O Cardeal nesta entrevista destaca comunhão, escuta e contribuição da Igreja no Brasil.
Vatican News Como já anunciado em novembro passado, o Santo Padre convocou o primeiro Consistório extraordinário do seu pontificado, que se realizará nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026. O encontro terá duração de dois dias e será marcado por momentos de comunhão e fraternidade, bem como por momentos dedicados à reflexão, à compartilha e à oração. Esses momentos terão a finalidade de promover um discernimento comum e oferecer apoio e conselhos ao Santo Padre no exercício da sua alta e empenhativa responsabilidade no governo da Igreja universal. O Consistório se insere no contexto da vida e da missão da Igreja e pretende fortalecer a comunhão entre o Bispo de Roma e os Cardeais, chamados a colaborar de maneira especial na solicitude pelo bem da Igreja universal. No dia 13 de junho passado, se realizou um Consistório ordinário público para o voto de algumas causas de canonização. O Assessor de Imprensa da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Padre Alan Galvão, conversou com o cardeal Orani João Tempesta que participará do Consistório extraordinário: Eminência, quais são suas expectativas para este Consistório Extraordinário convocado pelo Santo Padre? A expectativa é muito grande. Trata-se do primeiro Consistório Extraordinário convocado pelo Papa Leão XIV, e poder participar é, antes de tudo, uma oportunidade de colaborar e de fazer a nossa parte enquanto cardeais. Temos uma responsabilidade especial junto ao Santo Padre no cuidado e na condução da Igreja, e este encontro expressa justamente esse espírito de corresponsabilidade. Considerando que já se passaram dez anos desde o último Consistório Extraordinário, que particularidades ou novidades o senhor acredita que este encontro poderá apresentar? Creio que uma das grandes particularidades deste Consistório é a ampla participação do Colégio Cardinalício. Não são convocados apenas os cardeais que vivem e trabalham em Roma, mas também aqueles que exercem seu ministério pastoral nas Igrejas locais ao redor do mundo. Trata-se de um momento de consulta mais abrangente, no qual somos chamados a colaborar de forma direta, apresentando ao Santo Padre nossas reflexões, experiências, projetos e as situações concretas que ele mesmo propõe para discernimento. A partir da realidade da Igreja no Brasil e na América Latina, que contribuições o senhor considera importantes levar para este momento de escuta e discernimento com o Papa e os demais cardeais? Naturalmente, tudo aquilo que vou expor, aquilo que vou falar e sobre o que serei consultado parte da minha vivência no Brasil e na América Latina. A nossa visão do mundo nasce dessa realidade concreta, marcada por grandes desafios sociais, culturais e pastorais, mas também por uma fé viva e comprometida. É a partir dessa experiência latino-americana, brasileira e também carioca que procuro contribuir com a reflexão da Igreja universal. Na sua avaliação, qual é a importância de um Consistório Extraordinário para a vida da Igreja hoje, especialmente diante dos grandes desafios pastorais, culturais e sociais? Os Consistórios fazem parte da tradição da Igreja e têm uma importância muito grande para a sua vida. O Papa os convoca justamente para consultas diversas, conforme as necessidades de cada tempo. Diante da presença de cardeais do mundo inteiro reunidos em Roma, trata-se de um momento particularmente significativo, de partilha, escuta e aprofundamento, no qual a Igreja reflete de maneira conjunta sobre sua missão e os desafios que enfrenta no mundo atual. Ao longo dos últimos anos, o senhor tem acompanhado de perto os processos de renovação e sinodalidade na Igreja. De que maneira este Consistório Extraordinário pode fortalecer a comunhão entre o Papa e o Colégio Cardinalício nesse caminho? Estar junto ao Santo Padre, escutar atentamente as suas perguntas e poder respondê-las expressa uma forte comunhão com o Colégio Cardinalício. É um exercício concreto de colegialidade e de sinodalidade, no qual partilhamos experiências, escutamos diferentes realidades e procuramos compreender cada vez mais essa visão universal da Igreja, construída a partir da diversidade de povos, culturas e contextos. Em sua experiência como pastor de uma grande arquidiocese, que frutos concretos o senhor espera que este Consistório possa gerar para a missão evangelizadora da Igreja nos próximos anos? Espero que este Consistório nos ajude a colaborar ainda mais com o Santo Padre, a partilhar com liberdade e responsabilidade aquilo que vivemos em nossas Igrejas locais e a discernir juntos os caminhos da evangelização. Tudo o que for colocado e refletido nesse encontro, sem dúvida, poderá gerar frutos importantes para o bem da Igreja e para o fortalecimento de sua missão no mundo contemporâneo. Por fim, que mensagem o senhor gostaria de dirigir aos fiéis do Brasil que acompanham com atenção este momento da vida da Igreja universal? Peço, de modo especial, aos fiéis do Brasil que rezem por todos nós. Rezem por todos os cardeais do mundo inteiro que estarão reunidos em Roma com o Santo Padre, logo após a conclusão do Ano Santo, marcada pelo fechamento da Última Porta Santa, na Basílica de São Pedro. A oração do povo de Deus é fundamental para que possamos colaborar cada vez mais com o Papa e servir bem à Igreja universal. Com a colaboração do Padre Alan Galvão - Assessor de Imprensa da Arquidiocese do Rio de Janeiro