Acordo entre Rússia e Ucrânia entrou em vigor em 27 de outubro, após esforços diplomáticos com participação dos Estados Unidos e apelos do Papa Leão XIV. Depois de dias de preparação e desminagem, uma missão humanitária começou a chegar à cidade ocupada, onde cerca de 2 mil pessoas enfrentam escassez de alimentos, medicamentos e água potável.
Vatican News A evacuação humanitária de Oleshky teve início nesta sexta-feira, 30 de outubro.
Os comissários de direitos humanos da Rússia e da Ucrânia anunciaram a medida, citando agências de notícias de ambos os países.
Segundo o primeiro-ministro ucraniano, Sergii Koretskyi, espera-se que 527 moradores da cidade — atualmente sob ocupação russa — retornem ao território ucraniano.
Acordo entre Rússia e Ucrânia entrou em vigor em 27 de outubro, após esforços diplomáticos com participação dos Estados Unidos e apelos do Papa Leão XIV.
Depois de dias de preparação e desminagem, uma missão humanitária começou a chegar à cidade ocupada, onde cerca de 2 mil pessoas enfrentam escassez de alimentos, medicamentos e água potável.
A trégua humanitária na cidade de Oleshky, na região de Kherson, no sul da Ucrânia, entrou em vigor às 3h da madrugada de 27 de outubro, no horário de Kiev.
O acordo, firmado entre Ucrânia e Rússia, prevê a suspensão temporária das operações militares em uma área delimitada, permitindo a entrada de ajuda humanitária e a retirada de civis que desejam deixar a localidade, ocupada pelas forças russas desde os primeiros dias da invasão em fevereiro de 2022.
A iniciativa representa um raro entendimento entre Moscou e Kiev em meio à continuidade da guerra.
A negociação contou com a mediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e com a participação de autoridades responsáveis pelos direitos humanos dos dois países.
O Papa Leão XIV também teve um papel de incentivo diplomático, ao conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pedindo que ambos colaborassem para permitir a entrada de alimentos e medicamentos e garantir a evacuação segura da população civil.
A situação em Oleshky havia se deteriorado profundamente.
Antes da guerra, a cidade tinha aproximadamente 24 mil habitantes.
Atualmente, estima-se que restem entre 1.700 e 2 mil pessoas, incluindo idosos, crianças e pessoas com deficiência.
Durante meses, a população enfrentou dificuldades extremas para conseguir alimentos, água potável e assistência médica.
A falta de eletricidade, gás e aquecimento também agravou as condições de sobrevivência, enquanto os ataques com drones e a presença de minas terrestres tornaram extremamente perigosos os deslocamentos dentro e fora da cidade.
Desminagem e preparação da operação humanitária Nos primeiros dias da trégua, as autoridades trabalharam na identificação e desminagem das rotas destinadas aos comboios humanitários.
A operação foi organizada em etapas: primeiro, a suspensão das hostilidades; em seguida, a abertura de corredores seguros e a entrega de alimentos, água e medicamentos; por fim, a evacuação voluntária dos moradores.
O comissário ucraniano para os Direitos Humanos, Dmytro Lubinets, confirmou que seu país estava respeitando o acordo e que as condições estavam sendo preparadas para a realização da missão.
A representante russa para os Direitos Humanos, Yana Lantratova, também confirmou a participação de Moscou.
Na quinta-feira, 29 de outubro, os dois países anunciaram a conclusão da desminagem das rotas de acesso e informaram que os comboios estavam prontos para partir em direção à cidade.
Durante os trabalhos de desminagem, duas pessoas morreram.
Comboio de 25 veículos inicia missão de socorro Nesta sexta-feira, 30 de outubro, a operação humanitária avançou com o envio de um comboio composto por 25 ônibus, ambulâncias e veículos de transporte de suprimentos.
A missão tem dois objetivos principais: distribuir alimentos e medicamentos aos moradores que permaneceram em Oleshky e retirar aqueles que desejam deixar a cidade.
Segundo informações da Associated Press, aproximadamente mil moradores manifestaram interesse em sair.
O acordo estabelece que cada pessoa poderá escolher entre seguir para territórios controlados pela Ucrânia ou permanecer na Rússia.
As autoridades dos dois países afirmaram que os civis que optarem por ficar receberão assistência humanitária.
A presença de representantes ucranianos durante a operação é considerada importante para assegurar que os moradores possam fazer suas escolhas livremente.
Voluntários e pessoas que mantêm contato com a população relataram preocupações com possíveis pressões das forças russas para que os civis sejam encaminhados à Rússia, além do temor de interrogatórios e detenções.
A trégua, que inicialmente deveria durar seis dias, foi mantida e ampliada para permitir a continuidade da missão, com previsão de encerramento no domingo, 1º de novembro.
Enquanto isso, os combates continuam em outras regiões da Ucrânia, demonstrando que o entendimento em Oleshky é localizado e não representa um cessar-fogo geral.
O apelo do Papa pela população civil A participação diplomática do Papa Leão XIV confere à iniciativa uma dimensão humanitária e também um significado para os esforços da Igreja em favor da paz.
Em seus contatos com Putin e Zelensky, o Pontífice chamou a atenção para o sofrimento da população de Oleshky e para a necessidade urgente de permitir a entrada de assistência humanitária.
Seu apelo foi para que as diferenças políticas e militares não impedissem o socorro às pessoas ameaçadas pela fome, pela falta de medicamentos e pela impossibilidade de deixar a zona de guerra.
A operação em andamento demonstra que, mesmo em um conflito prolongado, podem ser construídos espaços de cooperação quando a proteção da vida humana é colocada acima dos interesses militares.
Entretanto, a trégua ainda precisa superar desafios importantes: garantir a segurança dos corredores humanitários, assegurar que as evacuações sejam verdadeiramente voluntárias e permitir que os habitantes recebam assistência sem sofrer intimidações.
Para os moradores de Oleshky, a trégua representa uma oportunidade concreta de sobrevivência.
Para a comunidade internacional, é também um sinal de que a proteção dos civis deve permanecer acima de qualquer disputa militar.