Alguns dos reinos existentes na África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes civilizações que existiram no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas civilizações foi formada pelas Cidades Iorubás.
Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista Durante o período que chamamos de Idade Média que classifica a História Europeia (séculos V ao XV), poderosos Estados se desenvolveram na África Ocidental e por sua enorme riqueza, tornaram-se o principal eixo de comércio entre o Mar Mediterrâneo e o interior da África. Alguns dos reinos existentes na África podiam se rivalizar com qualquer uma das grandes civilizações que existiram no Oriente Médio ou Extremo Oriente. Uma dessas civilizações foi formada pelas Cidades Iorubás. Cidades iorubás A partir do século IX, na região da atual Nigéria foram formadas várias cidades da civilização iorubá. Essa região já era habitada por esse povo desde o século IV. Os iorubás nunca unificaram suas cidades, porém, mantiveram a mesma cultura como língua, religião e costumes. Era uma espécie de cidades-estado que existiram em outras regiões, sendo cada uma delas relativamente autônoma em relação às demais. A cidade iorubá mais importante foi Ifé, sendo considerada sagrada, por ser o berço dos iorubás, segundo a crença local. Outra cidade importante era Oyo, um centro militar que no final do século XVII, já tinha se expandido até Daomé, no atual Benin. Ifé foi um grande centro artesanal e artístico, sendo governada por um rei-sacerdote que tinha o título de Oni, enquanto nas outras cidades os governantes recebiam o título de Oba. Outros grandes centros históricos eram Ibadan, Abeokuta), Ilorin, Ondo, Oxobô (Oshogbo), Ilesha e a cidade existente onde hoje temos moderna metrópole de Lagos, capital da Nigéria. Essas cidades-estado formaram uma rica civilização que se organizava em torno de centros como Ifé e Oió, com forte tradição política e religiosa Apesar do cristianismo e do islamismo terem chegado até os iorubás, a maioria desse povo sempre se manteve fiel às antigas tradições politeístas locais, sendo os orixás os seus deuses. Dai provém uma influência muito grande nas religiões de matriz africanas existentes, por exemplo, no Brasil. Ao contrário do que se acredita, a crença nos orixás não se expandiu pela África, mantendo-se exclusivamente iorubá. Mas como muitos iorubás também chamados de nagôs ou anagôs pelos portugueses foram transformados em escravos e levados à força para a América, o culto aos orixás se misturou ao cristianismo imposto por portugueses e espanhóis, criando vários sincretismos religiosos que fazem parte da cultura americana como, por exemplo, o Candomblé e a Umbanda, no Brasil e o Vodu no Haiti, apesar de o Vodu também receber influências de outras culturas africanas. A partir do século XV, as cidades iorubás também entraram num processo de declínio, apesar da cidade de Oyo ter se mantido até o século XIX. Muitos pesquisadores acreditam que a falta de unidade política foi uma das causas desse declínio, já que os iorubás não tiveram condições de se fortalecer para enfrentar o processo de escravização que lhes foi imposto. Onde floresceram essas cidades estão hoje alguns países independentes como Nigéria, Benim e Togo. O iorubá é um dos mais de 250 idiomas falados na Nigéria e em alguns outros países da África Ocidental.