Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 8 anos, têm 3 filhos, são atuantes na Pastoral Familiar. Neste 29° encontro, defender a vida hoje: formação, verdade e caridade na missão pastoral.
Vatican News Olá, amigos da Rádio Vaticano! Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa. Hoje, vamos conversar sobre a missão de defender a vida, com formação, verdade e caridade. Vivemos um tempo em que a defesa da vida humana se tornou um dos maiores desafios pastorais da Igreja e também uma das missões mais urgentes na evangelização, na catequese e nas diversas frentes de apostolado. Muitas pessoas sentem o desejo sincero de defender a vida, mas se sentem inseguras por não saberem como responder às perguntas mais comuns, tendo receio de parecer rígidas ou insensíveis, talvez porque lhes falte formação sólida para dialogar com serenidade num ambiente cultural cada vez mais marcado pelo relativismo moral. Por isso, preparar-se para defender a vida não é um luxo intelectual nem uma tarefa reservada a especialistas. É uma necessidade pastoral concreta. É preciso formação e um olhar profundamente humano e cristão sobre cada pessoa. É preciso compreender o fundamento da dignidade humana e saber dialogar com caridade, sem agressividade, mas também sem relativizar a verdade. Cada ser humano possui dignidade desde a concepção até a morte natural. A biologia demonstra claramente que, no momento da fecundação, surge um novo organismo humano, com identidade genética própria, distinto do pai e da mãe. Não se trata de uma parte do corpo da mulher, nem de um “projeto de pessoa”, mas de um ser humano em estágio inicial de desenvolvimento. À luz da fé, entendemos como cada vida é querida por Deus, criada por amor e chamada a participar da vida eterna. Além disso, a dignidade humana não depende de condições externas, como saúde, idade, autonomia, produtividade ou aceitação social. O valor da pessoa está no fato de ela existir e ser criada e amada por Deus, destinada à comunhão com Ele. Quando esse fundamento é bem compreendido, fica mais fácil enfrentar as discussões bioéticas com serenidade e segurança. Quem atua na pastoral sabe que a defesa da vida encontra resistência justamente porque muitos conceitos são distorcidos ou apresentados de forma confusa. Expressões como “amontoado de células”, “direito ao próprio corpo”, “ainda não é pessoa” ou “cada um decide conforme a própria consciência” tornaram-se comuns na nossa sociedade, mas essas afirmações escondem equívocos graves que precisam ser corrigidos através de uma conscientização. Um bebê no ventre materno não pode ser chamado de “conjunto de células”, porque a ciência responde sem ambiguidade: trata-se de um organismo humano vivo. Da mesma forma, a ideia de que alguém só se torna pessoa quando desenvolve consciência, autonomia ou viabilidade fora do útero leva a consequências perigosas. Os recém-nascidos, pessoas com deficiência, enfermos em coma ou idosos com demência não podem ter sua dignidade relativizada. O argumento do “direito ao próprio corpo” também precisa ser esclarecido. A gravidez envolve dois corpos e duas vidas. O filho não é uma extensão do corpo materno, mas um ser humano distinto, ainda que profundamente dependente. Reconhecer isso não significa ignorar o sofrimento de muitas mulheres, mas afirmar que a solução para situações difíceis nunca pode ser a eliminação de uma vida inocente. Assim, a verdade precisa ser anunciada com firmeza e acompanhada de serviço pastoral e compaixão. Cristo nunca relativizou a verdade, mas também nunca deixou de acolher quem sofria. Esse equilíbrio deve orientar toda ação pastoral. Isso não elimina a necessidade de formação sólida. Ao contrário, torna-a ainda mais necessária: catequistas, agentes pastorais e evangelizadores precisam buscar conhecimento contínuo sobre bioética, fundamentos antropológicos e biológicos da vida humana, ensinamentos da Igreja, conhecimento da ética e moral, e a partir disso, desenvolver acompanhamento pastoral. A missão exige preparo e serviço. E todo serviço à vida também exige vida espiritual: a oração, os sacramentos, a leitura da Palavra e a confiança em Deus sustentam o coração de quem se dedica ao serviço à vida. Defender a vida envolve promover uma verdadeira cultura da vida que valorize a pessoa humana em todas as fases e circunstâncias. E essa cultura se constrói no cotidiano, nas escolhas aparentemente pequenas, nos gestos silenciosos de cuidado, na forma como falamos da vida, da família e da dignidade humana. Cada agente pastoral, cada catequista e cada cristão pode ser instrumento dessa transformação. Essa é uma missão exigente, mas profundamente bela. E é também um caminho privilegiado de evangelização, porque, ao defender a vida, anunciamos o amor de Deus por cada pessoa humana. Este foi mais um Cultura da Vida, um grande abraço a todos e até a próxima!