O Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) e arcebispo metropolitano de Nampula, Dom Inácio Saúre, afirmou que o conflito armado em Cabo Delgado continua a preocupar a Igreja Católica no País, apesar da redução da atenção pública sobre a situação.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique Falando em entrevista à Rádio Vaticano, à margem da recente Assembleia Plenária dos Bispos moçambicanos, realizada em Maputo, Dom Inácio Saúre sublinhou que a violência permanece activa no norte do país. “O conflito continua, mesmo que aparentemente não se fale muito dele. Só se fala quando há um ataque estrondoso”, afirmou o prelado. O arcebispo referia-se, entre outros episódios, ao recente ataque contra uma missão católica na Diocese de Pemba, onde foram destruídas infraestruturas religiosas e sociais. Segundo Dom Inácio Saúre, esta realidade exige atenção contínua das autoridades nacionais e a solidariedade para com as populações afectadas. “O conflito está presente e merece toda a nossa atenção, sobretudo das autoridades que têm a responsabilidade de defender este povo”, reforçou. O drama vivido em Cabo Delgado esteve igualmente no centro da peregrinação da Infância e Adolescência Missionária da Arquidiocese de Nampula, realizada no último fim de semana no Santuário Maria Mãe do Redentor de Meconta. Centenas de crianças participaram no encontro missionário presidido por Dom Inácio Saúre, marcado por momentos de oração, celebração e apelos à paz. Durante a celebração, um dos destaques foi o repúdio aos recentes ataques contra missões e comunidades cristãs em Cabo Delgado. As crianças manifestaram solidariedade às vítimas da violência e defenderam a convivência pacífica entre os povos. Na mensagem apresentada durante a peregrinação, os participantes apelaram ao fim dos ataques e pediram paz para as famílias afetadas pelo terrorismo no norte de Moçambique. A Igreja Católica continua a insistir na necessidade de diálogo, reconciliação e proteção da dignidade humana, num contexto em que milhares de famílias permanecem marcadas pela insegurança e deslocamento forçado em Cabo Delgado.