A comunicação daquele Galileu - Vatican News via Acervo Católico

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A comunicação daquele Galileu - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

"Perpassando o Dia Mundial das comunicações, que celebramos na Festa da Ascenção do Senhor, o Papa pede que na comunicação possamos revelar rostos e não deturpá-los pelos sistemas digitais".

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano A Instrução Pastoral Communio et Progressio sobre os Meios de Comunicação Social, publicada em 23 de maio de 1971, destaca a comunicação como instrumento fundamental para promover a comunhão humana, o entendimento entre os povos e a construção da paz. Inspirado pelas orientações do Concílio Vaticano II, especialmente pelo Decreto Inter Mirifica, o texto reconhece a importância dos meios de comunicação social na formação cultural, ética e espiritual da sociedade. O documento também enfatiza a responsabilidade moral dos comunicadores e dos receptores da informação, defendendo uma comunicação baseada na verdade, na justiça e no respeito à dignidade humana. Nesse contexto, Jesus Cristo é apresentado como modelo perfeito de comunicador, pois sua mensagem era transmitida com clareza, proximidade e amor ao próximo. Jesus utilizava parábolas, exemplos do cotidiano e uma linguagem acessível para alcançar diferentes públicos, sempre promovendo acolhimento, esperança e transformação. Sua comunicação não se limitava às palavras, mas era confirmada por suas atitudes e pela coerência entre discurso e prática, tornando-se referência ética para todos aqueles que trabalham com a comunicação. Precisamente neste contexto, Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje "A comunicação daquele Galileu": "Papa Leão afirmou, em suas Audiências Gerais, que a Igreja não é simplesmente um clube, uma ONG, uma associação humana, uma obra de cunho social desvinculada do divino.: “Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu (LG, 8; CIC, 771)”. Para iluminar esta condição eclesial, a Lumen Gentium refere-se à vida de Cristo. A luz da Igreja se reflete a partir de Cristo, luz para os povos, luz das nações. A Igreja é Lumen Gentium não por si mesma, mas enquanto reflete a luz do Ressuscitado. Com efeito, quem encontrava Jesus ao longo das estradas da Palestina, experimentava a sua humanidade, os seus olhos, as suas mãos, o som extraordinário da sua voz. Quem decidia segui-lo era impelido precisamente pela experiência do seu olhar acolhedor e cativante, pelo toque das suas mãos abençoadoras, pelas suas palavras de libertação, de cura e salvação. Mas ao mesmo tempo, seguindo aquele Homem, com “H” maiúsculo, os discípulos abriam-se ao encontro com Deus. Sim, a carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam de modo visível o Deus invisível. O rosto de Deus, escondido a Moisés e a tantos profetas, finalmente agora é contemplado no rosto revelador do Homem de Nazaré, filho não simplesmente de um carpinteiro, mas do Deus verdadeiro e único Senhor da História e do Universo. Perpassando o Dia Mundial das comunicações, que celebramos na Festa da Ascenção do Senhor, o Papa pede que na comunicação possamos revelar rostos e não deturpa-los pelos sistemas digitais. Buscamos nós resgatar rostos humanos, a partir daquele divino rosto daquele que revelou a face de Deus.  Para tanto, em algumas semanas, queremos refletir sobre a comunicação deste que foi o maior comunicador do planeta: Jesus Cristo. Na plenitude dos tempos, Sua Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Tornou-se forma de comunicação e comunhão, ponte entre o humano e divino, o abraço do céu com a terra. Tornou-se o arquétipo da comunhão entre os homens e dos homens com Deus. A COMISSÃO PONTIFÍCIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, nos aponta assim no documento Communio et Progressio sobre os MCS: “...é um Deus feito Homem, nosso irmão, que se encontra o fundamento e protótipo da comunicação entre os homens” É o modelo de comunicador. A fundadora do Movimento Focolares, que tem como bandeira a unidade, Chiara Lubich, escrevia assim|: “Jesus era um grande comunicador: ‘Jamais um homem falou como ele...’ (Jo 7,46), ‘o povo todo ficava fascinado ao ouvi-lo falar’ (Lc 19,48), admitiam os seus contemporâneos”. Jesus se fez entender com todos os recursos da linguagem da época: a palavra, os gestos, o silêncio, as histórias, as estórias, as parábolas, os milagres, o testemunho... Jesus fala a língua do povo de seu tempo. Escolhe nas parábolas muitas imagens agropastoris da sua época. Ele escolheu formas e lugares para uma comunicação mais atraente e adequada. Jesus soube usar linguagem atraente quando era necessário. Falou por meio de parábolas. Quando proclamou o Sermão da Montanha escolheu um local em que a acústica era adequada para que todos o ouvissem, e de maneira confortável. Todos podiam se acomodar. Por meio desses recursos, o mestre da Galileia veio criar amor-comunhão, que é o grandioso ato de comunicar. Ensinou na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,59), no templo (cf. Jo 7,15), perto do lago (cf. Jo 6,25) e em qualquer lugar. Falava para as multidões, para os doentes, para os grupos, para os apóstolos à parte ou para pessoas isoladas, como foi o caso de Nicodemos, no período da noite (cf. Jo 3,2). Em sua promessa, garantiu que, onde dois ou mais estivessem reunidos em seu nome, ele se achegaria para entrar no “chat” (Mt 18,20), na vídeo-chamada, na comunhão fraterna, tal como fez no caminho de Emaús. O comunicador de Nazaré falou por meio de parábolas, histórias e estórias comparativas para falar do Reino, comparando-o com as coisas simples do cotidiano. Com os sinais e milagres, confirmava os seus discursos e homilias, carimbando-os com o passaporte da verdade e da lealdade". *Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS. _______________ COMISSÃO PONTIFÍCIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, Communio et Progressio sobre os MCS, Vozes, 1971, número 10, p. 6. LUBICH, Chiara. PERSPECTIVAS DE COMUNHÃO. Revista de Espiritualidade e Pastoral, ano XII 5  set-out. São Paulo: 2000, p.11. CNBB, Grupo de Estudos, 2001, 7.

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