Realizou-se de 8 a 12 de dezembro de 2025, em Lomé, no Togo, o 9º Congresso Pan-africano para repensar a África e traçar estratégias que lhe permitam reafirmar-se no mundo. A Declaração Final sublinha o imperativo da união entre o continente e a sua Diáspora como condição indispensável para um pan-africanismo renovado, capaz de garantir um desenvolvimento assente em valores endógenos e de impulsionar o contributo da África para uma ordem mundial mais justa.
Dulce Araújo - Vatican News "África em Clave Cultural: personagens e eventos", o programa semanal do Programa Português-África da Rádio Vaticano dedicou a sua emissão deste dia 1 de janeiro de 2026 ao 9º Congresso Pan-africano que se realizou em meados de dezembro de 2025, na capital togolesa, para reflectir e lançar um pan-africanismo renovado e trabalhar para a sua realização, unindo os esforços do continente e da sua diáspora. Foi uma iniciativa promovida pela UA, por pensadores da África e da Diáspora e que reuniu figuras de todos os quadrantes, assim como numerosos jovens de várias partes do continente, e de "nações afrodescendentes" como o Brasil, a Colômbia, e outros. A crónica do escritor e editor, Filinto Elísio (Rosa de Porcelana Editora) dá uma visão global do Congresso de Lomé, enquanto que Filomeno Lopes, jornalista e filósofo, analisa alguns aspetos do Congresso, nomeadamente os pilares do discurso de abertura, pronunciado pelo Presidente da República do Togo, Faure Gnassingbe Eyadema, e chama a atenção para o desafio da atuação da "Declaração Final", um importante e rico roteiro dos caminhos a percorrer para o melhoramento da vida dos africanos e afrodescendentes no mundo. Crónica Sobre o 9º Congresso Pan-africano de Lomé O 9º Congresso Pan-Africano de Lomé, em dezembro de 2025, surgiu num momento histórico oportuno para coordenar as diversas iniciativas dispersas empreendidas por várias agências em prol da redenção da África e de seus povos. Esta sessão do Congresso, tendo o Brasil como país convidado, permitiu a aprovação da Declaração de Lomé, reafirmando o "renascimento do pan-africanismo" e convocando a unidade para enfrentar desafios. Permitiu ainda redefinir o lugar da África e de suas diásporas na Governança Mundial. Tratou-se de mais um marco inscrito na Década das Raízes Africanas e da Diáspora Africana (2021-2031), uma plataforma que busca consolidar laços e fortalecer as múltiplas contribuições dos afrodescendentes para o desenvolvimento sustentável do continente, conforme estabelecido na Agenda 2063. Tal plataforma busca também preparar, promover e apoiar projetos, iniciativas e eventos de pessoas de ascendência africana. Ao mesmo tempo que visa contribuir para impulsionar um pan-africanismo reinventado num mundo policêntrico nas crises e transições. A adoção da Década das Raízes Africanas e da Diáspora Africana foi, aliás, uma resposta à solicitação inicial feita pela República do Togo em fevereiro de 2020, durante a 33ª Sessão Ordinária da Assembleia de Chefes de Estado e de Governo da União Africana. No ano seguinte, a União Africana aprovou a decisão de criar um Comité de Alto Nível para a implementação da agenda da Década das Raízes Africanas e da Diáspora Africana, incumbindo o Togo de liderá-lo. Diversas reuniões desse comité foram realizadas. Na 6ª sessão do Comité decidiu-se que seis conferências regionais preparatórias seriam organizadas nas seis regiões da União Africana, como etapa preparatória para o que seria o grande encontro do 9º Congresso Pan-Africano: Norte da África, África Austral, África Oriental, África Ocidental, África Central e Diáspora. Entre outras coisas, fora lançada a Área de Livre Comércio Continental Africana, em 2018, em consonância com a Agenda 2063, com o objetivo maximizar o potencial económico africano e consolidar o mercado interno do continente. Durante todo o processo de consolidação do Congresso Pan-Africano, diversos países assumiram a liderança na organização de atividades direcionadas a temas específicos. Além dos projetos liderados pelo Togo - a Década das Raízes Africanas e da Diáspora Africana (2021-2031) e o 9º Congresso Pan-Africano -, a Costa do Marfim foi designada para lançar a segunda década da Agenda 2063, que defende claramente a unificação política e econômica da África. O Gana sediou uma importante conferência sobre reparações em novembro de 2023. A União Africana decidiu formar uma frente unida em prol das reparações, que estão se tornando um tema central nos debates sobre o pan-africanismo, bem como em fóruns internacionais. O Quénia e a União Africana coorganizaram uma importante conferência sobre justiça climática de 4 a 6 de setembro de 2023, em Nairobi. Durante essa Cúpula Africana do Clima, os participantes defenderam o crescimento verde, a industrialização verde e a liberdade e justiça econômica para a África. Para além da Campanha a favor das Reparações, a justiça climática e o apelo pela liberdade económica, alguns fatores unificadores do Congresso Pan-africano são: a Campanha pela Restituição de Artefactos Culturais Africanos; o apelo por uma responsabilidade social corporativa autêntica; a eliminação da dívida dos países africanos e caribenhos; o fortalecimento da Diáspora, a reivindicação da Filosofia Ubuntu, cujos valores, como partilha, consenso e humanismo, servem como pilares para a revolução espiritual, cultural, política e económica da África. A ano de 2025 fechou-se com o mote do Renascimento Africano e o papel da África na reforma das instituições multilaterais: mobilizar recursos e reinventar-se para agir.