Venezuela, um mês após o terremoto. Os bispos: ser “samaritanos” - Vatican News via Acervo Católico

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Venezuela, um mês após o terremoto. Os bispos: ser “samaritanos” - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O episcopado, trinta dias após o duplo terremoto que atingiu o país, divulgou uma mensagem para exortar a não esquecer os que sofrem, que se sentiram abandonados pelas instituições públicas. O texto também expressa gratidão ao Papa Leão XIV por sua proximidade, bem como às Igrejas irmãs de todo o mundo.

Alina Tufani Díaz – Vatican News “Samaritanos, testemunhas de esperança” é o título da mensagem dos bispos venezuelanos, divulgada em vista deste dia 24 de julho, data em que se completa um mês desde o duplo terremoto que atingiu as regiões do Norte e do centro do país, causando milhares de mortos e danos à infraestrutura e “encheu de dor toda a nação”. O texto dá testemunho do sofrimento do povo venezuelano, atingido por uma grave catástrofe. “A reconstrução — escrevem os bispos — exige também que nos tornemos porta-vozes da indignação das vítimas dos terremotos, que se sentiram abandonadas pelas instituições públicas. Como já afirmamos, os desastres naturais são imprevisíveis; no entanto, é dever das instituições do Estado estarem preparadas para enfrentá-los. Daqui em diante, todos devemos zelar para que, nas obras de reconstrução, não se repitam os mesmos erros do passado; caso contrário, os mais vulneráveis voltarão a sofrer as consequências da corrupção e da indiferença”. Uma catástrofe que se soma a um drama social O documento, dividido em quatro partes e dezesseis pontos, aborda os múltiplos aspectos da tragédia que atingiu as pessoas e a sociedade. Na exortação, para que sejamos “samaritanos chamados a reconstruir”, os bispos insistem na urgência de uma “reconstrução rápida e profunda” das áreas devastadas, criando as condições necessárias para que os milhares de desabrigados possam ter “acesso a uma moradia e a um trabalho dignos”, além de acompanhamento espiritual e psicológico para curar as “feridas interiores”. Para o episcopado, essa obra de reconstrução não pode esquecer “os outros que sofrem” no país: os presos políticos, os trabalhadores e aposentados que sobrevivem com “salários ou aposentadorias de miséria”, os doentes e os imigrantes. Conforme afirmado no início da mensagem, de fato, “essa catástrofe natural se soma às condições sociais, políticas e econômicas já difíceis em que se desenrola a vida nacional”. Testemunhas da esperança Inspirando-se, assim como toda a mensagem, na parábola do bom samaritano, os bispos também abordam o tema da esperança diante da pergunta que sempre permeou a história da humanidade: “onde está Deus em meio a tanta angústia?”. “Deus está precisamente nas vítimas e com as vítimas, pois elas são as prediletas do Senhor Jesus, o verdadeiro bom samaritano de quem nos fala o Evangelho”, respondem os bispos, expressando, ao mesmo tempo, sua firme rejeição à “manipulação daqueles que, guiados pela superstição e pelo fundamentalismo, afirmaram que os terremotos são um castigo de Deus”. Solidariedade e heroísmo Convencidos de que Deus está presente também em todos os samaritanos que, seguindo o exemplo de Jesus, ajudam os mais necessitados, os bispos convidam a ser “samaritanos compassivos”, capazes de “sofrer com o próximo” e de se empenhar desinteressadamente para aliviar sua dor. Assim como todos aqueles que, desde as primeiras horas da tragédia, se dedicaram ao próximo. “Estamos profundamente comovidos com a solidariedade da qual fomos testemunhas, especialmente a dos pobres, que sem dúvida foram os maiores samaritanos. Estamos comovidos e inspirados pelo heroísmo daqueles que arriscaram a vida para salvar tantas pessoas dos escombros desde o primeiro instante da catástrofe”, destaca o texto, no qual os bispos também expressam gratidão aos socorristas e voluntários, em particular aos vindos do exterior, que “demonstraram que todos os homens são irmãos, para além das fronteiras e das bandeiras”. A proximidade do Papa O episcopado também expressa sua gratidão ao Papa Leão XIV por sua proximidade, bem como às Igrejas irmãs de todo o mundo, “fonte de esperança e consolo para todas as vítimas por meio da oração e do acompanhamento no luto, mas também graças à eficaz rede de solidariedade das Caritas nacionais e internacionais”. Por fim, os bispos convidam todos os fiéis a participar das celebrações eucarísticas que serão realizadas no dia 24 de julho em cada paróquia e comunidade, para rezar pelas almas das vítimas desta catástrofe, por todas as outras vítimas e por todo o país.

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