Indonésia, universidades católicas colocam em prática 'Magnifica humanitas'

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Indonésia, universidades católicas colocam em prática 'Magnifica humanitas'
Fonte: VATICANO

Durante um encontro de seis dias, que se realizou em Yogyakarta, Indonésia, vinte e dois estudantes de comunicação, de cinco universidades católicas, refletiram sobre “como a inteligência artificial pode estar a serviço de pessoas e comunidades, salvaguardando, ao mesmo tempo, a dignidade humana.

Pe.

Kasmir Nema (SVD), e Paskalia, (S.I.Kom., M.Si.) Yogyakarta Cinco universidades católicas na Indonésia estão preparando os futuros comunicadores para orientar-se no âmbito da inteligência artificial (IA), de modo a salvaguardar a dignidade humana, com base nas reflexões da ‘Magnifica Humanitas’ do Papa Leão XIV. 22 estudantes de comunicação encontraram-se, de 6 a 11 de outubro, na Casa de Formação Carolus Borromeus Syantikara, em Yogyakarta, para um curso intensivo sobre IA e um concurso nacional sobre o tema da encíclica.

O programa desenvolveu-se com treinamentos técnicos, reflexão ética e projetos práticos, focados em desafios sociais, e comunicação do mundo real.

Os participantes representavam cinco instituições, membros da Associação de Instituições Católicas de Ensino Superior: Universidade Atma Jaya Yogyakarta; Atma Jaya Catholic University of Indonesia, em Jacarta; Soegijapranata Catholic University, em Semarang; Widya Mandala Catholic University, em Surabaya, e Widya Mandira Catholic University, em Kupang.

O tema do encontro colocou a dignidade humana no centro da inovação tecnológica.

Em um mundo, cada vez mais moldado pela inteligência artificial, a ‘Magnifica Humanitas’ oferece uma estrutura para uma questão fundamental: como o progresso tecnológico pode contribuir para a prosperidade humana, sem reduzir as pessoas a dados, decisões automatizadas ou capacidades das máquinas?

Manter a dignidade humana no centro A inteligência artificial está transformando a comunicação ao acelerar o processamento de informações, criação de conteúdos e expansão de possibilidades criativas.

Ao mesmo tempo, seu rápido desenvolvimento suscita preocupações sobre a dependência de sistemas automatizados, o declínio do pensamento crítico e a substituição das habilidades e criatividade humanas.

Para os organizadores, preparar os alunos para este cenário em evolução significava ir além da competência técnica.

Os futuros comunicadores devem compreender as capacidades e limitações da IA preservando o julgamento independente, criatividade e responsabilidade profissional, que a tecnologia não pode substituir.

Esta abordagem está em sintonia com a ênfase dada pelo Papa Leão XIV na sua ‘Magnifica Humanitas’: reconhecer e promover a dignidade e a vocação da pessoa humana em um contexto de profundas mudanças tecnológicas.

Esta visão, aplicada à comunicação, exige que a IA permaneça a serviço das pessoas, relacionamentos, verdade e bem comum.

Pesquisadores das cinco universidades desenvolveram 14 módulos de ensino, para examinar as aplicações da IA ​​na comunicação.

A equipe de pesquisa dores é composta por Mario Antonius Birowo e Pupung Arifin, da Universidade Atma Jaya, em Yogyakarta; Finsensius Yuli Purnama, da Universidade Católica Widya Mandala, em Surabaya; Lukas, Lisa Esti Puji Hartanti e Paskalia, S.I.Kom., M.Si., da Universidade Católica Atma Jaya, Indonésia; Inosensia E.

I.

Ndiki Satu, da Universidade Católica Widya Mandira, e Elizabeth Florence Warikar, da Universidade Católica Soegijapranata.

Os módulos abordaram o uso prático da IA e a reflexão crítica necessária para aplicá-la, de forma responsável, em áreas como marketing, relações públicas e jornalismo.

Os alunos foram encorajados a considerar essas ferramentas, não como substitutas da inteligência e responsabilidade humanas, mas como recursos, que devem ser guiados por julgamento ético e pelos valores profissionais.

Ouvir as comunidades e buscar soluções O programa traduziu estes princípios em prática, desafiando os alunos a desenvolver protótipos, baseados na IA, em resposta às reais exigências sociais ou de comunicação.

Antes de expor suas soluções, os participantes visitaram a área de Tugu, em Yogyakarta, onde observaram e entrevistaram vendedores ambulantes, turistas, artistas e outros membros da comunidade local.

Este trabalho permitiu que os presentes identificassem desafios cotidianos e descobrissem como a tecnologia pode ajudar e fornecer respostas significativas e sustentáveis.

A visão central do programa parte das experiências de vida das pessoas, ao invés de se basear apenas em capacidades tecnológicas: a inovação deve responder às necessidades humanas e não, simplesmente, demonstrar o que as máquinas podem fazer.

Mario Antonius Birowo, que liderou a equipe de pesquisadores, observou uma mudança significativa no engajamento dos alunos, à medida que o programa continuava: "No primeiro dia, notamos que os alunos ainda estavam tentando entender o que realmente iriam alcançar.

Mas, nos dias seguintes, pudemos ver um progresso.

Os módulos foram estruturados de forma sistemática, de modo que as conexões entre si se consolidaram até hoje, quando os alunos apresentaram seus protótipos e colocaram em prática ferramentas de IA relevantes para a comunicação".

Enfim, ele descreveu o curso como "um laboratório, no qual os alunos fazem experiência", acrescentando que, se tivessem tido mais tempo, poderiam desenvolver ainda mais as suas ideias”.

Por meio deste processo, os alunos foram convidados a avaliar, não apenas se um aplicativo de IA poderia funcionar, mas também se poderia responder a uma necessidade real, respeitar as pessoas envolvidas e oferecer uma resposta responsável aos desafios que identificaram.

Formar comunicadores para o bem comum O curso de IA e o concurso nacional visavam dotar os alunos com habilidades práticas, enquanto promoviam uma consciência mais profunda de sua responsabilidade como futuros profissionais da comunicação.

Para o ensino superior católico, esta formação faz parte de uma missão mais ampla: preparar os alunos para a era digital significa, não apenas ensinar a usar as tecnologias emergentes, mas também ajudar a discernir como essas tecnologias podem ter impacto sobre as relações humanas, participação social e dignidade de cada pessoa.

A experiência em Yogyakarta, vista sob o prisma da ‘Magnifica Humanitas’,  indica uma abordagem claramente centrada no ser humano para a inovação digital.

A IA pode expandir a criatividade e abrir novas possibilidades de comunicação, mas seu valor depende, em última análise, do modo em que se colocará a serviço dos indivíduos e comunidades.

Por fim, o desafio não é simplesmente treinar usuários mais competentes para o uso da IA, mas treinar comunicadores capazes de colocar o poder tecnológico a serviço da humanidade, da verdade e do bem comum.

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