Uma série de eventos dedicados ao oitavo centenário da morte do Pobrezinho de Assis teve início na última segunda-feira à noite em Abu Dhabi. Na abertura das celebrações, Martinelli, vigário apostólico da Arábia do Sul, recordou como Francisco aprendeu, "a partir do seu encontro com Cristo", a fraternidade e o diálogo com todos os seres humanos e com a criação. Conferências e oficinas também serão realizadas em Omã no final de outubro e início de novembro.
Roberto Paglialonga – Vatican News Oitocentos anos após sua morte, São Francisco de Assis foi o tema central de um encontro em Abu Dhabi dedicado à relevância de sua mensagem na Península Arábica.
O evento, intitulado "800º Aniversário do Trânsito de São Francisco de Assis – Um legado de Assis para os Emirados", ocorreu em 19 de outubro de 2026, no Instituto Italiano de Cultura em Abu Dhabi, como parte da "Semana da língua italiana no mundo".
A relevância do legado de São Francisco no Golfo Uma oportunidade para redescobrir não apenas a contribuição do Pobrezinho de Assis para a cultura e espiritualidade italianas, mas também a relevância de seu legado no Golfo, onde o diálogo entre diferentes culturas e religiões faz parte do cotidiano.
O encontro foi organizado pelo Vicariato Apostólico da Arábia do Sul, pela Embaixada da Itália nos Emirados Árabes Unidos e pelo Instituto Italiano de Cultura, sob o patrocínio do Comitê para as Comemorações do oitavo centenário da morte de São Francisco.
Recebidos por Susanna Salafia, Diretora do Instituto Italiano de Cultura em Abu Dhabi, os participantes foram o vigário apostólico Paolo Martinelli; o embaixador da Itália Lorenzo Fanara; o diretor do Escritório de Diálogo Inter-religioso e Ecumênico (IFEDO) do Vicariato, padre Stefano Luca; Roberto Catalano, professor do Instituto Universitário Sophia; e o xeique Ali bin Abdullah Al Mualla, artista visual e engenheiro emiradense.
Fraternidade, paz e diálogo Martinelli deteve-se particularmente no Cântico do Irmão Sol, uma das primeiras composições poéticas da literatura italiana, enfatizando como os escritos de Francisco são "extraordinariamente intensos, profundos e inovadores".
De fato, acrescentou, "ainda hoje o celebramos como um dos homens que mais influenciaram a vida da Igreja e inovaram a cultura".
Seus escritos também refletem os três pilares que caracterizaram e "transformaram" sua vida: "Fraternidade, paz e diálogo".
Esses textos, continuou o vigário apostólico, despertaram interesse universal ao longo dos séculos, não apenas entre os franciscanos.
Um interesse que "cresceu na era moderna e contemporânea" e que ofereceu "a oportunidade de redescobrir um Francisco original, no qual ele mesmo fala de sua vida e da Ordem que fundou".
O encontro com Cristo Francisco, além disso, "não nasceu homem de paz" e era fascinado pelas ordens de cavalaria, "mas tornou-se um aprendendo com seus fracassos, com o horror da guerra que vivenciou", explicou o bispo, referindo-se à experiência pessoal do santo. "Profundamente tocado por seu encontro com Cristo, tornou-se um homem de paz e reconciliação, de misericórdia, um construtor de pontes." Da mesma forma, para ele, a fraternidade também nasce da conversão, por meio de encontros decisivos, como o com os leprosos.
Francisco "testemunha que a mudança é possível na vida": Cristo revela a ele que "há um só Pai para todos e que somos todos filhos de Deus, irmãos e irmãs".
E daí vem sua experiência de fraternidade não apenas com as pessoas, mas também com a criação e até mesmo com a morte; assim como o diálogo, inclusive "com aqueles que seguem outras religiões", como aconteceu com o sultão al-Malik al-Kamil, citado no Capítulo XVI da "Regra não selada".
Tanto que, em sua obra, ele diz a seus frades que vão entre os muçulmanos a não se deixarem envolver "em brigas ou disputas", mas a se submeterem "a toda criatura humana por amor a Deus", confessando "ser cristãos; ... e quando verem que isso agrada ao Senhor, proclamar a palavra de Deus".
Um apaixonado por Deus O padre Luca ressaltou esse sentimento, explicando que, além das muitas imagens estereotipadas que retratam o Pobrezinho "como um filantropo, um ambientalista ou um promotor da paz", ele era, na realidade, antes de tudo "um homem apaixonado por Deus": ainda hoje, ele "testemunha como a religião, a espiritualidade e a sociedade podem se enriquecer mutuamente".
Enquanto o professor Catalano explorou "o vínculo entre São Francisco e o Papa Francisco, particularmente através do conceito de fraternidade", Al Mualla falou da conexão entre sua arte, feita com materiais descartados, a sustentabilidade e o amor franciscano pela criação.
O embaixador Fanara, por sua vez, destacou os valores significativos de São Francisco que também inspiram a política externa italiana (entre eles, o diálogo e a compreensão mútua).
Dia de formação para o Vicariato em 22 de outubro A noite faz parte de um rico calendário de celebrações que marcam o aniversário de 800 anos do Trânsito de Francisco ao céu.
Na quinta-feira, 22 de outubro, sacerdotes, religiosos e líderes pastorais de todo o Vicariato se reunirão na Catedral de São José, em Abu Dhabi, para o "Dia de Formação AVOSA", uma oficina intitulada "São Francisco de Assis: Um legado que continua para nosso Vicariato".
O programa será aberto com uma meditação introdutória do vigário Martinelli sobre o tema "O impacto duradouro da experiência cristã de São Francisco".
O padre Domenico Lo Sardo, da Pontifícia Universidade Antonianum, e o professor Roberto Catalano, do Instituto Universitário Sophia, oferecerão reflexões sobre "O papel e o impacto das Sagradas Escrituras na vida e nos escritos de São Francisco" e sobre "Construir pontes de diálogo no Espírito de Assis".
Eventos em Omã Alguns eventos se realizarão em Omã.
Nos dias 29 e 30 de outubro, haverá duas reflexões sobre "São Francisco e o Sultão"; enquanto nos dias 5 e 6 de novembro, em Mascate, serão realizados dois eventos sobre "São Francisco sob a ótica de Giotto".