Afeganistão: 20 milhões de pessoas sem segurança alimentar

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Afeganistão: 20 milhões de pessoas sem segurança alimentar
Fonte: VATICANO

No país afegano, controlado pelos Talibãs, a pobreza impede que muitas famílias tenham acesso a alimentos, enquanto a desnutrição ameaça a saúde das crianças. Atrás dos números da análise mais recente da ‘Classificação integrada de segurança alimentar’ (IPC), - citada pela FAO e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) – oculta-se uma tragédia, que afeta 38% da população: quase 4 em cada 10 pessoas encontram-se em situação de emergência alimentar.

Francesco Citterich -  Vatican News A fome continua avançando, silenciosa e implacável, no Afeganistão, entrando nos lares, esvaziando as despensas e ameaçando, sobretudo, os mais jovens.

Por trás dos números da mais recente análise da Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC), citada pela FAO e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), oculta-se uma tragédia, que envolve 20 milhões de afegãos ou 38% da população.

Quase 4 em cada 10 habitantes encontram-se em situação de emergência alimentar e correm o risco de ver suas condições piorarem cada vez mais.

Trata-se de uma crise que ameaça, não apenas a sobrevivência diária, mas também a saúde e o futuro de toda uma geração.

Cenário pior que 2025 O cenário está piorando de modo significado: no mesmo período do ano passado, 17,4 milhões de pessoas eram indigentes.

Doze meses depois, este número aumentou para cerca de 2,5 milhões, apesar de o país ter registrado uma colheita agrícola positiva.

Um paradoxo dramático: produzir mais grãos não significa necessariamente ser capaz de alimentar a população.

A pobreza generalizada, as dificuldades econômicas e as barreiras de acesso aos alimentos impedem milhões de famílias de comprar itens de primeira necessidade, a ponto de transformar até as necessidades mais básicas em uma luta diária.

Para muitas pessoas, comer todos os dias tornou-se um desafio, enfrentado com recursos cada vez mais limitados.

Quando acaba o dinheiro, as refeições são limitadas, a qualidade dos alimentos diminui e o pouco que resta precisa ser dividido com todos os membros da família.

Esta condição afeta, de modo particular, os mais vulneráveis ​​e pode levar a consequências terríveis, quando a falta de nutrientes persiste ao longo do tempo.

Crianças mais afetadas pela emergência O aspecto mais dramático da emergência concentra-se nas crianças: mais de quatro milhões de crianças afegãs vão precisar, no próximo ano, de tratamento para desnutrição, o maior número em cinco anos.

Entre elas, mais de um milhão correm o risco de desenvolver a forma mais grave, potencialmente letal.

Para as crianças, a fome não significa apenas sofrer pela falta de alimentos, mas também ver seu crescimento, desenvolvimento físico e saúde ameaçados.

Um corpo enfraquecido pela desnutrição torna-se mais vulnerável a infecções e outras complicações.

Sem nutrição adequada e cuidados oportunos, as consequências podem ser irreversíveis.

Para além desses números, estão as famílias, incapazes de prover alimentos suficientes para seus filhos, pais forçados a lidar com recursos insuficientes e comunidades em uma situação precária, da qual é difícil escapar.

Por outro lado, a desnutrição também pode nutrir um ciclo vicioso: enfraquecer o corpo, aumentar o risco de doenças e tornar mais difícil uma recuperação completa.

Milhões de crianças correm o risco terem um futuro comprometido antes mesmo de terem a oportunidade de crescer e aprender.

Uma boa colheita é um elemento positivo, mas não resolve o problema da acessibilidade econômica.

Os alimentos podem estar disponíveis, mas não para os que mais precisam.

Esta é uma das principais questões da crise afegã: a produção agrícola, por si só, não é suficiente para combater a fome, se as famílias não tiverem os recursos necessários para comprar alimentos.

Pobreza: problema estrutural Diante de uma emergência de tais dimensões, a ajuda humanitária é essencial.

Intervenções nutricionais, tratamento para crianças desnutridas e apoio às famílias mais vulneráveis ​​são necessários para evitar que a crise se transforme em uma catástrofe ainda mais grave.

Ao mesmo tempo, as causas estruturais da insegurança alimentar devem ser abordadas, para evitar que milhões de pessoas continuem dependendo, exclusivamente, de intervenções emergenciais.

Os dados divulgados pela FAO e o PMA revelam uma tragédia que não pode ser ignorada: 20 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar e mais de quatro milhões de crianças precisam de tratamentos.

A pobreza continua impedindo que grande parte da população possa satisfazer uma necessidade fundamental, enquanto a desnutrição ameaça deixar consequências duradouras para as gerações futuras.

No Afeganistão, a fome corre o risco de tornar-se uma maldição para milhões de pessoas e roubar o futuro das crianças.

Para elas, cada dia sem comida suficiente é uma luta pela sobrevivência.

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