Sexta-feira da Paixão: a Salvação passa pelo sofrimento - Vatican News via Acervo Católico

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Sexta-feira da Paixão: a Salvação passa pelo sofrimento - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Em Jesus Cristo, sofrimento e amor caminham juntos. Por isso a Cruz do Sacrifício de Jesus Cristo não é estéril. Também o nosso sofrimento por causa do amor, fruto da fé, alimentado pela esperança, não é inútil.

Dom Antônio de Assis Ribeiro, SDB - Bispo da Diocese de Macapá Hoje, Sexta-feira Santa, a Igreja celebra a paixão e morte do Senhor. Fazemos memória dos mais dramáticos fatos ocorridos com Jesus Cristo: ele foi traído, preso, apressadamente julgado, condenado à morte, torturado, humilhado publicamente e crucificado como criminoso (cf. Mc 14,53-65. 15,1-15; Mt 27,11-57; Jo 18,1-19). Paixão quer dizer o profundo Amor que motivou Jesus a abraçar a Cruz, enfrentando o sofrimento pela salvação da humanidade. Em Jesus Cristo, sofrimento e amor caminham juntos. Por isso a Cruz do Sacrifício de Jesus Cristo não é estéril. Também o nosso sofrimento por causa do amor, fruto da fé, alimentado pela esperança, não é inútil. Jesus é vítima de uma enorme soma de pecados: o fanatismo religioso, a idolatria da lei, a arrogância das lideranças, a indiferença política (Pilatos lava as mãos), a ignorância popular (é trocado por um malfeitor!), a falta de fé que gerou a negação da sua identidade. Todo assassinato é sempre consequência de uma série de pecados e, quase sempre, há o envolvimento direto ou indireto de outros sujeitos. Também a sociedade em que Jesus viveu estava sob a cultura de uma forte inversão de valores. Também nela se expressava a cultura da morte, em parte proveniente da frieza do legalismo que desprezava a dignidade humana. Mas Jesus não foi só vítima da maldade humana. Ele é também o Bom Pastor que dá livremente a sua vida por suas ovelhas! A salvação passa pelo mistério da Cruz, pelo sangue derramado voluntariamente. Ele mesmo declarou: “Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha própria vontade. Tenho o direito de dá-la e de tornar a recebê-la, pois foi isso o que o meu Pai me mandou fazer” (Jo 10,18). Se Jesus de Nazaré tivesse sido puramente vítima, onde estaria o mistério e a gratuidade do amor divino? Foi justamente isso que afirmou a Nicodemos: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). De fato, sendo vítima inocente, se fez oferta, como Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas (cf. Jo 10,11), como grão de trigo que morre, se transforma e relança a  força da vida (cf. Jo 12,24). O sofrimento de Jesus é mistério de obediência ao Pai. “Não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22,42; cf. Jo 6,38). Quem nos Ama autenticamente pode também nos pedir algo dramático, doloroso, difícil... mas será sempre pelo bem de outros. Ao contrário, a obediência por prazer e capricho, é vazia de sentido.   A cruz para Jesus, muito mais que um mero instrumento sob o qual padeceu, foi o ápice da sua fidelidade, da sua missão abraçada até às últimas consequências: “Tendo amado os seus que estavam no mundo amou-os até o fim!” (Jo 13,1). Todos começam, mas nem todos chegam até o fim com a mesma predisposição e generosidade, limpidez de coração e firmeza de ânimo. Na Sexta-Feira Santa somos chamados a contemplar Jesus Cristo o mestre perfeito da perseverança e da fidelidade. Seus gritos de dor e as quedas carregando a cruz no caminho do Calvário nos estimulam e nos educam porque também sofremos com nossas cruzes. Mas Ele não foi arrastado pelo vazio da solidão e declarou: “eu não estou só, pois o Pai está comigo” (Jo 16,32). A profunda vida espiritual reaviva em nós também essa mesma convicção quando passamos por duras provações. Nunca estamos sozinhos! Ao enviar seus discípulos os advertiu: “E lembrem-se disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). A celebração da Paixão de Jesus Cristo, com toda a dura narração da traição, prisão, condenação, tortura, crucificação e morte, só pode ser compreendida na perspectiva da Ressurreição e da glória. Para Deus o sofrimento tem uma finalidade. Olhemos para o sofrimento na perspectiva da glória, assim foi a vida de Jesus. A palavra final não foi a da cruz, mas a da glória.   O sofrimento pode ser ressignificado quando somos movidos pela fé, alimentados pela esperança, confortados pela consciência do bem-feito. Quando isso acontece, essa experiência pode nos purificar, engrandecer, educar, converter, santificar... Enfim, quais valores a liturgia da Palavra, da celebração de hoje, nos coloca em evidência? O PERDÃO: perdoar as ofensas, calúnias, injustiças, desprezos, solidão... Jesus morre perdoando seus algozes! A ESPERANÇA: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”... a última palavra é de Deus que é todo-poderoso! Quem ama perdoa e a quem muito foi perdoado, deve amar! PERSERVERANÇA E FIDELIDADE: Jesus foi provado e perseverou na fidelidade! A passagem por provações gera a nossa perseverança e a perseverança no Bem produz a fidelidade comprovada (cf. Tg 1,1-3).  

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