Sacerdote diocesano, salesiano e dehoniano foram beatificados juntos 82 anos após os massacres de Monte Sole
Gabi Buonvechio - Bolonha No domingo, 27 de setembro, a Igreja celebrou, em Bolonha, a beatificação dos padres Ubaldo Marchioni, Elia Comini e Martino Capelli, mortos pelas tropas nazistas em 1944, durante os massacres de Monte Sole.
A celebração reuniu a Arquidiocese de Bolonha, os Salesianos de Dom Bosco e a Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos) em torno de três sacerdotes que, em meio à violência da guerra, permaneceram junto à população e acompanharam as pessoas confiadas aos seus cuidados até as últimas consequências.
Para o Pe.
Ramón Domínguez Fraile, SCJ, postulador-geral dos Dehonianos, que participou da preparação da celebração, a beatificação foi marcada pela colaboração entre as diferentes realidades da Igreja. “Foi uma imensa alegria ter participado da preparação da celebração da Beatificação com os Salesianos e com a Diocese de Bolonha.
Foi uma graça de Deus compartilhar esses meses de organização e preparação.
Todos demos o melhor de nós mesmos e vivemos, sobretudo, uma autêntica fraternidade na diversidade dos carismas.” Na Basílica de São Petrônio, mais de 150 concelebrantes participaram da solene celebração eucarística de beatificação, presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos.
Entre os presentes estavam o arcebispo de Bolonha, cardeal Matteo Zuppi; o cardeal Ángel Fernández Artime, pró-prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica; o reitor-mor dos Salesianos, Pe.
Fabio Attard; e o superior-geral dos Dehonianos, Pe.
Carlos Luis Suárez Codorniú, SCJ.
Três sacerdotes junto ao povo Entre 29 de setembro e 5 de outubro de 1944, mais de 770 civis foram mortos nos massacres de Monte Sole.
Em meio à violência, os três sacerdotes permaneceram junto às pessoas que estavam sob seus cuidados.
Padre Ubaldo Marchioni, de 26 anos, encontrou cerca de cem mulheres e crianças refugiadas na Igreja de Casaglia.
Permaneceu com elas e tentou negociar sua libertação com os soldados.
As mulheres e crianças foram conduzidas ao cemitério e assassinadas.
Padre Ubaldo permaneceu na igreja e também foi morto, nos degraus do altar.
A memória daquele momento também esteve presente na celebração de beatificação.
Perfurada pelos disparos que marcaram o martírio de Padre Ubaldo, a píxide encontrada entre os escombros da Igreja de Casaglia foi levada à Basílica de São Petrônio para a celebração.
Padre Elia Comini, de 34 anos, salesiano e educador, acolheu pessoas deslocadas em Sálvaro.
Junto com padre Martino, dirigiu-se à região de Creda para levar assistência espiritual às vítimas da chacina.
Preso, foi levado na manhã de 1º de outubro de 1944 à chamada Botte de Pioppe di Salvaro, local onde foi executado.
Padre Martino Capelli, de 32 anos, era religioso dehoniano.
Ainda seminarista, havia escrito, em 1931: “Ó Virgem, Rainha dos mártires mexicanos, concedei-me que um dia eu também possa ser mártir de Cristo Rei”.
Seu desejo era partir em missão para a China, mas a guerra o levou a Sálvaro.
Depois de ser atingido, mesmo ferido, Martino levantou-se, pronunciou algumas palavras e fez o sinal da cruz, dando uma última bênção antes de morrer.
Um testemunho para a Igreja Para o Pe.
Ramón, a beatificação dos três sacerdotes recorda uma mesma atitude diante do sofrimento: a disposição de permanecer junto às pessoas mesmo quando a própria vida estava ameaçada. “Eles não tiveram medo de entregar tudo o que eram porque confiavam plenamente no Senhor.
Com seu sacrifício, nos ensinam o que significa ser verdadeiros pastores: cuidar dos outros com o mesmo amor, a entrega e a ternura que brotam do Coração de Jesus.” O Postulador também destacou que o testemunho dos novos beatos pode falar à Igreja no presente. “Esses três sacerdotes nos deixaram uma bela marca de fé ao entregar inteiramente suas vidas a Cristo.
Seu sacrifício é um fiel reflexo do amor de Deus: preferiram entregar-se aos outros a guardar qualquer coisa para si mesmos.” Segundo ele, a memória dos três aponta ainda para uma vivência cristã marcada pela compaixão e pela reconciliação. “Hoje suas vidas são uma luz que nos convida a caminhar com fé e a ser testemunhas do amor de Deus em nosso dia a dia, especialmente dando um sentido cristão ao sofrimento da humanidade.”