Zuppi na Universidade Católica: "Defender o ser humano onde prevalece o desumano"

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Zuppi na Universidade Católica:  "Defender o ser humano onde prevalece o desumano"
Fonte: VATICANO

O cardeal-arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), dom Matteo Zuppi, celebrou uma Santa Missa, na igreja do Sagrado Coração, em Roma, na inauguração da Conferência internacional sobre "O esplendor do ser humano: preservar a fertilidade, curar a infertilidade". O Cardeal lançou um apelo para a defesa da dignidade da pessoa e a vida, desde a sua concepção até à morte. Seu afetuoso pensamento ao Papa Leão XIV.

Matteo Frascadore "O esplendor do ser humano é, realmente, tão importante e fascinante, sempre novo e jamais deixamos de contemplá-lo, mesmo onde reside o desumano": eis a reflexão do Cardeal Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha e Presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), ao inaugurar, na manhã desta sexta-feira, 16, a Conferência internacional intitulada: "O esplendor do ser humano: preservar a fertilidade, curar a infertilidade".

A evento realizou-se no campus romano da Universidade Católica do Sagrado Coração e se concluirá neste domingo, 18.

A conferência contou com o discurso inaugural do Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, sobre o tema: "Dignidade e beleza da procriação no magistério da Igreja".

A inauguração oficial do evento teve início com uma celebração eucarística, presidida pelo Cardeal Matteo Zuppi, que, em sua homilia, “recordou a necessidade de se redescobrir o valor da pessoa humana, mesmo em sua fragilidade, em uma era marcada por profundas transformações científicas, tecnológicas e sociais”.

E acrescentou: “A Palavra de Deus adverte-nos contra as falsas aparências e nos convida a combater o mal, que destrói a existência humana, para que a vida seja repleta de um esplendor, que se torna inteligência e defesa da própria vida, desde a sua concepção até à morte”.

Em sua homilia, o Cardeal disse ainda: “Devemos estar atentos à história e escolher o futuro, dando importância aos dois aniversários, que acompanham esta iniciativa: XXV aniversário do ‘Instituto Científico Internacional Paulo VI’, dedicado à pesquisa sobre fertilidade e infertilidade humana, e o 50° aniversário do ‘Centro para a Regulação Natural da Fertilidade’.

Ambos os eventos são testemunhas de uma longa jornada de estudos, pesquisas e apoio aos casais, em um esforço de conciliar o progresso científico com a centralidade da pessoa.

Dignidade do homem e valor do cuidado O Cardeal Matteo Zuppi fez sua reflexão em um contexto mais amplo, recordando as contradições de um mundo em que “o direito à vida é pisoteado com arrogância” e em que a violência encontra novas formas de difusão, inclusive por meio da tecnologia e da internet”. “Diante de tamanha desumanidade, - observou - devemos continuar a descobrir o esplendor do ser humano, olhando para o nosso interior e para a realidade que nos circunda.

É na misericórdia e no perdão de Deus, acrescentou, que a humanidade pode redescobrir sua dignidade, mesmo nos momentos de maior fragilidade.

Durante sua homilia, o Cardeal Zuppi dirigiu-se também ao Papa Leão XIV, que esteve hospitalizado na Policlínica Gemelli: "Ao Papa Leão vai o nosso afeto e proximidade na oração".

Ao citar os ensinamentos do Pontífice, o Cardeal recordou: “O problema não é questionar a dignidade do ser humano, mas entender como cuidar concretamente dele”.

De fato, o cuidado do ser humano é um dos temas centrais da Conferência de três dias, durante a qual médicos, pesquisadores e especialistas, de diversas disciplinas, abordaram questões concernentes à saúde reprodutiva, prevenção da infertilidade e desafios éticos, colocados pela inovação científica.

Este processo visa aprimorar o profissionalismo e a pesquisa, “sem perder de vista, - segundo o Cardeal - a centralidade da pessoa e o esplendor do ser humano".

Limitação como oportunidade de esperança Muito significativa, na reflexão do Presidente do CEI, foi a referência às limitações humanas, frequentemente percebidas na sociedade contemporânea apenas como obstáculos a serem superados: “A doença e o sofrimento correm o risco de serem considerados meras condições a serem corrigidas, ao invés de experiências, através das quais uma maior consciência da vida pode se desenvolver”. "O ser humano não floresce com limitações, mas através das limitações, - acrescentou o Cardeal, - que nos convidou a reconhecer a fragilidade como uma oportunidade de crescimento.

As limitações tornam-se uma oportunidade para a esperança e a sabedoria".

Daí a referência à vocação das universidades e da pesquisa científica: “Contribuir para a preservação e cuidado da vida, da fertilidade e o tratamento da infertilidade, mantendo sempre no centro a dignidade de cada pessoa”. “Estamos imersos em um momento, - concluiu o Cardeal - em que a humanidade nos assusta e a ciência pode produzir terríveis desumanidades, às quais, na destruição causada por guerras e tecnologias ruinosas, jamais conseguiremos nos acostumar".

O programa da Conferência foi dividido em quatro sessões: relação entre sociedade, ciência e transmissão da vida; fertilidade dos casais; saúde pré-concepcional e prevenção da infertilidade; e desafios da inovação tecnológica e da cultura do descartável.

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