Cardeal Radcliffe na Ucrânia: a esperança, principal mensagem dos cristãos em meio às guerras - Vatican News via Acervo Católico

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Cardeal Radcliffe na Ucrânia: a esperança, principal mensagem dos cristãos em meio às guerras - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

O cardeal Timothy Peter Joseph Radcliffe, O.P. está na Ucrânia onde, entre outros, pregou um retiro. O renomado teólogo, escritor e frade dominicano britânico, criado cardeal pelo Papa Francisco em 2024, é conhecido por seu compromisso com a pregação, sua orientação espiritual no Sínodo sobre a Sinodalidade e por seu estilo aberto ao diálogo.

Vatican News Transcrevemos a entrevista do Pe. Mariusz Krawiec, SSP., ao cardeal Timothy Radcliffe, OP, por ocasião de sua visita à Ucrânia, que teve início em 27 de fevereiro: Eminência, o que significa para o senhor esta visita à Ucrânia e estar aqui com o povo ucraniano? Estou extremamente feliz por estar aqui na Ucrânia — um país que visitei pela primeira vez há trinta anos. Vim a convite dos meus irmãos e aceitei com alegria. Sempre que visito um país onde há sofrimento, aprendo alguma coisa. Portanto, vim sobretudo para estar com meus irmãos e irmãs, mas também porque estou convencido de que eles têm muito a me ensinar. Qual é a principal mensagem que o senhor traz consigo? Acho que, quando se chega a algum lugar, não se deve chegar com uma mensagem pronta. É preciso chegar para ouvir, e o que se tem a dizer deve nascer, antes de mais nada, da escuta das pessoas. Portanto, venho não tanto para falar, mas para ouvir. Este é o cerne da sinodalidade: viemos como aqueles que escutam — escutando a Deus e escutando uns aos outros. O retiro que o senhor conduziu em Kiev foi dedicado ao “Pai Nosso”. Por que a escolha desse tema? Em tempos de sofrimento e guerra, a oração é vital. O “Pai Nosso” é a maior de todas as orações, a Oração do Senhor. O próprio Jesus a orou enquanto subia a Jerusalém para sofrer e morrer. Ele fez esta oração olhando para os momentos que se seguiriam — para o momento em que estaria no Jardim do Getsêmani. Portanto, para cada um de nós, especialmente quando enfrentamos o sofrimento, a Oração do Senhor é uma grande dádiva. Estamos aqui em Kiev sob bombardeio russo, e nossos irmãos e seu amigo Łukasz estão em Jerusalém. Vemos que começou uma nova etapa da guerra. Poderia comentar sobre a situação — na Ucrânia e na Terra Santa? É verdade: vemos cada vez mais violência em todos os lugares. Este é um momento em que guerras estão eclodindo em muitos lugares — não apenas na Europa ou no Oriente Médio, mas também na África, incluindo o Sudão do Sul. E mais do que nunca, precisamos de um testemunho cristão de que a paz é possível, de que a guerra não é inevitável. Em tempos de guerra, somos chamados a ser pessoas de esperança. Eu diria que a principal mensagem dos cristãos hoje é a esperança. Nosso Sacramento da Eucaristia foi instituído em um momento em que parecia não haver mais esperança — durante a Última Ceia, quando apenas morte e violência estavam à nossa frente. Foi precisamente então que Jesus se entregou. E este é o nosso grande Sacramento da esperança. Portanto, minha única mensagem para o povo da Ucrânia ou de qualquer lugar onde a guerra continue é esta: depositamos nossa esperança no Senhor. Sua paz prevalecerá no final. Seu livro ‘As Sete Últimas Palavras’ foi publicado em ucraniano. Como o senhor o descreveria? Este pequeno livro está intimamente ligado ao tema da sinodalidade — ao aprendizado de como ouvir uns aos outros. Em tempos de violência, existe a tentação de fechar os ouvidos. Mas devemos ouvir. Em nossas comunidades, como seres humanos, ouvimos uns aos outros — especialmente quando discordamos. É precisamente na discordância que podemos aprender uns com os outros. Nosso mundo está cheio de slogans nos quais as pessoas não estão realmente tentando pensar ou se abrir para os outros. Em vez disso, o chamado de Deus é para abrirmos nossas mentes e corações. É por isso que, em tempos de guerra, o caminho sinodal é tão importante. Durante o Consistório em Roma, em janeiro, todos os cardeais se reuniram, e o primeiro desejo do Papa Leão XIV foi que nos escutássemos uns aos outros, para que assim ele pudesse nos ouvir. Acredito que este seja um grande presente da Igreja para um mundo cheio de violência. Escutamos não apenas com nossos ouvidos e nossas mentes, mas também com nossa imaginação. Podemos imaginar por que os outros pensam diferente de nós? Em meio às guerras, a principal mensagem dos cristãos é a esperança

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