Cultura da Vida é um espaço de aprofundamento de temas relacionados à dignidade da vida humana e à missão da família como guardiã da vida com Marlon Derosa e sua esposa Ana Carolina Derosa, professores de pós-graduação em Bioética e fundadores do Instituto e Editora Pius com sede em Joinville, Santa Catarina. Marlon e Ana são casados há 8 anos, têm 3 filhos, são atuantes na Pastoral Familiar. Neste 23° encontro, o que é a Bioética e por que a Igreja se importa com isso?
Vatican News Olá, amigos da Rádio Vaticano! Aqui é Marlon e Ana Derosa. Hoje, vamos falar sobre um tema essencial e muitas vezes mal compreendido: a bioética. Você já se perguntou o que é bioética? E por que a Igreja se dedica tanto a esse assunto? Em tempos de avanços científicos e debates morais cada vez mais complexos, essa reflexão se torna urgente. A bioética é o estudo dos princípios éticos e morais que devem guiar as decisões relacionadas à vida humana, desde a concepção até a morte natural, e também as ações que afetam a natureza e o meio ambiente. Dentre os problemas que afetam diretamente a vida humana, podemos citar questões urgentes como a manipulação de embriões, a questão do aborto, o tratamento de uma pessoa gravemente enferma, por exemplo. Por isso, a bioética é muito presente no nosso dia a dia. Estamos discutindo bioética sempre que as pessoas se perguntam coisas como: É certo manipular embriões? O que dizer sobre o aborto? Como garantir a dignidade do doente terminal? E a bioética não trata apenas de questões técnicas ou científicas, mas envolve reflexões sobre o sentido da vida, a dignidade humana e o agir ético diante das situações reais, onde é preciso decidir algo que pode afetar a dignidade humana. E nem tudo que a ciência pode fazer é bom para o ser humano. Isso é algo que precisa estar claro: algo pode ser tecnicamente possível, mas não ser eticamente aceitável. A ciência criou, por exemplo, a bomba atômica, mas todos sabem o problema do uso dessa tecnologia. Da mesma forma, a ciência e a tecnologia podem ser usadas para curar ou eliminar um paciente. Tudo depende de uma decisão ética por trás de cada ato. A Igreja Católica tem um papel fundamental no desenvolvimento da bioética, já que compreende com tanta profundidade o valor e a dignidade da vida humana. A vida humana é um dom, é sagrada, primeiramente, por ser criada à imagem e semelhança de Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2258). E não somente pela fé, mas também à luz da razão, a Igreja ensina a todos sobre o valor incomparável de cada ser humano. Isso quer dizer que ninguém pode dispor da vida de alguém ou da própria vida como se fosse dono absoluto dela ou se ela não tivesse valor. Assim, documentos da Igreja como a Evangelium vitae, Dignitas personae e Donum vitae afirmam que a dignidade da vida humana deve ser respeitada desde a fecundação. Alertam, por exemplo, contra práticas como a fertilização in vitro, que provoca o descarte de embriões humanos, além de ferir a dignidade dos cônjuges e do matrimônio. Mais recentemente, o documento Dignitas infinita, publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, em 2024, reforçou que a dignidade da pessoa não depende da saúde, idade, capacidades ou origem social. É uma dignidade inata, inviolável e universal, e precisa ser protegida de todo tipo de ataque, seja o aborto, a eutanásia, a manipulação embrionária, a violência sexual, o tráfico de pessoas, e tantas outras violações. A ciência e a técnica quando colocadas a serviço da pessoa humana promovem o seu desenvolvimento integral e beneficiam a todos. Por isso é tão importante discutir a ética, a bioética, ressaltando os critérios fundamentais e a moralidade de cada ato, e de modo a reconhecer sempre a dignidade da pessoa humana, que é intrínseca, com direitos inalienáveis. Por tudo isso, vale reforçar que a bioética não é assunto apenas dos médicos, juristas ou teólogos. É um assunto que envolve a vida em sociedade, e por isso é um chamado para todos nós buscarmos entendermos mais. A família, como célula base da sociedade e “santuário da vida” (cf. Evangelium Vitae, n. 92), tem o dever de formar consciências, especialmente das novas gerações, sobre o valor inviolável da vida humana.