Igreja chamada a defender justiça, direitos humanos e comunidades vulneráveis

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Igreja chamada a defender justiça, direitos humanos e comunidades vulneráveis
Fonte: VATICANO

Académicos de Angola e Moçambique destacam a necessidade de uma intervenção mais activa da Igreja na defesa dos direitos humanos, na proteção ambiental e na promoção de sociedades inclusivas.

Por Sheila Pires, em Joanesburgo A Igreja Católica é chamada a reforçar o seu papel na defesa da justiça, dos direitos humanos e da dignidade das comunidades vulneráveis, numa região confrontada com desafios sociais, económicos, políticos e ambientais.

Esta foi uma das mensagens destacadas pelo Dr.

Ângelo Kapwatcha, de Angola, e pelo Dr.

Augusto Bassa João, de Moçambique, em entrevistas à margem de um seminário regional da Associação Inter-Regional dos Bispos da África Austral (IMBISA).

O Secretário-geral da Comissão de Justiça e Paz da Igreja Católica em Moçambique, o Dr.

Augusto, participou na formação para aprofundar questões relacionadas com as alterações climáticas, a justiça socioeconómica e a gestão dos recursos naturais.

O Dr.

Ângelo, convidado pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), interveio como orador em sessões dedicadas à xenofobia, ao tráfico de seres humanos, aos direitos humanos, aos meios de comunicação social e à participação dos jovens na democracia.

O encontro, realizado de 12 a 16 de outubro de 2026, no Centro de Retiros Padre Pio, em Pretória, na África do Sul, reuniu coordenadores das Comissões de Justiça e Paz das Conferências episcopais da região, sob o tema ‘Capacitar os líderes religiosos para uma intervenção eficaz na defesa de questões sociopolíticas, económicas e ambientais na região da IMBISA’. [ Photo Embed: Participantes da CEAST e CEM no Seminário da IMBISA, Pretória (África do Sul)] Recursos naturais ao serviço das comunidades Abordando o impacto da exploração mineira em Moçambique, o Dr.

Augusto destacou as consequências ambientais, sociais e económicas da actividade extractiva, particularmente a poluição dos rios e do ar, que pode comprometer a saúde e a qualidade de vida das populações.

Embora a exploração dos recursos naturais represente uma oportunidade económica, o académico manifestou preocupação com os benefícios limitados que chegam às comunidades onde esses recursos são extraídos. “É necessário um trabalho de advocacia para que, efectivamente, a exploração destes recursos beneficie mais as comunidades”, afirmou, defendendo uma distribuição mais justa dos benefícios económicos da actividade mineira.

Xenofobia, tráfico humano e direitos dos migrantes Por seu lado, o Dr.

Ângelo chamou à atenção para a situação dos migrantes na África do Sul, onde os ataques xenófobos continuam a afectar pessoas de diferentes países da região.

O académico observou que, apesar das respostas institucionais e dos compromissos assumidos pelas autoridades, os mecanismos de protecção nem sempre produzem resultados suficientemente rápidos para as pessoas afectadas.

Defendeu que a condição de estrangeiro não deve, por si só, constituir motivo de perseguição, sobretudo quando não existe qualquer crime comprovado, apelando à construção de comunidades inclusivas, alicerçadas no respeito pela dignidade humana.

O orador alertou também para os riscos de tráfico de seres humanos, particularmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo crianças deslocadas devido a conflitos e às consequências das alterações climáticas.

Referiu, neste contexto, a situação de crianças provenientes do sul de Angola que se deslocam para a Namíbia em busca de condições de sobrevivência, mas que podem ficar expostas à exploração quando não dispõem de protecção e acompanhamento adequados.

Dr Ângelo apelou ainda aos meios de comunicação social para que reforcem a cobertura de situações de violência xenófoba e de outras violações dos direitos humanos, contribuindo para sensibilizar a opinião pública e mobilizar a solidariedade nacional e internacional. [ Photo Embed: Dr.

Ângelo Kapwatcha, convidado da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST)] Os jovens como agentes de paz e transformação A participação dos jovens nos processos democráticos foi outro dos temas abordados durante o seminário.

O académico angolano defendeu a necessidade de promover uma participação política responsável e de proteger os jovens em contextos eleitorais marcados por tensões e conflitos.

As experiências eleitorais na região, incluindo Moçambique, Tanzânia e Botsuana, foram evocadas para sublinhar a importância de identificar e partilhar boas práticas que contribuam para processos democráticos pacíficos.

Para Kapwatcha, a Igreja pode contribuir para a educação cívica, a promoção da paz e a criação de espaços onde os jovens participem activamente na transformação das suas sociedades. [ Audio Embed Oiça aqui a entrevista com Dr.

Augusto e Dr.

Ângelo, e partilhe]

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