Celebrar o dia 13 de maio, memória de Nossa Senhora de Fátima, não é apenas recordar um evento histórico ocorrido no ano de 1917, mas é acolher, no hoje da nossa história, um veemente apelo dos céus.
Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ Neste abençoado mês de maio, tempo que a piedade popular dedica com tanto afeto e devoção à Santíssima Virgem Maria, nossos corações se voltam espiritualmente para a Cova da Iria. Celebrar o dia 13 de maio, memória de Nossa Senhora de Fátima, não é apenas recordar um evento histórico ocorrido no ano de 1917, mas é acolher, no hoje da nossa história, um veemente apelo dos céus. Um apelo que ecoa através das décadas e que se mantém incrivelmente atual, urgente e necessário para toda a humanidade e para cada um de nós em particular. Quando a Virgem Maria se manifestou aos três pastorinhos – Lúcia, São Francisco e Santa Jacinta Marto –, o mundo estava mergulhado nas trevas e no desespero da Primeira Guerra Mundial. A humanidade experimentava o amargo sabor da destruição causada pelo ódio, pelo orgulho e pelo afastamento de Deus. Foi exatamente nesse cenário de dor e incerteza que a Mãe de Deus escolheu a simplicidade e a pureza de três crianças camponesas para transmitir uma mensagem de luz. Deus sempre escolhe os pequenos para confundir os fortes, e em Fátima, Ele nos lembrou que a verdadeira paz não nasce primordialmente dos tratados políticos, mas da sincera conversão dos corações. A mensagem de Fátima pode ser resumida em três grandes pilares que devem sustentar a nossa vida cristã diária: a oração, a penitência e a conversão. A Senhora do Rosário pediu insistentemente aos pastorinhos: "Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra". O Santo Rosário não é uma oração ultrapassada ou repetitiva; é, antes de tudo, uma meditação contemplativa e profunda dos mistérios da vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo pelos olhos compassivos de Sua Mãe. É a arma espiritual que nos é dada para combatermos as batalhas diárias contra o mal, a violência e a cultura da indiferença que tantas vezes tentam dominar a nossa sociedade. Além da oração constante, Nossa Senhora nos convoca à penitência e à reparação. Ela nos pede que ofereçamos pequenos sacrifícios pela conversão dos pecadores e em reparação pelas ofensas cometidas contra o amor de Deus. Em um mundo contemporâneo muitas vezes marcado pelo hedonismo e pelo individualismo, onde o sofrimento é rejeitado a todo custo e a dor do próximo é frequentemente ignorada, Fátima nos ensina o sublime valor do sacrifício feito por amor. É um convite pastoral para sairmos de nós mesmos, olharmos para as necessidades dos nossos irmãos mais pobres e abraçarmos as cruzes do nosso dia a dia com um sentido redentor. Hoje, quando olhamos para a nossa própria realidade – seja no contexto global, com os inúmeros conflitos que ainda ferem a dignidade humana, seja na nossa cidade, onde tantas vezes a violência e a desigualdade oprimem os mais vulneráveis –, percebemos o quanto ainda precisamos ouvir a Virgem de Fátima. O distanciamento de Deus gera a ruína do homem. Fátima é um farol luminoso que nos reconduz ao porto seguro, que é Jesus Cristo. A Mãe nunca aponta para si mesma; Ela nos diz continuamente, como nas Bodas de Caná: "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2, 5). É fundamental ressaltar que a mensagem de Fátima é um anúncio de de profunda e inabalável esperança. Em meio às revelações dadas aos pastorinhos, a Santíssima Virgem deixou-nos uma promessa consoladora: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará". Esta certeza deve animar a nossa caminhada e afastar o pessimismo. O mal não tem a última palavra sobre a história. O amor de Deus, manifestado na misericórdia e no coração puríssimo de Maria, é infinitamente maior do que qualquer pecado ou estrutura de morte. Neste mês mariano, quero reiterar o apelo da Virgem de Fátima: “Rezai o Rosário todos os dias pela paz”. Aqui em nosso regional Leste 1, ou seja, no estado do Rio de Janeiro, todas as circunscrições eclesiásticas rezam o terço pela paz em locais públicos e com divulgação pelas nossas mídias. Com Maria, peçamos que os homens não fechem o coração a este dom de Deus e desarmem o seu coração. Sejamos arautos da paz em casa, no trabalho e em todo o mundo! Que neste dia 13 de maio, possamos renovar, com fé e alegria, a nossa consagração ao Imaculado Coração de Maria. Que as nossas famílias se tornem verdadeiros cenáculos de oração, onde o terço seja rezado com devoção e perseverança. Que as nossas paróquias e comunidades sejam oásis de misericórdia, acolhida e paz. Peçamos à Senhora de Fátima que interceda por nossa Igreja, pelo nosso amado Santo Padre, por nosso estado do Rio de Janeiro e por todo o Brasil. Que ela nos cubra com seu manto maternal e nos alcance a graça da verdadeira paz, que só o seu Filho Jesus nos pode dar.