Leão XIV desembarca nesta sexta-feira em Montevidéu. O primeiro bispo uruguaio, beato Jacinto Vera, nasceu em alto-mar e foi batizado em Florianópolis.
Pe Paulo Henrique Almeida - Cidade do Vaticano O Papa Leão XIV visita o Uruguai de 6 a 8 de novembro, a primeira visita de um Pontífice ao país em 38 anos, desde João Paulo II.
Nos três dias em Montevidéu, Paysandú e Florida, ele passa por uma terra que tem uma santa, três beatos e três servos de Deus.
O beato mais conhecido do Uruguai é Jacinto Vera, primeiro bispo do país.
Ele nasceu em 3 de julho de 1813, em pleno oceano, durante a viagem da família das Ilhas Canárias, e foi batizado em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis.
Jacinto Vera foi declarado venerável em 2015.
Em 17 de dezembro de 2022, o Papa Francisco reconheceu um milagre por sua intercessão.
Foi a cura de uma menina de 14 anos, María del Carmen Artagaveytia, que tinha uma grave infecção depois de uma cirurgia de apendicite.
O tio da menina, Rafael Algorta Camusso, levou-lhe um santinho com uma relíquia do servo de Deus Jacinto Vera e pediu à menina que o aplicasse na ferida e que tanto ela como a família rezassem com confiança pela intercessão do servo de Deus.
Naquela mesma noite, as dores e a febre cessaram, e na manhã seguinte, a menina sentiu-se completamente bem.
A cura foi rápida e completa, cientificamente inexplicável, constatada por seu pai e pelo médico que a atendeu, Dr.
García Lagos.
María del Carmen Artagaveytia viveu até os 89 anos, falecendo em 2010.
A beatificação, em 6 de maio de 2023, foi presidida pelo cardeal brasileiro Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, em nome do Papa Francisco.
Segundo a imprensa uruguaia, está previsto que o Papa reze diante do túmulo de Jacinto Vera na Catedral de Montevidéu, como fez João Paulo II em 1987.
Jacinto Vera esteve presente na resistência de Paysandú, em 1864 e 1865, e socorreu feridos dessa guerra civil uruguaia.
Paysandú é uma das cidades que o Papa visita.
A única santa do Uruguai é Francisca Rubatto, que nasceu na Itália, em 1844, e morreu em Montevidéu em 6 de agosto de 1904.
Fundadora das Irmãs Capuchinhas da Madre Rubatto, fez em 1892 a primeira de várias viagens à América Latina para abrir casas da congregação, e morreu em Montevidéu durante uma dessas visitas.
João Paulo II a beatificou em 1993, saudando-a como a “primeira beata do Uruguai”.
Em 2022, o Papa Francisco a canonizou, depois de reconhecer a cura de um jovem com grave traumatismo craniano, ocorrida em Colônia, no Uruguai, no ano 2000.
A canonização foi em 15 de maio de 2022, e ela é considerada a primeira santa do Uruguai.
A congregação dela está presente também no Brasil.
O vínculo mais antigo da congregação com o Brasil está no Maranhão.
Em junho de 1899, Madre Rubatto viajou com seis irmãs para o Nordeste.
Nesse ano a congregação abriu a casa de Alto Alegre, para apoiar a missão “São José da Providência”, dos frades capuchinhos.
Alto Alegre fica na região de Barra do Corda (MA), onde um decreto federal dos anos 1980 registra a sede da Associação das Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto.
As outras duas beatas uruguaias são as irmãs Dolores e Consuelo Aguiar-Mella, leigas.
Nasceram em Montevidéu, em 1897 e 1898, e foram mortas em Madri em 19 de setembro de 1936, durante a Guerra Civil Espanhola.
A família se mudou para a Espanha em 1899.
Foram beatificadas por João Paulo II em 11 de março de 2001, entre os 233 mártires espanhóis.
A morte delas provocou a ruptura das relações diplomáticas entre Uruguai e Espanha.
Seus restos foram recebidos na Catedral de Montevidéu em 2006.
Além desses, o Uruguai tem três servos de Deus: o padre Rubén Isidro Alonso, o "padre Cacho" (1929-1992), é servo de Deus desde 19 de fevereiro de 2017.
Foi salesiano e depois sacerdote diocesano, e escolheu viver entre os mais pobres de Montevidéu.
Salvador García Pintos (1891-1956) foi médico, deputado, professor e pai de sete filhos, e liderou uma campanha para que o aborto voltasse a ser crime no país.
O terceiro é o jovem leigo Walter Chango (1921-1939), catequista e devoto da Eucaristia, que morreu de tuberculose aos 17 anos.
Ele trabalhou na preparação do Congresso Eucarístico de Montevidéu, em 1938.