Profundo sentimento de gratidão, tristeza e esperança cristã marcou a Missa de funeral de Johan Viljoen, celebrada na quarta-feira, 13 de maio, na Khanya House, sede da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC), em Pretória, onde bispos, sacerdotes, religiosos, agentes humanitários, familiares e amigos se reuniram para homenagear um homem recordado por ter dedicado a sua vida à paz, à justiça e à solidariedade para com os que sofrem.
Por Sheila Pires – Joanesburgo, África do Sul A celebração eucarística foi presidida por Dom José Luís Gerardo Ponce de León, IMC, enquanto o Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre, IMC, concelebrou juntamente com vários sacerdotes e colaboradores próximos de Johan. A sua presença reflectiu as várias dimensões do serviço humanitário e eclesial de Johan, particularmente através do Gabinete de HIV/SIDA da SACBC, do Gabinete dos Migrantes e Refugiados, do Serviço Jesuíta aos Refugiados e do Instituto Denis Hurley para a Paz. Na sua homilia, Dom Ponce de León reflectiu sobre o relato evangélico de Jesus aos pés da cruz, descrevendo-o como a imagem que imediatamente lhe veio ao coração ao tomar conhecimento da morte de Johan. Recordando uma das suas últimas conversas, o Bispo de Ligação do Instituto Denis Hurley para a Paz partilhou como Johan o acompanhou até ao carro, após uma reunião na Khanya House, e mencionou serenamente que sabia que o seu tempo “entre nós estava a chegar ao fim” e que já tinha preparado tudo para esse dia. Dom Ponce de León voltou-se então para a passagem do Evangelho de São João, onde Maria, as mulheres discípulas e o discípulo amado permanecem de pé junto de Cristo crucificado. Descreveu a sua presença não como capaz de eliminar o sofrimento, mas como uma recusa fiel e compassiva de abandonar a vítima inocente. “Eles não O deixaram sozinho. Não acrescentaram solidão ao Seu sofrimento”, afirmou Dom Ponce de León. Estabelecendo uma ligação directa entre o Evangelho e a vida de Johan, o bispo acrescentou: “Como aqueles que estavam junto da cruz, Johan escolheu permanecer junto da cruz de muitos inocentes no nosso continente e para além dele.” A homilia percorreu o longo compromisso de Johan com o serviço humanitário, começando com o seu trabalho durante a pandemia do HIV/SIDA através do Gabinete de SIDA da SACBC, onde Dom Ponce de León o conheceu pela primeira vez há quase vinte e cinco anos. A colaboração entre ambos continuou posteriormente através do Instituto Denis Hurley para a Paz, onde Johan se tornou amplamente respeitado pela sua defesa das comunidades deslocadas e das vítimas da violência em toda a África. O Ordinário Local da Diocese de Manzini recordou, em particular, a visita que fizeram juntos a Pemba, no norte de Moçambique, no auge do conflito em Cabo Delgado, onde encontraram milhares de famílias deslocadas a viver em campos de refugiados. “Ainda me lembro de estarmos sentados na residência episcopal de Pemba”, afirmou. “Johan nunca seria um mero espectador. Sem hesitar, propunha imediatamente um plano de acção, e um plano muito ambicioso. Nunca se tratava dele próprio. Tratava-se deles e de como aliviar o seu sofrimento.” Ao longo da sua reflexão, Dom Ponce de León regressou repetidamente à imagem da cruz, afirmando que Johan não só escolheu permanecer ao lado dos que sofrem, mas também trabalhou incansavelmente para garantir que o sofrimento dos inocentes não fosse ignorado nem esquecido. “Hoje, os crucificados são facilmente postos de lado e esquecidos”, afirmou o bispo. “Johan trabalhou para abrir os olhos de muitos às causas do seu sofrimento.” O prelado salientou ainda que Johan possuía um conhecimento notável do continente africano e dos seus desafios. Vários bispos expressaram gratidão pelas actualizações regulares e análises que ele partilhava sobre os conflitos em curso, as crises migratórias e as preocupações humanitárias que afectam diferentes regiões de África. As mensagens recebidas após a sua morte testemunharam igualmente as profundas relações que Johan construiu através do seu trabalho. Dom Ponce de León recordou uma mensagem enviada pelo Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, Cardeal Michael Czerny SJ, que evocou os esforços de Johan na promoção da paz em regiões afectadas pela violência e pela exploração ligada aos recursos naturais. Dom Inácio Saúre, que viajou de Moçambique para participar na Missa de Funeral, escreveu também que Johan se tinha tornado “não apenas um colaborador incansável” da Caritas da Arquidiocese de Nampula, “mas também um verdadeiro irmão e amigo”. Mesmo nos últimos dias da sua vida, Johan permaneceu empenhado no trabalho que tanto amava. Dom Ponce de León observou que Johan tinha participado numa reunião do Conselho do Instituto Denis Hurley para a Paz, poucos dias antes da sua morte.