“Comprometamo-nos a construir uma Igreja totalmente sinodal, totalmente ministerial, totalmente atraída por Cristo e, portanto, voltada para o serviço ao mundo”, disse o Papa Leão XIV no Jubileu das Equipas Sinodais.
Rui Saraiva – Portugal Em 2025 vivemos a dinâmica celebrativa e alegre do Ano Santo. Um Jubileu iniciado pelo Papa Francisco e concluído pelo Papa Leão XIV. Caminhando juntos com toda a humanidade E neste início de ano 2026 podemos talvez perguntar: E depois do Jubileu? Nas palavras do Santo Padre, na homilia da Missa do dia de Natal, a missão da Igreja deve ser feita em modo de “conversação”, avançando “em direção ao outro” e “caminhando juntos com toda a humanidade”. Uma visão claramente sinodal. “Eis o caminho da missão: um caminho em direção ao outro. Em Deus, cada palavra é uma palavra dirigida, é um convite à conversação, uma palavra que nunca é igual a si mesma. É a renovação que o Concílio Vaticano II promoveu e que veremos florescer apenas caminhando juntos com toda a humanidade, sem nunca nos separarmos dela”, afirmou Leão XIV. Na sua recente Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro”, dirigida aos sacerdotes, o Papa foi bem claro ao escrever que “o desafio da sinodalidade” é “uma das principais oportunidades para os sacerdotes do futuro”. “Numa Igreja cada vez mais sinodal e missionária, o ministério sacerdotal não perde em nada a sua importância e atualidade; pelo contrário, poderá concentrar-se ainda mais nas tarefas que lhe são próprias e específicas”, refere o Santo Padre no documento que assinala os 60 anos dos decretos do Concílio Vaticano II sobre o ministério e a formação sacerdotal. No seu texto, Leão XIV salienta ainda que “a segunda sessão da XVI Assembleia Sinodal, no Documento Final, propôs uma conversão das relações e dos processos”. Construir uma Igreja totalmente sinodal A este propósito, o Santo Padre exortou as Equipas Sinodais no seu Jubileu em outubro passado, a ajudarem “a compreender que, na Igreja, antes de qualquer diferença, somos chamados a caminhar juntos em busca de Deus”. “As equipas sinodais e os órgãos de participação são imagem desta Igreja que vive na comunhão. E hoje gostaria de vos exortar: na escuta do Espírito, no diálogo, na fraternidade e na parrésia, ajudai-nos a compreender que, na Igreja, antes de qualquer diferença, somos chamados a caminhar juntos em busca de Deus, para nos revestirmos dos sentimentos de Cristo; ajudai-nos a ampliar o espaço eclesial para que se torne colegial e acolhedor”, disse Leão XIV. Sendo assim, parece evidente que, depois do Jubileu há um Sínodo para implementar, numa tarefa que terá a especial animação das equipas sinodais, como referiu o Papa na sua homilia de domingo 26 de outubro: “comprometamo-nos a construir uma Igreja totalmente sinodal”, declarou. “Caríssimos, devemos sonhar e construir uma Igreja humilde. Uma Igreja que não se mantém de pé como o fariseu, triunfante e cheia de si mesma, mas que se baixa para lavar os pés da humanidade; uma Igreja que não julga como o fariseu faz com o publicano, mas que se torna um lugar acolhedor para todos e para cada um; uma Igreja que não se fecha em si mesma, mas permanece à escuta de Deus para poder, da mesma forma, ouvir todos. Comprometamo-nos a construir uma Igreja totalmente sinodal, totalmente ministerial, totalmente atraída por Cristo e, portanto, voltada para o serviço ao mundo”, sublinhou o Santo Padre. Sinodalidade é caminho, fora do qual tudo murcha Recordemos que logo no primeiro mês do seu pontificado, no sábado 7 de junho, na Vigília de Pentecostes, o Papa Leão XIV destacou que a sinodalidade é o nome eclesial para a consciência de que Deus criou o mundo para estarmos juntos. “Deus criou o mundo para que pudéssemos estar juntos. ‘Sinodalidade’ é o nome eclesial desta consciência. É o caminho que exige que cada um reconheça a sua dívida e o seu tesouro, sentindo-se parte de um todo, fora do qual tudo murcha, mesmo o mais original dos carismas”, assinalou o Papa. Entretanto, no dia 17 de junho o Papa Leão XIV recebeu em audiência a Conferência Episcopal Italiana. No discurso que proferiu na ocasião, fez um sublinhado muito intenso sobre a sinodalidade, pedindo, desde logo, unidade: “Avancem em unidade, pensando especialmente no Caminho Sinodal”, disse o Santo Padre. Leão XIV pediu aos bispos italianos para permanecerem unidos e abertos às “provocações do Espírito”, dizendo para não se defenderem dessas provocações. No fundo, para não terem uma atitude de recusa àquilo que é novo, mas uma atitude de abertura. E, assim, exortou os bispos de Itália a uma verdadeira mentalidade sinodal: “Que a sinodalidade se torne uma mentalidade, no coração, nos processos de tomada de decisões e nos modos de agir”, disse Leão XIV. Em 2026 implementar o Sínodo nas igrejas locais Neste ano de 2026 decorre a implementação das conclusões do Sínodo. O documento “Pistas para a fase de implementação do Sínodo” aprovado pelo Papa Leão XIV e publicado pela Secretaria Geral do Sínodo a 7 de julho, confirma o percurso proposto pelo Papa Francisco. Um caminho desenhado a partir das igrejas locais rumo a uma Assembleia Eclesial em outubro de 2028 em Roma. Segundo a Secretaria Geral do Sínodo até dezembro de 2026 decorrem percursos de implementação nas Igrejas locais. No primeiro semestre de 2027 estão previstas assembleias de avaliação nas dioceses e no segundo semestre do mesmo ano serão promovidas assembleias de avaliação nas conferências episcopais nacionais e internacionais, nas estruturas hierárquicas orientais e em outros agrupamentos de Igrejas. Finalmente, no primeiro quadrimestre de 2028 estão previstas assembleias continentais de avaliação e em outubro de 2028 terá lugar a celebração de uma grande Assembleia Eclesial no Vaticano. Depois do Jubileu, o tempo é de implementação concreta, na vida da Igreja, das conclusões do Documento Final do Sínodo publicado em outubro de 2024. Caminhando com o Papa Leão XIV rumo à Assembleia Eclesial de 2028. Laudetur Iesus Christus