Irã, as várias faces da crise - Vatican News via Acervo Católico

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Irã, as várias faces da crise - Vatican News via Acervo Católico
Fonte: VATICANO

Desde o dia 28 de dezembro, estão em curso imponentes protestos antigovernamentais e contra a crise econômica: iniciados entre os comerciantes, eles se espalharam por todo o país. O presidente Pezeshkian ordenou às forças de segurança que não ataquem os manifestantes, mas o balanço dos protestos chega a pelo menos 45 mortos, mais de 50 feridos e mais de 2.200 prisões. A internet e as linhas telefônicas foram bloqueadas.

Giada Aquilino - Vatican News Tudo começou no último dia 28 de dezembro entre os comerciantes do Grande Bazar de Teerã; depois, os protestos antigovernamentais e contra a crise econômica se espalharam rapidamente por todo o Irã: de acordo com a agência de notícias registrada nos Estados Unidos Human Rights Activists News Agency (HRANA) — organização independente que monitora as violações dos direitos humanos no país — são 222 as localidades em 26 das 31 províncias da República Islâmica envolvidas naquela que parece ser a mobilização popular mais significativa no país desde os tempos da revolta de 2022. A queda do rial, a moeda nacional Como pano de fundo das manifestações atuais, permanecem a queda do rial, a moeda nacional, e a rápida deterioração das condições econômicas, sobre as quais pesam, além da corrupção maciça, sobretudo as sanções internacionais devido ao programa nuclear de Teerã: medidas restritivas conduzidas particularmente pelos Estados Unidos, num quadro de renovadas tensões geopolíticas, bloqueios navais e controle dos fluxos de petróleo bruto — as reservas petrolíferas iranianas são, no papel, as terceiras maiores do mundo, atrás apenas das de Venezuela e Arábia Saudita — interpretadas por Washington como novas alavancas da governança global. As imagens da operação dos EUA na Venezuela para capturar Nicolás Maduro não passaram despercebidas no Irã, inclusive devido aos tons cada vez mais agressivos usados pelo chefe da Casa Branca contra os aiatolás e no momento em que a imprensa internacional registra o fortalecimento da postura militar estadunidense na região e não exclui uma nova escalada de guerra entre Israel e Irã, após a ocorrida em junho passado. Na República Islâmica, a inflação em dezembro ultrapassou os 40%. Com salários e economias corroídos, a situação para a população piora a cada dia. Segundo o jornal Le Monde, desde a primavera passada, o preço do queijo aumentou 140%, o do pão sangak — amplamente utilizado na alimentação iraniana — subiu impressionantes 250%, enquanto o preço do leite subiu 50% em dois meses e o da carne moída 20% em apenas um mês. "Não há mais óleo nem arroz e, em algumas províncias, como o Baluchistão, registram-se inclusive períodos de fome", destacou ao Le Figaro o jornalista franco-iraniano Emmanuel Razavi, especialista em geopolítica do Oriente Médio e do Irã. Mais de dois terços dos iranianos vivem abaixo da linha da pobreza, vastos territórios não têm acesso à água potável, enquanto em muitas cidades o racionamento de eletricidade continua. Quase meio século após a Revolução Islâmica Mas a crise também tem outras faces. Quase meio século após a Revolução Islâmica de 1979, em julho passado, o think tank francês Fondapol publicou uma pesquisa conduzida pela fundação Gamaan — instituto de pesquisa independente com sede nos Países Baixos que analisa as tendências no Irã — segundo a qual "81% dos iranianos não queriam mais ouvir falar da República Islâmica", lembrou Razavi. O presidente Massoud Pezeshkian, segunda autoridade do Estado depois do Guia Supremo, o aiatolá Ali Khamenei — principal expoente do clero xiita — ordenou, na última quarta-feira, que as forças de segurança não atacassem os manifestantes, conforme relatado pela agência de notícias Mehr. No entanto, o balanço dos protestos, em constante atualização, fala em pelo menos 45 mortos, mais de 50 feridos e mais de 2.200 prisões desde o início das demonstrações, com o bloqueio da internet e das linhas telefônicas decretado pelas autoridades na tentativa de limitar a coordenação e a divulgação de imagens nas redes sociais. Diferente das ondas de protesto anteriores, fontes da oposição e ativistas locais relatam episódios em que os manifestantes conseguiram levar a melhor sobre as forças de segurança, com delegacias de polícia sitiadas, agentes forçados a recuar e amplas áreas urbanas temporariamente retiradas do controle das autoridades. Protestos e greves Em diversas cidades, as manifestações não estão se limitando a passeatas e greves, mas estão assumindo formas de um confronto direto e prolongado com as forças de segurança. Em Bandar Abbas e Shiraz, os manifestantes entoaram slogans explícitos a favor de Reza Pahlavi, filho do último xá e figura simbólica da oposição no exílio. Os protestos também estão atingindo setores estratégicos da economia: justamente na cidade portuária de Bandar Abbas, um nó crucial para o comércio iraniano no Golfo de Omã, foram relatadas manifestações e fechamentos generalizados. Paralelamente, a greve alcançou também o setor energético, com um protesto de trabalhadores em uma refinaria na área de Pars, no sul do país, um dos principais polos industriais ligados à produção de gás e derivados. O que reforça ainda mais o movimento é o apoio dos principais partidos curdos iranianos, uma "galáxia" de vertentes tradicionalmente em conflito entre si, mas que nesta ocasião se uniram em parte. As manifestações chegaram, de fato, também ao Rojhelat, o Curdistão oriental. Em uma declaração conjunta, diversas formações políticas locais apoiaram as greves e as demonstrações, denunciando a corrupção, as falhas administrativas e as políticas discriminatórias, além de condenarem o uso da força em Kermanshah, Ilam, Malekshahi e Lorestan.

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