Termina na cidade de Treviso o Fórum Internacional sobre “Proteção da Natureza”. A Laudato si' fornece um protocolo para um novo desenvolvimento econômico, enquanto aumenta a demanda por construções em madeira
Luca Collodi - Treviso O Fórum Internacional Greenaccord, que se conclui, neste sábado, em Treviso, tem como tema "Construir o futuro juntos – Uma nova humanidade sedenta de futuro". O tema sobre a beleza, explorado em diversos aspectos da vida cotidiana - natureza, arte, economia e bem-estar - é o foco central. Alfonso Cauteruccio, presidente da Greenaccord, explica que o Papa Francisco "dedica toda uma parte da sua encíclica Laudato si' à beleza, porque a beleza não é apenas um fator estético". E acrescenta: “A degradação ambiental leva à agressão, como comprova a pesquisa científica. Onde há beleza, nasce e se desenvolve outras belezas. Cultivar a beleza significa fomentar relacionamentos positivos. Logo, a beleza toca diretamente o coração, que não é apenas a parte emocional, mas também o lugar onde as decisões são tomadas e se realiza o discernimento". Jovens e ecoansiedade Os jovens italianos, explica Alfonso Cauteruccio, vivem uma espécie de "ecoansiedade", gerada pelas consequências das mudanças climáticas, que os leva a mudar seus estilos de vida e a viver com preocupação em relação ao futuro. E acrescenta: "Tristeza, ansiedade, angústia, sintomas depressivos são as reações emocionais, cognitivas e, às vezes, até físicas que os jovens experimentam em resposta à crise e mudanças climáticas, em relação às previsões pessimistas sobre o futuro" A ecoansiedade, explica, por sua vez, a psicóloga Ferìde Sheshi, foi analisada por um estudo do Instituto Toniolo, que contou com a participação de cerca de quatro mil jovens e adultos, entre 18 e 35 anos. O estudo registrou "reações que podem levar a mudanças de estilo de vida, menos consumistas e com menor impacto ambiental, mas também à falta de confiança em planejamentos futuros. A narrativa em torno da crise climática também é crucial, muitas vezes mais focada no catastrofismo do que em ações concretas, que podem ser tomadas para mitigar o fenômeno". Floresta como modelo econômico Lamberto Diezzi, presidente de “Prometeo”, em Veneza, um Centro de Inovação e Pesquisa, esclarece: "O modelo da floresta primária, ou seja, resistente como contexto econômico, nasce do ensinamento da Laudato si', que faz da ecologia integral seu conceito central. O meio ambiente não é um tema isolado e deve ser compreendido, junto com outras dimensões que afetam a humanidade, como cultura, política e economia. Trata-se de um ecossistema de cuidado e responsabilidade. As florestas primárias são um exemplo típico disso". Estudos mais recentes confirmam "que a chave consiste na cooperação, nas relações de apoio, que se desenvolvem em florestas primárias, onde troncos e galhos colaboram e as raízes transferem nutrientes para o próprio tronco". Isso, secundo Lamberto Diezzi, poderia ser um modelo "para uma competição econômica e social integrada com relações interdependentes, assim como a vida em uma floresta primária. Esta é uma sugestão, uma provocação para considerar novos modelos de desenvolvimento econômico. A questão ambiental não é isolada, como a questão econômica; a ação econômica tem repercussões na saúde, na cultura e no meio ambiente, em um caminho virtuoso para o bem comum". Consolo natural da madeira Giovanna Fongaro, diretora da FBE, fala sobre o significado da construção sustentável, utilizando materiais do passado, materiais de origem local, como pedra, madeira, tijolos: “A madeira cria qualidade de vida e é o único material de construção que produz oxigênio, tanto durante o crescimento quanto durante a fabricação: é energeticamente eficiente e nada é desperdiçado". A demanda de construções em madeira também está em contínuo aumento, sobretudo, entre os jovens: estão sendo construídos casas, condomínios, escolas, obras públicas e câmaras municipais, bem como ginásios e auditórios. E Giovanna conclui: "A madeira é um material de alta qualidade para habitação; podemos construir uma casa de três andares, em duas semanas, com três homens, porque é extremamente fácil de construir". Alimentação sustentável e clima Chiara Pavan, chefe de cozinha veneziana, com estrela Michelin, diz: "Trabalho em um lugar bonito, mas frágil, como a Lagoa de Veneza, um ambiente criado pelo homem. Os seres humanos, de fato, modificaram Veneza, desde o século XVI. Logo, os acontecimentos climáticos influenciam na alimentação, a começar pela biodiversidade. Consideremos a presença de peixes na lagoa: hoje, sépias e enguias desapareceram. Além disso, a seca de 2022 alterou a capacidade de cultivo de hortaliças e mudanças, devido à porcentagem de sal no solo”. Tudo isso leva à falta de matérias-primas, que tem impacto na economia agrícola local e causa problemas para pescadores e comerciantes. E Chiara Pavan acrescenta: "Minha escolha, como chefe de cozinha, é usar diversos tipos de menus para ilustrar as mudanças climáticas, com produtos locais disponíveis no momento, ao invés de outros que não são mais disponíveis. Trata-se de uma escolha informativa através da alimentação. Então perguntamos: “De onde vêm os ingredientes que encontramos em nossos pratos? Devemos fazer escolhas conscientes, usando produtos sazonais e locais para favorecer os mercados de agricultores locais”. Viticultura O vinho “Prosecco” é uma espécie de espumante, que representa as regiões do Vêneto e Trentino, em suas versões branco e rosado, cuja produção tem um forte impacto social e comunitário na região. No ano passado, mais de um milhão de garrafas foram produzidas, como destacou Leonardo Campigotto, técnico em sustentabilidade do Consórcio Prosecco DOC, que enfatizou: "A sustentabilidade é representada pelo cuidado com a vinha e a adega e se expressa através da sustentabilidade social e econômica. A importância da sustentabilidade econômica é fundamental para o fortalecimento da gestão social e comunitária". E Campigotto conclui: "Hoje, temos 12.000 produtores de vinhos, incluindo empresas familiares" A designação DOC nasceu em 2009. Desde então, a pesquisa sobre sustentabilidade tem sido contínua. Atualmente, estamos trabalhando para desenvolver um sistema de gestão virtuoso, que comunique o compromisso das empresas e do consórcio com o meio ambiente, mediante a promoção da pesquisa e inovação. Avaliamos protocolos que reduzem o consumo de água e o uso da terra, utilizando produtos com baixo teor de química para a vinha, que reduz assim o número de medidas”.