto de pesquisa conduzido em estreita colaboração com as comunidades que habitam o local: "Estamos reconstruindo uma história coletiva e, como tal, ela deve ser restituída."
Paolo Ondarza – Vatican News Um lugar multifacetado, onde quase três mil anos de história se entrelaçam com a memória cristã, a vida das comunidades e as liturgias celebradas diariamente.
Realizar escavações arqueológicas dentro da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém significa lidar com essa complexidade, buscando constantemente um equilíbrio entre as exigências da pesquisa e as de um lugar vivo.
Essa experiência é bem descrita por Francesca Romana Stasolla, professora titular de Arqueologia Cristã e Medieval, diretora do Departamento de História Antiga da Universidade Sapienza de Roma e diretora das escavações como arqueologia "negociada".
O método, os protagonistas e os resultados iniciais são descritos em "Projeto Hagia Polis: Escavações no Santo Sepulcro em Jerusalém", o primeiro volume dedicado às investigações realizadas na Basílica, apresentado na quinta-feira, 17 de setembro, na Universidade Sapienza de Roma.
O livro, que inaugura uma série de publicações destinadas a explorar em ordem cronológica as diversas fases que emergiram da escavação, reúne contribuições de mais de quarenta estudiosos e representa os primeiros resultados de um trabalho ainda em andamento.
As escavações no interior da Basílica foram concluídas em outubro de 2025, mas o estudo dos materiais, da documentação e a pesquisa em bibliotecas e arquivos continuam. [ Photo Embed: Descobertas arqueológicas] Pesquisa nascida da partilha O projeto arqueológico faz parte de um projeto mais amplo de restauração do piso e renovação da infraestrutura da Basílica, encomendado pelas três principais comunidades do Santo Sepulcro: o Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém, a Custódia da Terra Santa e o Patriarcado Armênio de Jerusalém.
A escavação arqueológica foi confiada a uma equipe da Universidade Sapienza e do Departamento de História Antiga.
Essa gênese, enfatiza Stasolla, é o que o primeiro volume busca transmitir em toda a sua complexidade, começando significativamente com apresentações de representantes das instituições envolvidas.
Uma arqueologia "negociada" para contar a História de Jerusalém A partilha, contudo, não se limitou à organização do trabalho.
Tornou-se parte integrante do método. "Trabalhar num lugar como o Santo Sepulcro", explica Stasolla, "significa trabalhar num lugar não só rico em camadas históricas", mas também partilhado por diferentes ritos, práticas, culturas e crenças.
Daí a ideia de uma arqueologia negociada, chamada a se engajar continuamente com as demandas com as quais deve conviver, identificando soluções metodológicas capazes de viabilizar a pesquisa em um contexto complexo do ponto de vista arqueológico e histórico, mas também humano e cultural. [ Photo Embed: A Basílica do Santo Sepulcro] Um elemento, em particular, não poderia ser negligenciado: a oração. "O respeito por todas as liturgias", enfatiza a arqueóloga, "foi a pedra angular desta pesquisa".
Isso foi possível graças à "profunda partilha" com as comunidades que habitam o Santo Sepulcro e à busca mútua pela compreensão de uma realidade tão singular.
Fazer arqueologia na complexidade O projeto teve início em 2019, enquanto a escavação propriamente dita começou em maio de 2022 e terminou em outubro de 2025.
Ao longo dos anos, a equipe viveu e trabalhou quase ininterruptamente em Jerusalém e, mesmo após a conclusão da escavação, continua presente na cidade para estudar os materiais e a documentação, bem como para trabalhar nas bibliotecas e arquivos. [ Photo Embed: As pesquisas] Uma experiência inevitavelmente marcada pela complexidade da história contemporânea.
Stasolla recorda que o grupo deixou Jerusalém por um mês após 7 de outubro de 2023 e por alguns meses após fevereiro de 2026.
Para os pesquisadores, especialmente os mais jovens, viver na cidade durante esses anos significou confrontar "realidades complexas", não apenas profissionalmente, mas também "pessoal e humanamente".
Um banho ritual da época de Jesus encontrado perto do Getsêmani Mas o que esses anos de escavação revelaram, antes de tudo?
Mais do que uma simples descoberta, Stasolla aponta para uma consciência que se desenvolveu gradualmente por meio da pesquisa: a de poder observar e reconstruir uma longa parte da história de Jerusalém, da Idade do Ferro à era contemporânea.
É essa profundidade temporal que reposiciona o Santo Sepulcro dentro da história da cidade. "Este lugar, o mais importante dos memoriais cristãos, é filho dessa cidade e faz parte dela", observa a arqueóloga. "Não podemos pensar em Jerusalém sem a longa história do Santo Sepulcro, mas também não podemos pensar no Santo Sepulcro como algo que não esteja intrinsecamente ligado à história de Jerusalém." Essa relação indissociável é um dos aspectos mais importantes e fascinantes de toda a experiência de pesquisa, considera Stasolla. [ Photo Embed: As investigações realizadas na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém] Uma história a ser recuperada O livro representa, portanto, um marco, não um ponto de chegada.
Foi precedido por relatórios anuais publicados no Liber Annuus, revista do Studium Biblicum Franciscanum, enquanto os volumes subsequentes seguirão uma ordem cronológica e abordarão detalhadamente as diversas fases da escavação.
A dimensão científica, contudo, vem acompanhada de uma responsabilidade que, nas palavras de Stasolla, diz respeito ao próprio significado do trabalho do arqueólogo. "Como arqueólogos, reconstruímos a história por meio de evidências materiais, mas sempre temos consciência de que se trata de uma história coletiva e, como tal, deve ser restituída." Essa restituição deve assumir muitas formas, desde a publicação científica até a divulgação.
Junto com as comunidades do Santo Sepulcro, a equipe também está desenvolvendo possíveis maneiras de valorizar as descobertas e diferentes formas de contar essa história.
O primeiro volume torna-se, assim, o resumo inicial de um esforço colaborativo. "Tive a honra e a alegria de dirigir esta escavação arqueológica", conclui Stasolla, nomeada membro da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra por Leão XIV em março passado, "mas obviamente represento uma equipe muito grande de arqueólogos", juntamente com estudiosos de outras disciplinas.
Essa diversidade de competências e experiências reflete a própria complexidade do Santo Sepulcro: um lugar onde a pesquisa arqueológica encontra uma história milenar, diversas comunidades e uma memória cristã vibrante.