O prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, cardeal George Jacob Koovakad, fez uma intervenção na celebração do “Ahimsa Day” no Parlamento britânico, iniciativa organizada pelo "Institute of Jainology": “a não violência, a família, o desenvolvimento sustentável, o cuidado com a Terra e a promoção da paz são os pontos fundamentais que sempre uniram católicos e jainistas”, disse ele.
Francesco Ricupero - Vatican News “A não violência, a família, o desenvolvimento sustentável, o cuidado com a Terra e a promoção da paz são os pontos fundamentais que sempre uniram os católicos aos jainistas”.
Foi o que afirmou na noite de domingo, 18 de outubro, em Londres, o cardeal George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, por ocasião da celebração do “Ahimsa Day” no Parlamento britânico, organizado pelo Institute of Jainology.
Ao longo do caminho do diálogo O cardeal lembrou que, “nossa relação tem uma história significativa.
O contato direto entre a comunidade jainista e a Santa Sé teve início em 1986, quando São João Paulo II convidou para Assis, Acharya Shri Tulsi, o falecido líder espiritual supremo da comunidade jainista Shwetambara Terapanth, para rezar pela paz.
Acharya enviou um representante para aquele encontro histórico.
Em 1995, uma delegação internacional jainista, liderada por L.
M.
Singhvi encontrou-se com São João Paulo II, presenteou-o com o Tattvartha Sutra e recebeu sua bênção para prosseguir no caminho do diálogo.
A não violência é nossa casa comum Essa relação se aprofundou ao longo dos anos. “Em 2011, uma delegação internacional jainista manteve conversações formais com o então Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e encontrou o Papa Bento XVI.
Os representantes jainistas", prosseguiu o cardeal, "participaram da cerimônia de início de pontificado do Papa Francisco e de diversas iniciativas do Vaticano centradas na fraternidade, na não violência e em nossa casa comum.
Os votos de felicidades e a mensagem que o Dicastério envia anualmente por ocasião do Mahavir Janma Kalyanak Diwas, assim como os votos que a comunidade jainista dirige à Santa Sé por ocasião do Natal e da Páscoa, constituem mais um importante meio de fortalecer a amizade e a solidariedade espiritual” entre as comunidades.
Segundo Koovakad, “o jainismo possui uma das concepções de não violência mais completas e rigorosas de toda a humanidade: evitar causar dano aos seres vivos, em pensamento, palavra e ação. Em um mundo ferido por guerras, terrorismo, ódio, discriminação e exploração da natureza, a Ahimsa oferece uma mensagem poderosa e mais atual do que nunca.
Também para os cristãos", explicou ele, a não violência tem suas raízes na vida e nos ensinamentos de Jesus Cristo, que disse a seus discípulos de amar seus inimigos e exortou Pedro a guardar a espada.
Como ensinou o Papa Bento XVI, a não violência cristã não significa render-se ao mal, mas responder ao mal com o bem (Angelus, 18 de fevereiro de 2007).
O Papa Francisco convidou, portanto, os fiéis a fazer da não violência ativa um estilo de vida (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 2017).
Não se trata nem de fraqueza nem de indiferença, mas de um compromisso corajoso em favor da justiça, da reconciliação e da paz”.
Em memória de São Francisco, “homem de paz” Este ano, a Igreja Católica comemora os 800 anos da morte do Pobrezinho de Assis.
O prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso destacou que "São Francisco continua sendo um ícone de paz, simplicidade, fraternidade e cuidado com a criação.
Sua visão de todas as criaturas como irmãos e irmãs encontra uma ressonância significativa na convicção jainista sobre a interdependência e a sacralidade da vida”.
A esse respeito, o cardeal lembrou que na próxima terça-feira, 27 de outubro, “será celebrado o quadragésimo aniversário do evento de Assis de 1986.
Em uma época marcada por guerras, violência, divisões e destruição ambiental, São Francisco – 'homem de paz' – e o 'espírito de Assis' – entendido como as religiões unidas para promover a paz –, juntamente com a tradição jainista, nos convidam a abraçar a fraternidade, a solidariedade e a não violência em prol da paz no mundo”.
Trabalhar juntos pelo bem comum O cardeal não tem dúvidas ao afirmar que “o diálogo entre pessoas de diferentes tradições religiosas é essencial, pois promove relações cordiais baseadas no respeito e na compreensão mútuos”.
O diálogo entre católicos e jainistas “nos permite colaborar pelo bem comum, mantendo-nos fiéis às nossas respectivas identidades religiosas”.
As visões jainistas sobre a “ahimsa” (não violência), o autocontrole, o desapego dos bens materiais, a interconexão da vida, a ecologia integral e o uso ético dos recursos mundiais – prosseguiu ele – podem enriquecer nossa reflexão e nosso compromisso em prol da paz.
Da mesma forma, as Bem-aventuranças evangélicas e a doutrina social católica oferecem uma tradição rica e vital, centrada na dignidade humana, na solidariedade, na fraternidade, no cuidado com os pobres e os mais vulneráveis, em nossa ‘casa comum’ e na paz”.
Além disso, o cardeal fez referência a Leão XIV, que “exortou as religiões a serem ‘fermento de unidade em um mundo fragmentado’, pedindo que não fossem utilizadas como armas ou muros, mas sim como pontes e profecia (Intenção de oração para outubro de 2025, Rede Mundial de Oração do Papa)”.
A partir daí, o cardeal expressou o desejo de que o diálogo entre jainistas e católicos sirva de ponte, “capaz de unir as comunidades, educar os jovens, defender a dignidade da vida e responder coletivamente à violência, à pobreza e à crise ecológica. Que possamos abrir nossos corações e caminhar juntos no nobre espírito da Ahimsa!” Por fim, o prefeito parabenizou Abhay Firodia, que este ano recebeu o “Prêmio Ahimsa”.
O encontro com os hindus Na manhã desta segunda-feira (19/10), o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso visitou o templo hindu Shri Swaminarayan e, em seguida, participou do encontro “Hindus e cristãos: juntos para construir um mundo justo e pacífico”, realizado na Brahma Kumaris World Spiritual University.
Dividido em três sessões, o evento foi encerrado com uma meditação e um momento de oração.