USP promove simpósio sobre os 400 anos das reduções jesuítico-guaranis

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USP promove simpósio sobre os 400 anos das reduções jesuítico-guaranis
Fonte: VATICANO

Encontro, a ser realizado de 28 a 30 de setembro, reunirá pesquisadores de diferentes áreas para discutir história, cultura, arte, patrimônio e a presença guarani nas antigas missões

Vatican News Os 400 anos da fundação da missão de São Nicolau, em 1626, serão celebrados com o Simpósio “400 Anos das Reduções Jesuítico-Guaranis na América do Sul”, promovido pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), de 28 a 30 de setembro.

O encontro será realizado na Sala Alfredo Bosi, na Cidade Universitária, em São Paulo, e reunirá pesquisadores brasileiros e estrangeiros dedicados à história das reduções, à história latino-americana, à arte, à arquitetura e ao patrimônio missioneiro.

A abertura do Simpósio será marcada por uma homenagem ao arquiteto e historiador argentino Ramón Gutiérrez, falecido recentemente.

Reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre arquitetura, patrimônio e história cultural da América Latina, Gutiérrez dedicou parte importante de sua trajetória ao estudo das reduções jesuítico-guaranis e à preservação de seu legado histórico e arquitetônico.

A homenagem destacará sua contribuição para o conhecimento e a valorização do patrimônio missioneiro e sua influência na formação de pesquisadores dedicados à história da região. [ Photo Embed: Simpósio será presencial e on-line] Organizado pelo Grupo de Pesquisa “Tempo, Memória e Pertencimento”, do IEA-USP, o simpósio dá continuidade a um projeto iniciado em 2018, voltado à valorização e à preservação do patrimônio legado pelas reduções jesuítico-guaranis.

Esses povoados foram fundados por jesuítas em territórios habitados por povos guaranis entre os séculos XVII e XVIII e se estenderam por áreas que hoje correspondem ao Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia.

A iniciativa pretende ampliar o conhecimento sobre essa experiência histórica e, ao mesmo tempo, promover o reconhecimento de seu patrimônio cultural.

Um dos aspectos centrais do encontro será a discussão sobre a cultura guarani e a circulação de conhecimentos produzidos nas reduções.

A programação inclui debates sobre comunidade, ritualística, relações de poder, modos de viver e morrer, práticas musicais, oratória jesuítica e a circulação de devoções religiosas entre as populações guaranis.

Entre os pesquisadores participantes estão Maria Cristina Bohn Martins, Guilherme Galhegos Felippe, Lucas Ferreira de Lara, Luiz Fernando Medeiros Rodrigues e Marina Massimi. [ In Evidence ] A arte e a arquitetura missioneiras também terão espaço significativo no simpósio.

Uma das mesas será dedicada ao patrimônio cultural e artístico das missões, abordando a produção do escultor Giuseppe Brasanelli, os circuitos de memória e pertencimento relacionados às missões e a experiência histórica das chamadas “Missiones Paraguayas”.

A programação conta ainda com especialistas na preservação da arquitetura e do patrimônio missioneiro, como Luiz Antônio Bolcato Custódio e Graciela María Viñuales.

Outro eixo será a preservação da memória dos Trinta Povos das Missões.

Pesquisadores discutirão novas perspectivas para o estudo das missões americanas, as formas pelas quais os viajantes contemporâneos observam as antigas reduções e iniciativas de divulgação do conhecimento histórico.

O simpósio também abordará a permanência do legado missioneiro na atualidade, incluindo a imaginária produzida nas reduções e a continuidade cultural da presença guarani no Sul do Brasil.

Nesse contexto, a pesquisadora Claudette Boff, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), participará da mesa sobre cultura e circulação de saberes com a apresentação “Valorização do Patrimônio Missioneiro: Memória, Continuidade Cultural e a Presença Guarani no Sul do Brasil”.

A participação evidencia uma das preocupações do encontro: não restringir a memória das reduções aos vestígios arquitetônicos, mas relacioná-la às comunidades indígenas e às permanências culturais que atravessaram os séculos. [ In Evidence ] Memória e patrimônio   Para os organizadores, a comemoração dos quatro séculos constitui uma oportunidade para aproximar diferentes áreas do conhecimento e fortalecer redes entre universidades, pesquisadores e comunidades.

Entre os objetivos anunciados estão justamente valorizar a cultura guarani, preservar o patrimônio das reduções e dar visibilidade à memória da resistência indígena.

O evento reúne, assim, perspectivas da história, antropologia, arquitetura, história da arte, arqueologia e estudos sobre patrimônio.

O simpósio será realizado em formato híbrido, com participação presencial e transmissão pelo Canal IEA ao Vivo, no YouTube.

O evento é público e gratuito, mediante inscrição prévia, e não haverá certificação nem tradução simultânea.

A programação se estende das 8h30 do dia 28 de setembro até as 17h30 do dia 30.

Ao marcar os 400 anos da fundação de São Nicolau, o encontro propõe, portanto, olhar para as reduções jesuítico-guaranis não apenas como um capítulo da história colonial sul-americana, mas como um patrimônio complexo, formado por memórias indígenas, experiências religiosas, produção artística, organização social, circulação de saberes e processos de resistência e continuidade cultural.

A celebração dos quatro séculos torna-se, dessa forma, ocasião para revisitar esse passado e discutir como seus vestígios e significados permanecem presentes na América do Sul contemporânea.

Informações: o Simpósio será realizado na Sala Alfredo Bosi, Rua Praça do Relógio, 109, Cidade Universitária, São Paulo, de 28 a 30 de setembro de 2026.  A programação completa pode ser conferida clicando aqui.

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