Silêncio e contemplação: a Santa Sé na Bienal de Veneza - Vatican News via Acervo Católico

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Silêncio e contemplação: a Santa Sé na Bienal de Veneza - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Foi apresentado na manhã desta segunda-feira (27/04), no Vaticano, o Pavilhão da Santa Sé na 61ª Mostra Internacional de Arte da Bienal de Veneza, que que será realizada de 9 de maio a 22 de novembro de 2026. São 24 os artistas participantes, inspirados por Santa Hildegarda de Bingen, sob o tema «O ouvido é o olho da alma» . Serão dois locais: o Jardim Místico dos Carmelitas em Cannaregio e o Complexo de Santa Maria Auxiliadora em Castello.

Eugenio Murrali e Paolo Ondarza - Vatican News Uma oração sonora, construída em torno da categoria da escuta e inspirada na obra e na figura da santa e doutora da Igreja, Hildegarda de Bingen. Trata-se do Pavilhão da Santa Sé na 61ª Mostra Internacional de Arte – A Bienal de Veneza. No que o cardeal José Tolentino de Mendonça — comissário do Pavilhão e prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação — definiu como “um observatório do mundo”, servirão de bússola as palavras do Papa Leão XIV, que, ao invocar a paz, durante a oração do terço do último dia 11 de abril, disse: “precisamos não nos deixar arrastar pela aceleração de um mundo que não sabe o que persegue, para voltarmos a servir o ritmo da vida, a harmonia da criação, curando as suas feridas”. A participação da Santa Sé na Bienal, acrescentou o cardeal, “será uma oportunidade para uma imersão na contemplação, na escuta. Da interioridade, que é uma dimensão importante, esperamos que nasçam frutos de paz, encontro e futuro”. Em um mundo atravessado por conflitos e tensões, a arte pode fazer muito: “precisamos que sejam os artistas a falar. Devemos ouvi-los como profetas. A arte nos oferece novas visões do mundo”, observou Tolentino De Mendonça. Um convite ao ritmo lento e à contemplação Desacelerar, ouvir, contemplar, preservar são termos-chave para o Pavilhão da Santa Sé, “O ouvido é o olho da alma”, apresentado na manhã desta segunda-feira (27/04) na Sala de Imprensa da Santa Sé, com curadoria de Hans Ulrich Obrist e Ben Vickers. Para o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, “nosso tempo precisa de novos mestres e o perfil polifônico de Hildegarda pode nos ajudar como antídoto contra a exasperação das monodias, inspirando-nos na gestação de novas visões” e levando-nos a conhecer uma “língua desconhecida”. Ou seja, “uma força imaginativa que estimula paradigmas sociais cada vez mais inclusivos e que motiva práticas comunitárias e fraternas”. O projeto inspira-se nos cantos, nos escritos e nas imagens visionárias da mística e abadessa beneditina, especialista em ciências naturais, canonizada em 2012 por Bento XVI. “Uma figura que pode parecer distante — afirmou De Mendonça —, por ser uma mística do século XII, mas que possui uma voz fortemente contemporânea, capaz de iluminar os questionamentos e os caminhos do presente”. Um projeto de longa duração e continuidade Uma harmonia de correspondências e sinestesia entre os locais e as criações de 24 artistas no Jardim Místico dos Carmelitas Descalços, no bairro veneziano de Cannareggio, e no Complexo de Santa Maria Auxiliadora, no bairro de Castello, já protagonista do Pavilhão da Santa Sé na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de 2025, Obra aberta, com projeto arquitetônico de Tatiana Bilbao Estudio e Maio Architects. Essa continuidade, como destacou o curador Obrist, é uma forma de dar continuidade e ampliar um percurso, inclusive sob uma ótica sustentável, sem desmantelar o trabalho anterior. Uma experiência holística Para Obrist, um projeto que se construiu ao longo do tempo, de forma subterrânea, até mesmo em sua biografia, desde quando, ainda criança, visitou com os pais o mosteiro de San Gallo, até quando se deparou, em vários momentos, com a herança cultural da mística: “para Hildegarda, o som era uma forma de conhecimento. A música torna-se um elo entre o ser e o mundo, entre microcosmo e macrocosmo”, observou o curador, enfatizando a experiência holística que os visitantes poderão vivenciar.  Precisamos reaprender a ouvir; a esperança de Obrist é que o Pavilhão da Santa Sé seja uma ajuda para alcançar esse objetivo.  Hildegarda, ponte entre o céu e a terra Para o outro curador, Ben Vickers, Hildegarda serve de exemplo, pois sabia conectar o céu e a terra por meio do canto, ensinando também a importância primordial da escuta. O Soundwalk Collective teve um papel central na construção da primeira parte do Pavilhão, no Jardim Místico, onde novas obras sonoras de músicos, poetas e artistas contemporâneos dialogam com o legado de Hildegarda por meio da voz, dos instrumentos e do silêncio. Ao adentrar o Jardim Místico, um espaço precioso de contemplação, geralmente inacessível, inspirado em O Castelo Interior de Santa Teresa de Ávila, o visitante pode ouvir, graças a fones de ouvido, as composições dos artistas: Patti Smith, Brian Eno, Jim Jarmusch, Meredith Monk, as monjas beneditinas da Abadia de Santa Hildegarda de Eibingen e muitos outros. Mergulhando assim nos sons do lugar com um instrumento criado pelo Soundwalk Collective para perceber em tempo real a voz da natureza, mas também “o próprio espaço interior”, como observou Simone Merli, do coletivo. “Uma experiência imersiva”, destaca Merli: “o Jardim Místico é um lugar um tanto secreto, mas muito querido pelos venezianos. Os Carmelitas nos deram essa bela oportunidade de coexistir com sua vida cotidiana”. Hildegarda e Teresa, guias para a alma Silêncio, beleza, zelo por Deus, contemplação: foram essas as palavras com que o Pe. Ermanno Barucco, da Ordem dos Carmelitas Descalços, falou sobre o Jardim Místico de Veneza, onde se concretiza a colaboração com a Santa Sé, abrindo caminho para uma experiência que irá em profundidade. “Imagino Hildegarda e Teresa que, com suas características distintas, acompanham as pessoas no jardim místico de suas almas, onde Deus habita. Essas duas santas nos ensinam a cuidar dos outros. O silêncio nos obriga a ouvir nosso interior, a ouvir nossa consciência e a nos perguntar se estamos construindo um mundo bom e belo para todos.” A escuta, caminho para a compreensão da caritas divina O complexo de Santa Maria Auxiliadora se tornará, por sua vez, um scriptorium contemporâneo — aquele lugar onde outrora se copiavam e iluminavam os livros — articulado em três formas: um arquivo vivo, a obra final de Alexander Kluge e a liturgia sonora das monjas da abadia de Eibingen. No arquivo, organizado em colaboração com a Ir. Maura Zátonyi e a Academia de Santa Hildegarda, os visitantes encontrarão uma biblioteca de textos hildegardianos, os livros de artista de Ilda David e um novo projeto arquitetônico monástico do Tatiana Bilbao Estudio. A obra de Alexander Kluge — personalidade de talento multifacetado a quem se deve também o título do pavilhão — foi concluída pelo artista antes de sua morte, em março de 2026, e consiste em uma instalação monumental de filmes e imagens dividida em doze estações, distribuídas por três ambientes de acordo com a lógica industrial da restauração em andamento do edifício. O Pavilhão é dedicado à memória de Kluge e a Koyo Kouoh, diretora do setor de artes visuais da Bienal, falecida no ano passado. A experiência auditiva que o visitante viverá oferecerá um caminho de compreensão e reconexão profunda com a caritas divina. A criação, como ato de amor Porque, como escreveu Bento XVI na carta apostólica que acompanhou a proclamação de Santa Hildegarda como doutora da Igreja, “a criação é um ato de amor, graças ao qual o mundo pode emergir do nada: portanto toda a escala das criaturas é atravessada, como a torrente de um rio, pela caridade divina. Entre todas as criaturas, Deus ama de modo particular o homem e confere-lhe uma extraordinária dignidade, doando-lhe aquela glória que os anjos rebeldes perderam”.

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