75 anos da Hierarquia na África Austral: Cardeal Brislin destaca crescimento e comunhão - Vatican News via Acervo Católico

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75 anos da Hierarquia na África Austral: Cardeal Brislin destaca crescimento e comunhão - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Ao entrar em 2026, a Igreja na África Austral assinala os 75 anos do estabelecimento da sua Hierarquia, um marco que, segundo o Cardeal Stephen Brislin, “permitiu à Igreja crescer” e consolidar estruturas pastorais ao serviço do povo de Deus, num caminho que hoje se expressa pela sinodalidade e pela comunhão com o Bispo de Roma.

Sheila Pires – Joanesburgo, África do Sul Numa entrevista concedida ao Gabinete de Comunicação da Conferência Episcopal Católica da África Austral (SACBC), por ocasião do Ano Novo, o Cardeal Brislin refletiu sobre o significado histórico e eclesial da criação da Hierarquia em 1951, o contexto marcado pelo apartheid, os desafios enfrentados pela Igreja e o percurso atual de esperança e corresponsabilidade sinodal. O que significa o estabelecimento da Hierarquia O Cardeal começou por esclarecer o sentido do termo “hierarquia” no contexto desta celebração jubilar. “Falamos da hierarquia de diferentes formas na Igreja Católica; muitas vezes, refere-se ao que as pessoas têm em mente… uma espécie de estrutura piramidal… do Santo Padre, depois, os bispos, os sacerdotes e, por fim, os leigos.” No entanto, explicou que, neste caso, o termo assume um significado mais concreto e histórico. “Neste sentido, a hierarquia refere-se realmente à estrutura da Igreja, neste caso, à da África Austral.” Esse processo implicou a criação de dioceses, a nomeação de bispos e a transição de territórios missionários — então designados vicariatos — para Igrejas locais plenamente estruturadas. “Significa que foram estabelecidas várias dioceses, foram nomeados bispos… e que, posteriormente, foi criada a Conferência Episcopal Católica da África Austral.” Atualmente, a SACBC, aprovada pela Santa Sé, reúne os bispos das províncias eclesiásticas da Cidade do Cabo, Durban, Pretória, Joanesburgo e Bloemfontein, abrangendo 26 dioceses na África do Sul, duas no Botswana e uma em Eswatini. Sobre esta estrutura, o Cardeal sublinhou: “É algo pelo qual devemos estar verdadeiramente muito gratos hoje… pois permitiu à Igreja crescer e assegurou um bom cuidado pastoral das pessoas nas suas diversas dioceses e paróquias.” Uma Hierarquia nascida em tempos difíceis O Cardeal Brislin situou o estabelecimento da Hierarquia no contexto histórico de 1951, um período profundamente marcado pelo apartheid. “Pensemos em 1951… foi uma época em que o apartheid estava no seu auge.” Após as eleições de 1948, a Igreja enfrentou um sistema caracterizado pela “discriminação, exclusão e opressão”, uma realidade que moldou fortemente a missão profética dos bispos sul-africanos. Nesse período, países como o Lesoto e a Namíbia — inicialmente parte da mesma Conferência — optaram por criar as suas próprias conferências episcopais. “Sentiram que tinham necessidades específicas nos seus próprios países e que seria melhor formarem as suas próprias conferências episcopais.” Na África do Sul, porém, a Igreja viveu o que o Cardeal descreveu como “dias terríveis”, incluindo ataques diretos à educação católica e aos princípios fundamentais da fé cristã. “Houve um ataque concertado à educação católica… mas também aos próprios princípios da nossa fé cristã.” Um percurso mais longo de fé e missão O jubileu dos 75 anos insere-se numa história muito mais ampla da presença católica na África Austral, iniciada séculos antes. A primeira missa registada na região remonta a 1487–1488, após a chegada de Bartolomeu Dias à Baía de Walvis. Contudo, durante séculos, a ação missionária católica foi limitada ou proibida, particularmente durante os períodos coloniais holandês e britânico. Só no século XIX a Igreja começou a adquirir uma estrutura institucional visível, com a nomeação de Dom Raymond Griffith, em 1837, como Vigário Apostólico do Cabo e primeiro bispo da África do Sul. Quando o Papa Pio XII estabeleceu a Hierarquia em 1951, a Igreja ainda dependia fortemente de missionários estrangeiros. Apesar disso, ao longo do século XX, a Igreja Católica na região cresceu de forma significativa, tornando-se uma das maiores comunidades cristãs da África Austral e uma voz moral relevante durante a luta contra o apartheid. O caminho a seguir: uma Igreja sinodal Questionado sobre o futuro após 75 anos, o Cardeal Brislin apontou para o plano pastoral dos bispos e para o caminho da sinodalidade. “O plano pastoral identifica claramente as nossas áreas de preocupação… as áreas em que sentimos que temos de responder enquanto Igreja.” Sublinhou, contudo, que se trata de um processo contínuo e flexível, adaptável às realidades de cada diocese. O mesmo se aplica à sinodalidade, que descreveu como “um processo em curso” e “uma caminhada de descoberta”. “É uma caminhada que fazemos juntos — a hierarquia, os bispos, os sacerdotes, os religiosos e o povo da África Austral.” O jubileu e a ação das paróquias As celebrações do 75.º aniversário decorrerão ao longo de todo o ano, com a missa de abertura marcada para domingo, 25 de janeiro, na Igreja Católica das Bem-Aventuranças, em Zwavelpoort, Pretória Leste. Para o Cardeal, o jubileu deve ser vivido sobretudo nas paróquias. “Como podemos tornar este ano verdadeiramente especial para dar graças a Deus?” “Antes de mais, para agradecer a Deus e, depois, para pedir com confiança a Sua bênção para o futuro.” Comunhão com Roma: a participação no Consistório Neste contexto jubilar, o Cardeal Stephen Brislin prepara-se também para viajar ao Vaticano, onde participará no primeiro Consistório Extraordinário do Papa Leão XIV, marcado para 7 e 8 de janeiro de 2026. Segundo a Santa Sé, o encontro será um tempo de oração, reflexão e fraternidade, destinado a oferecer apoio e aconselhamento ao Santo Padre no exercício da sua responsabilidade no governo da Igreja universal. O Cardeal Brislin considerou a convocação do Consistório um passo decisivo do novo Pontífice. “Penso que é um passo muito, muito importante da parte do Papa Leão convocar este consistório.” Recordou que, durante o conclave de 2025, se tornou evidente que muitos cardeais não se conheciam bem, devido à ausência prolongada de encontros. “Nós somos chamados a ser os colaboradores mais próximos do Santo Padre.” Entre os temas a abordar, destacou-se a liturgia, em particular a celebração da Missa. “A Eucaristia é a fonte e o cume da vida cristã.” O Cardeal sublinhou a importância de celebrar a liturgia com dignidade, reverência, mas também com alegria. Uma mensagem de esperança Concluindo a entrevista, o Cardeal Brislin deixou uma mensagem de esperança para o novo ano, em sintonia com o Jubileu da Esperança. “Há tanta bondade no mundo. Existem tantos sinais da presença de Deus.” Apesar das dificuldades, convidou os fiéis a não cederem ao desânimo. “Acreditamos na salvação e acreditamos que Cristo está sempre connosco; por isso, independentemente das dificuldades, estamos dispostos a manter viva a esperança nos nossos corações.” E deixou um apelo final: “Dai graças a Deus pela vossa fé e vivei a vossa fé.”

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