UMOFC - Uma mão amiga às mulheres do Mediterrâneo e Médio Oriente

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UMOFC - Uma mão amiga às mulheres do Mediterrâneo e Médio Oriente
Fonte: VATICANO

"Mulheres: um refúgio seguro para uma humanidade conturbada". Mulheres de várias partes do mundo se reuniram em Malta, em finais de outubro, para ouvir as experiências e manifestar a sua solidariedade às mulheres católicas do Mediterrâneo e do Medio Oriente. Um gesto de paz desejado pela WUCWO que vem, desde há anos, tentado estender uma mão amiga a essas mulheres. Evaline Malissa Ntenga, da Tanzânia, foi uma das participantes e ilustra a importância e significado do encontro.

Dulce Araújo - Vatican News Da bela ilha de Malta — cujo nome, na língua fenícia, significa "refúgio", trazemos hoje aqui as palavras de Evaline Malissa Ntenga, presidente de WAWATA, a Organização das Mulheres Católicas da Tanzânia.

Ela participou do 4º encontro acerca de mulheres do Mediterrâneo e do Médio Oriente, realizado na capital maltesa, La Valletta, de 23 a 26 de outubro findo, encontro subordinado ao tema "Mulheres: um refúgio seguro para uma humanidade conturbada".

O encontro foi promovido pela WUCWO/UMOFC (União Mundial das Organizações Femininas Católicas), com sede em Roma e que atua sob os auspícios do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. [ Photo Embed: Participantes no encontro em Malta] Para Malta foram participantes de vários países, Egito, Terra Santa, Iraque, Jordânia, Líbano e Tunísia, bem como da Argentina, Austrália, Camarões, Gana, Nigéria, Senegal, Tanzânia, Uganda, Coreia do Sul, Estados Unidos, entre outros, reunindo cerca de 90 pessoas de 35 nações.

Encontraram-se para partilhar e ouvir as experiências de mulheres que vivem no meio de guerras e conflitos nessas duas regiões do mundo.

O encontro, organizado pela WUCWO/UMOFC, em colaboração com o núcleo maltês da Ação Católica e com o apoio de delegados da Conferência Episcopal de Malta, contou com testemunhos pessoais de mulheres do Mediterrâneo e do Médio Oriente, reflexões sobre a situação atual e momentos de celebração eucarística e oração, tendo sido a missa conclusiva celebrada na Co-Catedral de São João em La Valleta.

De salientar que a Catedral dedicada a São Paulo que naufragou na ilha, em 60 depois de Cristo, quando vinha de Jerusalém para Roma, se encontra em Mdina, antiga cidade-capital maltesa. [ Photo Embed: Uma foto recordação do encontro após a celebração da missa] Enquanto mulheres comprometidas com a causa da paz, “somos chamadas a ser um porto seguro umas para as outras, a escutar-nos e a fortalecer os laços de solidariedade entre as diferentes culturas.

A paz começa nas relações que cultivamos, criando espaços onde cada pessoa seja acolhida, ouvida e tratada com dignidade.

Reconhecemos o extraordinário empenho das organizações femininas no Médio Oriente e desejamos sinceramente apoiá-las, oferecendo um espaço para o diálogo, a partilha de experiências e boas práticas, e a criação de sinergias”, salientou a mexicana, Mónica Santamarina, Presidente-Geral da WUCWO/UMOFC, na sua introdução e em comunicado de imprensa. [ Photo Embed: Evaline Malissa Ntenga] O encontro sobre as mulheres do Médio Oriente e do Mediterrâneo foi precedido duma reunião do Conselho Administrativo da WUCWO, como explicou à Rádio Vaticano, Evaline Malissa Ntenga, presidente da WAWATA (Associação Nacional de Mulheres Católicas da Tanzânia) e vice-presidente da WUCWO para África: “Reunimo-nos aqui, de 23 a 26, para um encontro dividido em duas partes: a primeira foi uma sessão do Conselho Administrativo da WUCWO/UMOFC; reunimo-nos presencialmente pelo menos uma vez por ano.

O Conselho é composto por 27 membros, sendo a África — representada por 11 membros — o maior grupo.

É evidente que o catolicismo está a crescer rapidamente em África; somos muitas, e a nossa participação, nos últimos dois anos, tornou-se muito significativa.

Este é o meu oitavo ano no Conselho.

O encontro aqui em Malta foi muito importante — inclusive para os preparativos da nossa Assembleia Geral, que terá lugar em El Escorial, Espanha, de 5 a 12 de junho de 2027.

Durante este período, definimos a agenda, estabelecemos os passos a dar neste intervalo de tempo e discutimos sobre a forma como as mulheres de diferentes regiões se podem envolver.

A segunda parte do encontro foi muito significativa — talvez mesmo a mais crítica: o encontro com mulheres do Médio Oriente e do Mediterrâneo.

Há cerca de uma década que a WUCWO/UMOFC trabalha com mulheres destas regiões que desejam integrar a organização; contudo, devido a diversos fatores, incluindo guerras, ainda não conseguiram tornar-se membros efetivos.

Os encontros anteriores aconteceram em 2010, 2013, 2016 e 2022, sendo este, portanto, o quarto encontro em presença.

Ao longo dos anos, estabeleceu-se um vínculo através de seminários e workshops, nos quais exploramos formas de colaborar e garantir que as suas vozes sejam ouvidas.

Aqui em Malta, ouvimos os seus testemunhos; o apelo delas é: "Como nos podemos tornar visíveis?".

Quando se mencionam países como o Irão ou o Iraque, tende-se a esquecer que ali vivem cristãos.

A perceção comum é a de que, nessas nações, residem apenas muçulmanos.

No entanto, os cristãos estão presentes e pedem para ser ouvidos, vistos e apoiados; pedem que lhes seja estendida uma mão amiga.

Não solicitam grandes gestos; precisam, na verdade, de acompanhamento, de alguém que converse com elas, que se aproxime, que escute os seus clamores, que reconheça a sua existência e que compreenda que estão a lutar pelas suas famílias.

Os seus filhos também precisam de sentir que há esperança.

Por isso, unimo-nos a elas e rezamos ao seu lado.

Embora talvez não possamos realizar feitos grandiosos, há duas coisas que podemos fazer: reconhecer que elas estão lá e garantir que dispõem de um espaço de confiança onde possam fazer ouvir as suas vozes e expressar as suas dores.

O que elas dizem é que não querem ser vistas com pena; o que desejam, na verdade, é que se reconheça a sua presença e que elas, assim como as suas famílias, precisam do nosso apoio e da nossa companhia para enfrentar os seus desafios.

Por vezes, foram deslocadas e obrigadas a deixar tudo para trás; ainda assim, continuam a enfrentar a vida.

Por isso, viemos até aqui, a esta ilha no meio do Mediterrâneo, para debater o tema: “Mulheres: um porto seguro para uma humanidade conturbada”.

A nossa reflexão centrou-se na forma como é possível tornar-se, verdadeiramente, um refúgio de paz — talvez por meio de um sorriso, de um abraço ou, simplesmente, conversando com elas.” [ Photo Embed: Evaline Malissa Ntenga com outras africanas no encontro de Malta] A representação da África na WUCWO/UMOFC Evaline Malissa Ntenga observou anteriormente que as representantes de África constituem a maioria no Conselho Administrativo da WUCWO/UMOFC.

Que desafios estão a trazer, então,  à atenção da organização, à luz do trabalho já realizado em relação ao Mediterrâneo e ao Médio Oriente? “Felizmente, os desafios que enfrentamos em África são os mesmos que se encontram a nível global, em todas as partes do mundo.

Atualmente, uma das nossas principais iniciativas é o Observatório Mundial da Mulher, mediante o qual WUCWO quer contribuir para a erradicação da violência contra as mulheres.

Trabalhamos com aquelas que são ‘invisíveis’, ajudando a dar-lhes voz e a encontrar formas de as apoiar no seu percurso.

Temos também projetos de carater ambiental, centrados na “Laudato Si’”.

Em suma, as nossas  principais áreas de foco são: o trabalho com as pessoas mais vulneráveis; a ênfase na família como ‘igreja doméstica’, um tema, aliás, discutido durante este encontro, que incluiu a abordagem da situação das famílias deslocadas.” [ Photo Embed: Uma das intervenientes do Médio Oriente no encontro] Pedras vivas De 23 a 26, Malta serviu, portanto, de ponto de encontro para aquelas que são consideradas as “pedras vivas” do Mediterrâneo e do Médio Oriente: mulheres e as suas famílias deslocadas que, apesar do sofrimento, continuam fortes e plenamente conscientes das limitações que enfrentam no complexo cenário sociopolítico da região.

A WUCWO também está consciente destas limitações, mas mantém o seu compromisso com o que pode representar e realizar por e ao lado destas mulheres: proporcionar um espaço para que as suas vozes sejam ouvidas, dar-lhes visibilidade, promover a oração em conjunto à luz da força do Evangelho.

Além disso, a próxima Assembleia da WUCWO, em Espanha, constituirá mais uma oportunidade para que as mulheres católicas de todo o mundo se reúnam presencialmente e deem continuidade à sua caminhada conjunta rumo à paz, à dignidade e ao progresso para todas e todos.

Candidata africana para o próximo mandato  Dada a presença significativa de mulheres africanas no Conselho Administrativo, perguntámos a Evaline Malissa Ntenga, atual vice-presidente para África, se pretende candidatar-se ao cargo de presidente-geral em 2027. “Não, infelizmente não.

Não é que não deseje servir; acontece que tenho tido muitos compromissos ultimamente e pedi para me afastar um pouco.

Felizmente, temos outra integrante africana, Beatrice Tavares, do Senegal, que representará a África como candidata a presidente-geral.

Ao todo, são três as candidatas: Beatrice, Karen de Sousa (da Austrália) e Lulu Araize, do México.” Ausência dos PALOP No encontro não estava nenhum membro de organizações católicas dos chamados PALOP, Países africanos de língua oficial portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe. mas sabe-se que Angola, por exemplo, tem desde há mais de 30 anos, uma organização de grande dimensão vocacionada para a promoção da mulher católica no seio da Igreja — a PROMAICA, fizemos nota a Evaline Malissa Ntenga que respondeu: “Sim, uma das coisas que tenho procurado fazer desde que comecei a representar África na WUCWO — já vou no meu terceiro ano — é estabelecer contactos com países vizinhos que ainda não são membros.

A Zâmbia já foi membro; elas saíram, mas, felizmente, voltaram a integrar a organização.

Estou em diálogo com Moçambique desde há algum tempo, mas ocorreram algumas mudanças na liderança, o que acabou por atrasar o processo… No entanto, reuni-me com alguns dos seus representantes durante um encontro da AMECEA (Associação das Conferências Episcopais Membros da África Oriental), e estão abertas a dar continuidade ao diálogo.

Estamos também a tentar contactar outros países para ver se conseguimos unir as nossas vozes e tornarmo-nos um movimento ainda maior em África.” [ Audio Embed Oiça a emissão com as palavras de Evaline Malissa Ntegna] [ Photo Embed: Mulheres da WUCWO/UMOFC em Malta] WUCWO, organização centenária com milhões de sócias WAWATA, a Organização das Mulheres Católicas da Tanzânia, de Evaline Malissa Ntenga é presidente, existente há 56 anos.

Já a UMOFC, União Mundial das Organizações Femininas Católicas, foi  fundada há mais de um século e atualmente reagrupa uma centena de organizações de 56 países e mais de 8 milhões de mulheres pelo mundo fora.  

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