A necessidade da água para a Inteligência humana e artificial - Vatican News via Acervo Católico

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A necessidade da água para a Inteligência humana e artificial - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

A água é um dom da natureza para todos. Olhando para o nosso planeta Terra, 71% de sua superfície é coberta por água, sendo que 97,5% desse total está nos oceanos (água salgada) e apenas 2,5% é água doce e, a maior parte desta última está congelada

Dom Oriolo - Bispo da Igreja Particular de Leopoldina MG No ano de 2004, quando exercia o ministério sacerdotal, na Basílica Nossa Senhora do Carmo em Borda da Mata, comentei com   meu saudoso pai sobre o tema da Campanha da Fraternidade daquele ano: “Água fonte de vida”. Falei sobre a necessidade de conscientizar o povo de Deus, sobre o valor da água e seu desperdício em nossas vidas. Ele, então, partilhou uma memória: seu avô já dizia, décadas atrás, que a água seria um artigo de luxo, um copo de água seria vendido. Na infância, meu pai achou aquela previsão absurda. Naquele momento, porém, tive que lembrá-lo da realidade: o que parecia impossível para o seu avô estava começando a se tornar realidade em nosso cotidiano. A água é um dom da natureza para todos. Olhando para o nosso planeta Terra, 71% de sua superfície é coberta por água, sendo que 97,5% desse total está nos oceanos (água salgada) e apenas 2,5% é água doce e, a maior parte desta última está congelada. Deixando de lado os processos de evaporação e o ciclo que retorna à terra, o foco que quero trazer é que nós, seres humanos, necessitamos muito da água. Assim, cuidar do planeta é cuidar dessa fonte de vida. Na conferência Raising Hope (Espalhando Esperança) realizada em outubro de 2025, em Castel Gandolfo, que marcou os 10 anos da encíclica Laudato Si, papa Leão XIV abençoou um bloco de gelo proveniente da Groelândia como símbolo da urgência climática global. A água resultante desse derretimento, trazida ao Brasil pelo movimento Laudato Si veio para o Santuários Nacional de Aparecida, para Santuário Cristo Redentor e para a COP 30. Esse gesto representa a presença pastoral e profética da Igreja no debate global, reforçando a mensagem de que cuidar da água e cuidar da casa comum são dimensões de fé e justiça. No entanto, a água é um dom vital para o planeta e, primordialmente, para a nossa inteligência. No campo humano, a hidratação é essencial para a sobrevivência básica e para o pleno funcionamento cognitivo. Beber água ao longo do dia melhora o desempenho mental, a memória, a concentração e até o humor, pois, com o cérebro devidamente hidratado, os neurônios comunicam-se de maneira mais eficiente. Curiosamente, essa necessidade estende-se à Inteligência Artificial (IA). Ela necessita de água para resfriar os data centers, que são grandes fábricas de computadores, onde os algoritmos rodam, gerando muito calor e precisam de sistemas de resfriamento à base de água para funcionar. Segundo um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside, a cada comando de 20 a 50 perguntas nos aplicativos de IA generativa que produzem textos, vídeos, códigos, áudios e vídeos podem evaporar em torno de meio livro de água, isto é, para gerar uma única imagem o ChatGPT pode também consumir 500 ml de água. Assim sendo, a popular expressão estar nas nuvens esconde uma realidade física e térmica: os dados gerados instantaneamente ao acessarmos redes sociais, aplicativos de inteligência artificial ou mensagens aquecem processadores em escala global. Quando essas informações chegam aos inúmeros data centers (centros de processamento e armazenamento), exigem sistemas robustos de resfriamento. Por essa razão, empresas como a Microsoft realizaram experimentos instalando data centers a cerca de 30 a 40 metros de profundidade no oceano, utilizando a temperatura da água marinha para dissipar o calor. Sem o uso estratégico de recursos hídricos ou sistemas avançados de refrigeração, a infraestrutura que sustenta a IA simplesmente não suportaria a carga de processamento. No entanto, a água, embora essencial para a biologia humana e para a engrenagem da Inteligência Artificial, encontra no homem, imagem e semelhança do Criador, o seu primeiro gestor e, muitas vezes, o seu maior agressor. Não podemos ignorar que as transformações ambientais que hoje interferem no equilíbrio do planeta, simbolizadas pelo gelo da Groenlândia que derreteu e percorreu santuários, são frutos da ação humana. Se de um lado a IA demanda um alto custo hídrico para existir, por outro, ela deve ser direcionada por nossa inteligência moral para se tornar uma aliada estratégica. Cabe a nós, seres humanos, dotados de racionalidade e sabedoria, utilizar a tecnologia não para o desperdício, mas para monitorar a nossa saúde e a da casa comum. Cuidar da água, essa fonte de vida, é garantir que o retrocesso tecnológico não ocorra. Afinal, a Inteligência Artificial pode processar infinitos dados, mas cabe exclusivamente à Inteligência Humana a sensibilidade de entender que, sem água, não há futuro: nem nas nuvens da tecnologia, nem no solo da criação.

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