“Um dos maiores desafios do nosso tempo é transformar o reconhecimento da dignidade humana, muitas vezes apenas no plano dos princípios, numa prática concreta de respeito, solidariedade, justiça e fraternidade”, afirma Cornélio Abdul Mussá, perito em Ciências Políticas e Relações Internacionais e Docente na Universidade Católica de Moçambique – Extensão de Maputo, para quem a Magnifica Humanitas (MH) de Leão XIV deve ser entendida como uma chamada à responsabilidade coletiva neste sentido.
P.
Bernardo Suate – Cidade do Vaticano Em recentes declarações aos media do Vaticano, Cornélio Mussá reiterou que a salvaguarda da dignidade da pessoa humana deve constituir um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade que se pretenda justa verdadeiramente, solidária e humanizada e que, falar da MH, “essencialmente é reconhecer a grandeza, o valor e a singularidade de cada ser humano, independentemente da sua condição social, económica, cultural, política, religiosa ou de qualquer outra circunstância”.
O académico recordou ainda que a dignidade humana não é um privilégio concedido pelo Estado, pelas instituições ou pela sociedade: é, antes, uma qualidade inerente à própria condição humana, “pois cada pessoa é um fim em si mesma e nunca deve ser tratada simplesmente como meio para alcançar determinados objetivos”.
Colocar a pessoa no centro das nossas decisões e ações À luz do documento de Leão XIV, salvaguardar a dignidade implica, pois, colocar a pessoa no centro das nossas decisões e das nossas ações, enfatizou Cornélio Mussá, é combater todas as formas de humilhação, discriminação, violência, exclusão e desumanização, e significa igualmente garantir que os direitos fundamentais sejam respeitados e que ninguém seja privado do reconhecimento que merece enquanto ser humano.
Mais importante ainda, porém, é compreender que a “dignidade não se protege apenas através de grandes declarações ou de instrumentos jurídicos, ela se deve manifestar nas pequenas atitudes do quotidiano: na forma como tratamos o próximo, na maneira como escutamos os que pensam diferente de nós, no respeito pela pessoa vulnerável, na proteção da criança, do idoso, da pessoa com deficiência, da pessoa em situação de pobreza e de todos aqueles que, por diferentes razões, se encontram em situação de maior fragilidade”, sublinhou Cornélio.
Instituições responsáveis e profissionais comprometidos A Encíclica do Papa deve, por isso, ser entendida também como uma chamada à responsabilidade coletiva, porque não basta afirmar simplesmente que todo ser humano possui dignidade: “é necessário criar condições concretas para que essa dignidade seja efetivamente vivida, e isso exige instituições responsáveis, profissionais comprometidos, políticas públicas orientadas para a pessoa e, sobretudo, uma cultura de respeito pelo outro”, destacou ainda o Docente alertando que, neste mundo marcado por profundas transformações sociais, económicas e tecnológicas, grande desafio é não permitirmos que o progresso seja alcançado à custa da própria pessoa humana.
Deste modo, à luz da Magnifica Humanitas, salvaguardar a dignidade humana é reafirmar que antes de sermos diferentes pelas nossas posições, funções ou circunstâncias, somos seres humanos dotados de igual valor e merecedores de respeito, disse Cornélio, acrescentando: “um dos maiores desafios do nosso tempo é transformar o reconhecimento da dignidade humana, que muitas vezes permanece no plano dos princípios, numa prática concreta de respeito, solidariedade, justiça e fraternidade”.
Conhecimento científico e tecnologia por uma vida mais digna e mais humana É neste sentido que somos convidados a entender a Magnifica Humanitas: como uma visão que reconhece a grandeza, o valor e a centralidade da pessoa humana, de tal modo que o conhecimento científico, a tecnologia, a inovação e o desenvolvimento só adquirem verdadeiro significado quando contribuem para uma vida mais digna e mais humana, e as instituições deveriam, à luz deste documento pontifício, poder unir ciência e ética, conhecimento e responsabilidade, inovação e humanidade, competência profissional e compromisso social, em suma, preservar o humano. [ Audio Embed Entrevista com Prof.
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