Vittorio Messori, apaixonado investigador das razões da fé - Vatican News via Acervo Católico

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Vittorio Messori, apaixonado investigador das razões da fé - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Faleceu o grande escritor católico, autor de best-sellers sobre a fé.

Andrea Tornielli Seu coração deixou de bater em sua casa em Desenzano del Garda, às 21h45 da Sexta-Feira Santa, após a memória daquela Paixão que ele havia investigado com grande honestidade intelectual no livro "Dizem que ressuscitou" (Dicono che è risorto). Faleceu Vittorio Messori, escritor e autor de best-sellers sobre a fé que venderam milhões de cópias e marcaram o panorama cultural italiano e internacional; ele completaria 85 anos em poucos dias. Quatro anos atrás, havia perdido sua amadíssima esposa, Rosanna. Natural de Sassuolo, na região da Emília, nasceu em uma família anticlerical que se deslocou logo após a guerra, estabelecendo-se em Turim. Na universidade, Vittorio foi aluno de Firpo e Bobbio, graduando-se em Ciências Políticas sob a orientação de Galante Garrone com uma tese sobre o Risorgimento. Em 1964, a sua vida, que até aquele momento estivera distante da fé, muda radicalmente graças a uma leitura dos Evangelhos. Aqueles textos enxutos e essenciais, escritos quase dois milênios antes, atingem-no no coração, transformando-o, a partir de então, em um incansável investigador das razões do crer. Matriculou-se no Instituto de Cristologia da Pro Civitate Christiana de Assis, onde passou um ano estudando e onde conheceu sua futura esposa. Após retornar a Turim, começou a trabalhar na Società Editrice Internazionale e colaborou com diversos jornais e revistas. Em 1970, entrou para o Stampa Sera e, posteriormente, tornou-se redator do suplemento Tuttolibri, do jornal La Stampa. Em 1976, foi lançado seu primeiro e fundamental ensaio, "Hipótese sobre Jesus" (Ipotesi su Gesù), fruto de doze anos de estudo. Um livro que investiga a historicidade do Nazareno, tornando acessíveis a todos conteúdos que geralmente ficavam restritos ao estreito círculo de especialistas. Sem querer e sem ter planejado, ele foi o iniciador de uma nova e moderna apologética, conduzida com extremo rigor. Em 1978, mudou-se para Milão para fundar a Jesus, a nova revista mensal dos Paulinos, em cuja redação trabalharia por alguns anos, continuando a colaborar posteriormente como colaborador externo. Em 1982, publicou "Aposta na morte" (Scommessa sulla morte), denunciando a crise do marxismo. Mas é a historicidade dos Evangelhos que o atrai particularmente: àquele primeiro e fundamental livro dedicado a Jesus seguem-se outros que sistematizam as pesquisas às quais ele continuaria a se dedicar com paixão por toda a vida: "Inquérito sobre o Cristianismo" (Inchiesta sul cristianesimo, 1987), uma viagem em diálogo com cristãos, crentes de outras religiões, ateus e agnósticos; "Padeceu sob Pôncio Pilatos" (Patì sotto Ponzio Pilato, 1992); "Dizem que ressuscitou" (Dicono che è risorto, 2000) e "Hipótese sobre Maria" (Ipotesi su Maria, 2005). Mas o livro com o qual Messori é recordado de modo especial, pela repercussão extraordinária que teve no momento do lançamento em 1984 após alguns dias de conversas com o cardeal Joseph Ratzinger durante suas férias no seminário de Bressanone é o "Relatório sobre a Fé" (Rapporto sulla fede). É o livro que apresenta ao grande público o pensamento do cardeal que, havia alguns anos, João Paulo II chamara para dirigir a Congregação para a Doutrina da Fé, e que alerta contra os desvios ideológicos de certo progressismo. Autor estimado por Papas e futuros Papas, em 1994 foi convidado a entrevistar João Paulo II. Dessa iniciativa nasceu o livro "Cruzando o Limiar da Esperança" (Varcare la soglia della speranza), no qual o Pontífice responde a 35 perguntas formuladas por Messori. Tornou-se colaborador do jornal Corriere della Sera e foi escolhido para ser o responsável por comunicar, por meio de um editorial, a decisão tomada por Karol Wojtyla no início dos anos 2000: apesar do avanço da doença, não renunciaria ao pontificado. Durante toda a sua vida, o anúncio da fé e as razões para crer, bem como os argumentos em favor da historicidade dos Evangelhos, estiveram no centro do seu interesse. Devido à sua vida anterior à conversão e a sua prioridade dada ao querigma, ele nunca se interessou particularmente pelos temas da moral. “Sem o prego da fé — gostava de repetir — o cabide da moral não consegue se sustentar”: com isso, ele pretendia sublinhar que, no contexto secularizado de hoje, era fundamental anunciar, antes de tudo, a morte e a ressurreição de Cristo, testemunhando o essencial da fé. Grande estudioso das aparições e dos milagres de Lourdes, nos últimos anos sua devoção mariana havia se acentuado ainda mais, e ele empenhou um esforço notável ao investir seus recursos pessoais na construção da capela de Nossa Senhora da Oliveira (Madonna dell’Ulivo) nos jardins que cercam a abadia beneditina de Maguzzano, próxima ao Lago de Garda, atualmente habitada pelos Pobres Servos da Divina Providência. É marcante que um autor que dedicou toda a sua energia para reconstruir a figura de Jesus tenha concluído sua existência no dia em que os fiéis do mundo inteiro fazem memória da morte do Nazareno no Calvário.

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