Sob o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1), a Diocese de Marabá (PA) oficializou, na noite de sexta-feira (27), o ‘Pacto Educativo, Social e Pastoral contra o Feminicídio’.
Vívian Marler / Assessora Comunicação CNBB Regional Norte 2 O documento, apresentado por Dom Vital Corbellini e, bispo diocesano e pela Coordenação Diocesana de Pastoral, sob responsabilidade da professora Lady Anne Souza, vai além de um manifesto, estabelece um plano estruturante para transformar estruturas históricas de desigualdade e desrespeito à dignidade feminina nos 15 municípios da diocese. A iniciativa ganha contornos de urgência diante do cenário estadual. Enquanto o Pará enfrenta um aumento de 76% nos crimes contra a mulher (2024-2025), o Pacto busca consolidar a tendência positiva de Marabá, que conseguiu zerar os feminicídios em 2025, conforme divulgado por orgãos do governo à imprensa local. Para a Igreja, o enfrentamento deve ser conjunto e contínuo, integrando fé, educação e ação social. Uma das principais novidades reveladas no documento é a criação da ‘Comissão Diocesana Permanente de Enfrentamento à Violência contra a Mulher’. Composta por representantes de pastorais, organismos eclesiais, instituições educativas e profissionais especializados, a Comissão terá a missão de coordenar, articular e avaliar permanentemente a execução das diretrizes do Pacto. O compromisso assume frentes específicas. No Âmbito Educativo o foco será na formação de homens e jovens para fomentar relações interpessoais pautadas no respeito mútuo e na responsabilidade afetiva, combatendo a dominação masculina desde a base. No Âmbito Pastoral será necessário o fortalecimento da escuta qualificada e acompanhamento às vítimas, garantindo que as comunidades eclesiais sejam espaços seguros e solidários. E na Comunicação o compromisso ético de utilizar os meios de comunicação para promover a cultura do respeito, combatendo discursos de ódio e a banalização da violência. Inspirado na promessa de “Vida em abundância” (Jo 10,10), o Pacto reafirma a importância da incidência pública e da parceria com o Poder Judiciário. O texto cita expressamente a consonância com o Artigo 8º da Lei Maria da Penha e com a Convenção de Belém do Pará, reforçando que a ação pastoral deve caminhar lado a lado com os instrumentos jurídicos de proteção. Dom Vital Corbellini enfatizou que defender a vida das mulheres é, em essência, defender a própria vida da sociedade. “Este pacto configura-se como um chamado à vigilância ética e à ação concreta, para que possamos edificar uma realidade em que nenhuma mulher seja vítima de violência”, declarou o bispo. Diferente de ações pontuais, o documento estabelece critérios objetivos de avaliação, como o quantitativo de atendimentos realizados e o número de agentes formados. Para a professora Lady Anne, coordenadora de Pastoral, o projeto fundamenta-se na construção de uma “autêntica cultura de paz”, integrando a formação de lideranças religiosas para identificar e enfrentar as diversas formas de violência doméstica. Ao final do lançamento, a Diocese reafirmou que o Pacto é um compromisso permanente e transformador, visando garantir que o suporte às vítimas seja integral, incluindo o acompanhamento psicológico, espiritual e a plena reintegração social. O Pacto segue as diretrizes do Pacto Educativo Global do Papa Francisco e já está em vigor em todas as paróquias e comunidades da Diocese de Marabá.